Paz E Amor, Metralhas!

Da série “Paz e Amor”, esta história dos Irmãos Metralha publicada em 1977 é uma das 4 que papai escreveu satirizando a cultura hippie, de 1972 a 1979.

Após fugir da prisão mais uma vez, e tendo dividido a cela com o Primo 3000, vulgo “Terceiro Milênio”, o Metralha 761 volta para o covil dos irmãos com um plano que parece bem bolado: se passarem por artesãos de uma “feira hippie” para ganhar acesso ao gramado na frente da Caixa Forte e capturar o Tio Patinhas para poder assaltar o local.

A “feira hippie” é ainda hoje uma famosa feira de artesanato em Campinas, que papai frequentava assiduamente nos anos 1970 e 1980 para conversar com as pessoas e colher ideias para suas histórias.

O plano parece bom, mas é claro que não vai dar certo. O Patinhas é esperto demais para cair numa dessas. Mas a tentativa de assalto não é mais importante para a história do que na verdade uma série de detalhes interessantes que são toda a graça de mais um plano maligno falido.

O disfarce de hippie fica tão bom, que nem os Metralhas reconhecem mais uns aos outros. Na verdade, sem ver os números nas próprias camisas, nem eles mesmos sabem quem são.

E todas as falas dos 5 “hippies” incluem alguma combinação das palavras “amizade”, “bicho”, “tamos” (estamos), e frases como “paz e amor, bicho”, “é isso aí”, e “falou”. É um vocabulário composto pelas frases feitas que certamente se ouvia um bocado ao escutar a conversa numa rodinha de Hippies nos anos 1970.

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Outro detalhe interessante desta história, e que estranhamente no dia de hoje ganha mais um significado, são as cenas de abertura onde um dos metralhas se diverte a valer lendo as revistas em quadrinhos que ele *roubou* de algum lugar.

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Aproveito esta sincronicidade para me solidarizar com o colecionador de quadrinhos Antonio José da Silva, o Tom Zé, pelo roubo de parte de sua coleção. O trabalho desses aficionados por quadrinhos é de um amor extremo pela nona arte, o que torna o roubo ainda mais grave.

É uma parte da história da arte mundial que nos foi roubada, comparável ao roubo dos mais famosos quadros dos maiores museus do mundo. E esta arte, como toda arte, não tem preço. Qualquer valor monetário que se possa afixar a ela é apenas uma referência, e nunca a descreverá a contento. O lugar dessa arte, como diria Indiana Jones, é no museu, num acervo que possa ser consultado por todos, e não nas mãos de especuladores ou colecionadores que não têm a intenção de compartilhar essa arte com todos.

Eu peço a quem estiver com a coleção, que ponha a mão na consciência e a devolva.