O Mágico Do Mal

História do Morcego Vermelho, publicada pela primeira vez em 1974.

O Peninha é um pato bem intencionado que se transforma no Morcego Vermelho para combater bandidos e fazer o bem, mas aparentemente o maior defeito dele é ser muito sugestionável. Tanto, que um de seus maiores antagonistas é o Mágico Rudini, um mestre do hipnotismo que adora usar os seus poderes para maltratar o Morcego, com o objetivo de fazer com que ele desista da carreira de herói.

Aqui o vilão conta com um comparsa, um bandido baixinho que é um “simples batedor de carteiras”, um pé de chinelo de última categoria de nome Zé Brocoió. Em 1977 papai voltaria a usar esse nome em uma história do Zé Carioca, já comentada aqui. Como vimos, “brocoió” é sinônimo de homem bronco, tapado, ou limitado.

O nome “Acadabrax”, usado pelo bandido ao se apresentar pela primeira vez para o herói é mais um dos anagramas de “Abracadabra”, uma das palavras mágicas “de verdade” que papai gostava de usar, e que em eras mais antigas já foi usada para curar febres.

Sugestionado pelas maquinações dos dois comparsas, o Morcego chega realmente a pensar que estaria sendo vítima de um clássico ataque psíquico com um bonequinho no estilo do Vodu, também conhecido como Santeria, uma religião de matriz africana praticada principalmente nas ilhas do Caribe e em alguns lugares dos EUA.

Donald livro

Nas primeiras páginas tudo leva a crer que o nosso herói estaria mesmo lidando com algum velhinho mágico de mais de 500 anos de idade, mas ao longo da história as coisas vão mudando, e as explicações para os acontecimentos vão ficando mais e mais mundanas.

Brocoio acadabrax

Se bem que o suposto bonequinho Vodu até que funciona, mas mais por sugestão hipnótica do que por magia africana.

MOV vodu

No final os sobrinhos do Donald ajudam o Morcego Vermelho a se opor à hipnose, e o bandido acaba preso mais uma vez. É o final esperado, é claro, mas nesta história o mais importante é ver como se chega até ele.

E se eu for ousar dizer algo sobre o desenho do mestre Herrero, outro dos grandes parceiros de papai, o que mais me chama a atenção no estilo dele, e que pode-se até dizer que é uma espécie de “assinatura” – como eram as lesminhas do mestre Canini – são as figuras em silhueta negra em primeiro plano que sempre aparecem nas histórias desenhadas por ele, como na cena do orelhão, acima. Ele certamente não economizava tinta nanquim, e conseguiu criar um efeito realmente único, na minha opinião.

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