Agência Moleza De Investigações

História do Zé Carioca, publicada pela primeira vez em 1975.

Aqui vemos que o endereço Vila Xurupita/Morro do Papagaio já existe, e a história em si é inspirada em mais de uma novela policial da Agatha Christie, daquelas que papai gostava de ler.

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“Vila Xurupita” foi um nome que papai inventou para fazer os censores militares da época de bobos, já que a palavra em si tem uma conotação sexual e pejorativa, um obscuro xingamento dirigido a crianças do sexo feminino, algo que de outro modo dificilmente seria usado nos quadrinhos Disney.

Já o “Morro do Papagaio” foi em parte inspirado no Morro do Pavão, no Rio de Janeiro, onde papai colheu nos anos seguintes muitas ideias para histórias, conversando com a população local.

A ambientação da história em si não poderia ser mais clássica: um milionário que se curou recentemente de uma surdez graças a um aparelho de audição novo, suspeita que há uma conspiração de seus herdeiros para matá-lo e ficar com a herança.

Há mais ou menos uma dezena de pessoas vivendo com ele na mansão, entre parentes e empregados, e todos são suspeitos. O Zé é contratado porque consegue convencer o ricaço de que o fato de não se parecer com um detetive é o seu maior trunfo para manter as investigações secretas, e juntamente com o Nestor é levado à mansão para iniciar as investigações.

ZC sobrinhos  ZC sobrinhas mordomo

A técnica narrativa, aqui, é também clássica das histórias policiais: o culpado é sempre o personagem mais óbvio e menos suspeito, e de tudo um pouco é feito para confundir o leitor e desviar sua atenção para comportamentos suspeitos de outros personagens. Há pistas falsas e armadilhas – algumas bem perigosas – por todos os lados, e em quase todos os quadrinhos há um parente do Comendador em atitude suspeita, vigiando os detetives, ou olhando de soslaio. Em dado momento, a suspeita é lançada até mesmo sobre o próprio milionário.

ZC flecha

O Zé e o Nestor conseguem desvendar o mistério no final, meio por acidente, mas conseguem, e esta é uma das raras vezes em que tudo termina bem para eles, com direito a recompensa e tudo.

E só um esclarecimento: o Renato Canini desenhou esta história. Ele desenhou, muito bem aliás, mas só desenhou. Desenhar uma história não dá a artista nenhum a autoria da história. O autor dela é Ivan Saidenberg, o meu pai. Foi papai quem criou a trama de mistério, e os personagens que participam dela, os diálogos, etc. O Canini só, apenas, única e exclusivamente, desenhou. Eu gostaria muito que alguns fãs dos quadrinhos Disney, e especialmente os donos de outros blogs mais influentes que o meu, entendessem isso e parassem de dar automaticamente ao Canini o crédito por tudo o que papai fez, só porque ele é o desenhista. Não é justo, nem para a memória do desenhista, e nem para a memória do meu pai (o escritor). Obrigada.

Já passou pela Amazon hoje para ver o livro de papai? É aqui.

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