É Proibido Proibir

História do Pena Kid de 1979, publicada originalmente na mesma revista que a história comentada ontem, a Edição Extra 94.

Como nos foi esclarecido por Primaggio Mantovi no 6° Mercado de Pulgas, que aconteceu no sábado passado, um belo dia a turma da redação das infantis resolveu “enxugar” o conjunto de alter-egos do Peninha (Morcego Vermelho, Pena Kid, Pena das Selvas, Pen Hur, Penado, entre outros), e decidiu desencorajar a produção das histórias dos personagens desse grupo que vendiam menos.

O Pena Kid – O Vingador do Oeste – era um deles. O problema é que, juntamente com o Morcego Vermelho, este era um dos personagens mais queridos de papai, que ele criou como uma homenagem aos tempos felizes que passou morando em uma fazenda, quando criança, e brincando de “bangue bangue” com cavalos de cabo de vassoura e revólveres de espoleta.

Papai era também um “pai” para os seus personagens, e ficou bastante magoado com a “proibição”. Para ele, o exercício da criatividade importava mais do que os gráficos de vendas. Quando ele finalmente recebeu permissão para voltar a escrever histórias deste personagem, saiu-se com essa, como um modo de “denunciar” a proibição.

Na Cidade Proibida, tudo é proibido. As proibições são tantas, que deixam os próprios habitantes da cidade sem ação, incapazes de fazer muita coisa contra ou a favor do nosso herói. A confusão causada por tantas proibições conflitantes é hilária por si só. No final, a rebelião do Pena Kid e do Alazão de Pau mostra aos habitantes da cidade o absurdo dessas proibições todas.

O roteiro também se baseia fortemente na “carga cultural” que o nome da história tinha naquele tempo, como um protesto contra todas as formas de repressão, e em especial a do regime militar. “É Proibido Proibir” é também o nome de uma canção de Caetano Veloso, apresentada no III FIC (Festival Internacional da Canção) promovido pela Rede Globo em 1968, e que causou polêmica.

A história está sendo criada pelo Peninha na redação d’A Patada, e as intervenções e palpites do Tio Patinhas também adicionam à graça da coisa toda. Fazendo as vezes de avaliador, o dono do jornal aponta os detalhes que ele acha que não “cabem” no roteiro do Peninha, que não se deixa abalar e vai fazendo modificações cada vez mais engraçadas, transformando as críticas do Tio em inspiração.

Além do cavalo de cabo de vassoura, alguns elementos são recorrentes nas histórias deste personagem, como os já citados palpites do Tio Patinhas, as soluções mirabolantes do argumentista Peninha, e o ocasional comentário/trocadilho “Que pena, Kid”, proferido por algum vilão.

Interessante são as bordas irregulares dos quadrinhos na história desenhada pelo Peninha, que contrastam com as bordas retas, desenhadas a régua, das cenas onde a redação do jornal aparece.

PK lago

 

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