A Janela Do Castigo

História dos Irmãos Metralha, publicada pela primeira vez em 1973.

A realidade na qual os Metralhas vivem é (ou deveria ser, hoje em dia já nem se sabe mais) inversa àquela das pessoas honestas. Os valores deles são todos voltados aos roubos e crimes, e o que eles mais almejam é se tornar “ruins na vida”.

O sucesso é representado pelo crime perfeito, e para perseguir esse ideal eles chegam até mesmo a ler livros que ensinam a praticar crimes, alguns inclusive escritos pelo próprio Metralha Intelectual, e se organizar em um grupo de estudos que se parece muito com uma escola.

Numa época na qual as pessoas estavam seguras de seus valores de estudos e trabalho honesto, essa inversão de valores era realmente hilária, de tão absurda que parecia. Hoje em dia, como diria Rui Barbosa, “de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

Mas enfim, temos uma história a comentar: nessa realidade “já não tão paralela assim”, na sala de aula dos Metralhas, um deles é penalizado por ir mal nos estudos e enviado ao “canto do castigo”, como se fosse uma criança:

Metralha janela

E é lá que ele imagina um plano para assaltar o Tio Patinhas, entrando pela porta da frente da Caixa Forte na companhia do próprio milionário. O intelectual gosta da ideia e resolve colocá-la em prática, mas num primeiro momento escolhe mal suas palavras:

Metralha bacana

Parece realmente um plano genial. Disfarçado de “pobre menininha”, com uma roupa curiosamente semelhante ao próprio uniforme dos Metralhas, o dono da ideia consegue se aproximar do velho pato, que manda inclusive desligar os alarmes anti Metralhas, que disparam apesar do disfarce (interessante seria imaginar qual é o critério tão infalível assim para a identificação desses bandidos, que até parece mágica) e o leva para dentro da fortaleza, e até o seu escritório.

Metralha menininha

Mas é claro que o Patinhas não é bobo, e enrola o bandido direitinho enquanto dá a impressão de estar caindo no golpe. Ele inclusive consegue fazer o Metralha da a ele algum dinheiro. A moral da história pode ser resumido em dois ditos populares, dois clichês: “ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão” (apesar de que o que o Tio Patinhas faz não é exatamente roubo), e “foi buscar lã e saiu tosquiado”.

Afinal de contas, o Metralha entrou lá para trazer dinheiro para fora nem que fosse à força, e acabou deixando voluntariamente o seu dinheiro lá dentro. Qualquer semelhança com o nosso sistema bancário terá sido mera coincidência. 😉

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