Memórias Do Vovô

Esta é uma história dos Irmãos Metralha, publicada pela primeira vez em 1974.

A brincadeira aqui fica entre as memórias do Vovô Metralha (suas lembranças) e a memória do Vovô Metralha, que está piorando um pouco a cada dia.

Ávidos por histórias da família, os irmãos pedem ao vovô para contar a eles uma de suas aventuras. O ancião não se faz de rogado, e logo começa a contar o mais recente “grande golpe” que aplicou, começando com sua fuga da cadeia por um túnel… bem no dia no qual seria solto, de qualquer maneira.

Acostumados que estamos por papai a ler histórias geniais, à primeira vista podemos até pensar que esta é uma trama banal: o Vovô foge da cadeia, é recebido a bala pela Titia Metralha, e em seguida ambos começam a traçar um plano para assaltar a Caixa Forte do Tio Patinhas. O súbito aparecimento do Metralha 1313 na história, inclusive, já dá ao leitor uma dica de que rumo as coisas vão tomar.

Mas a genialidade desta história não está aí: acima de tudo, ela serve para delinear melhor a personalidade do Vovô e dar ao leitor uma descrição das manias dele, lançando as bases para as histórias futuras do personagem nas quais ele narra suas aventuras para os diversos membros da família.

Para começar, a cleptomania do Vovô fica bastante clara. Ele não consegue deixar de roubar objetos até mesmo de seus parentes mais próximos.

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Em seguida, sua mania atinge um novo estágio: ele rouba sem perceber, por impulso, e depois esquece. Isso se tornaria recorrente em várias histórias futuras.

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Outra coisa que se tornaria parte das características da família inclui as “palavras proibidas”, aquelas que não devem ser ditas, cuja menção é prontamente punida com uma bengalada na cabeça. A principal delas, é claro, é “polícia”.

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Isso tudo seria usado de novo e de novo por papai nas histórias dos metralhas, sempre com sutis variações. De resto, o plano maluco nesta história e sua elaboração são apenas mais um pretexto para torturar o 1313 um pouquinho. Dado errado o plano, que por definição nunca teve chance alguma de dar certo, voltam todos à cadeia, de onde nunca deveriam ter saído.