É De Arrepiar Os Cabelos!

História do Tio Patinhas, de 1972.

Quando seus lucros caem nem que seja um só milimetro nas tabelas, o velho pato paga ao Donald para se preocupar, e especialmente se descabelar, por ele. O fato é que o ricaço está ocupado demais em ganhar dinheiro para ficar preocupado.

Um belo dia, após mais uma tarde de preocupações, o Donald consegue convencer o Tio a ir descansar numa casa de campo. E é chegando lá que começa o mistério: o caseiro sumiu, e a entrada de uma grande gruta apareceu num barranco próximo. O leitor atento já vai desconfiar que algo está errado. Grutas não “aparecem” assim, simplesmente.

Dentro do subterrâneo há estátuas e mais estátuas. Guerreiros, soldados, animais, todas de pedra, todas em tamanho natural, e todas em estilo greco-romano. (quem já entendeu a referência, levante a mão!)

Patinhas estatuas

Mas é só na quarta página da história que aparecem as cobras, quando o Patinhas tenta sair da gruta para chamar os sobrinhos. Tenta, porque some em seguida.

O que se segue é uma clássica cena de filme de suspense: o único telefone na casa é acionado por fichas que, é claro, os patos não têm. E o carro do Donald está sem gasolina. Chamar algum tipo de socorro está fora de cogitação, e eles terão de resolver o mistério sem ajuda, passando por todos os perigos sozinhos.

Investigando a caverna, os patos descobrem mais uma estátua. Um Tio Patinhas de pedra, em tamanho natural. Só então a Medusa se revela, e ameaça transformar a todos em pedra, a não ser que… A não ser que eles entreguem a ela a Moedinha Número Um. Os patos concordam, e patos que são, nem desconfiam.

Patinhas estatuas1

Mas o leitor atento já descobriu tudo. Um ser mitológico do gabarito da Medusa da mitologia grega não teria interesse nenhum num mero amuleto da sorte. Na verdade, é a Maga Patalójica com uma peruca de cobras de borracha e uma caverna criada por mágica, cheia de estátuas de gesso.

Até aí, a bruxa já conseguiu por as mãos na moeda e foge para seu esconderijo no Monte Vesúvio, não sem antes cumprir sua parte no trato e devolver o Patinhas, que volta meio tonto. Pode-se deduzir que ele nunca virou pedra, já que a bruxa não tem esse poder todo, mas foi apenas alvo de uma daquelas bombas estupidificantes que ela carrega com ela para todo lugar.

É claro que nos últimos quadrinhos o feitiço vira contra a feiticeira, mas eu é que não vou contar como.

Interessante é o modo prosaico e corriqueiro como a história começa, inocente mesmo, e a maneira como ela vai se desenvolvendo e tomando ares de filme de terror e mistério, desses de arrepiar os cabelos, só para no fim terminar em riso outra vez.

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