A Classe Dos Profissionais Sem Classe

História do Superpateta de 1975.

Desta vez, papai inventa toda uma turma de vilões, organizados em uma espécie de sindicato ou organização com o objetivo de se contrapor ao Superpateta. Ele inclusive deixou anotado a lápis, no quadrinho de apresentação da turma, os respectivos nomes e especialidades dos bandidos. Fiz até um scan com uma resolução um pouco melhor, que é para ver se dá para ler:

Prof sem classe

São eles: Dr. Estigma (presidente), Dr. Enigma (expulso do grupo), Dr. Temporal (especialista em refrigeração), Dr. Espectro (iluminação), Dr. Estelionato (falsificação), Dr. Zung (química), Dr. Mefisto (plásticos), Dr. Arrasarrasa (física), Dr. Biguebem (barulho), Dr. Morsa (armas), Dr. Calunga (mágica), e Dr. Versejão (também conhecido como Dr. Vivaldo).

Alguns deles foram pegos “emprestados” das histórias de outros heróis, como o Dr. Zung, originalmente um adversário do Morcego Vermelho inspirado em Dr. Jekyll e Mr. Hyde. O Morsa é inspirado em “A Morsa e o Carpinteiro” de Alice no País das Maravilhas. O nome “Temporal” tem algo a ver com tempo, ou clima. “Espectro” é uma referência ao “espectro solar”, resultado da “quebra” da luz branca nas sete cores do arco íris com a ajuda de um prisma. Diz-se que Isaac Newton, que fez a proeza pela primeira vez, achou que estava vendo um fantasma, e daí chamou a coisa toda de “espectro”. “Mefisto” é uma referência ao Diabo da tradição Cristã. De que modo isso estaria ligado a plásticos é um mistério para mim. “Biguebem” é uma referência ao Big Ben, que é o nome do sino do relógio (não do relógio, mas sim do sino, esse é o detalhe) que fica na torre do Palácio de Westminster, e que é um dos símbolos da Inglaterra. “Calunga” é um nome que vem da cultura afrobrasileira, e por isso está relacionado à mágica. E finalmente “Versejão” é um poeta sem inspiração. Versejar é fazer maus versos.

Os malvados colocam em prática um elaborado plano para atrair o herói até o esconderijo deles, onde planejam acabar com ele.

Mas a coisa não é assim tão fácil. Primeiro, o simples Pateta é um pouco, digamos “simples” demais, e demora a “se tocar” de que a poluição sonora que se abateu sobre Patópolis – na forma do toque de um sino super amplificado – precisa receber a atenção do Superpateta.

Prof sem classe pateta

A intenção de papai, certamente, era fazer com que o leitor ficasse angustiado com a burrice do Pateta, e torcendo pelo momento no qual ele iria finalmente se transformar e começar a investigar a coisa toda.(Aliás, note-se a sacola de compras na mão do Pateta, que saiu para comprar comida. Ele é um consumidor consciente, muito antes disso existir).

E quando o Super finalmente chega ao esconderijo dos vilões, a “poderosa” arma que ele prepararam não faz o efeito desejado, mas é o suficiente para ele finalmente perceber que alguém está tentando acabar com ele. Daí para a espetacular prisão dos bandidos é um pulo.

São tantos, e tão maus, especialistas nas mais diferentes ciências e artes malignas, mas na “hora do vamos ver” não dão nem para a saída. O bem venceu novamente, e com um pé nas costas.

Já passou pelo site da Marsupial Editora? O livro “de papai” sobre a História dos Quadrinhos no Brasil está lá esperando.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s