Zé Noel

História do Zé Carioca, publicada no Natal de 1972.

Tenho a impressão que esta é uma das primeiras tentativas de papai em lidar com o tema. Alguns anos mais, e ele já estava ganhando prêmios com esse tipo de roteiro.

Vejamos: é antevéspera de Natal, e o Zé está procurando um (gulp) emprego, para poder comprar o presente da Rosinha, já que ele está duro, como sempre. A princípio ele “empresta” um jornal da banca e acha um anúncio pedindo por lavador de pratos, diarista. Parece um bom negócio… trabalhar um pouco, receber no fim do dia, e está resolvido. Mas ele é demitido antes até de começar a trabalhar, ao pedir um pagamento antecipado ao novo patrão.

A solução encontrada, então, é o empreendedorismo. Vender pinheiros pintados de prateado com a ajuda da bomba de inseticida da Rosinha parece ser uma boa ideia. Aqui, curiosamente, temos um vídeo que exemplifica a “técnica”.

ZC fleet

O preço de banana das árvores atrai clientes, e para conseguir arrecadar 70 cruzeiros, a 5 cada uma, ele deve ter vendido umas 14 delas. O problema é que a venda do que quer que seja no passeio público sem licença é ilegal, e o nosso empresário por um dia logo se vê às voltas com o “José Saracura, o Fiscal da Prefeitura”, que cobra dele uma multa de 70 cruzeiros, justinho. Esse fiscal, me contou papai, é inspirado em “João Saracura”, personagem da canção de nome “Abrigo de Vagabundos” de Adoniran Barbosa. Creio que a troca de João para José se deva ao papel não tão simpático desempenhado aqui pelo fiscal.

ZC Saracura

No final sobrou uma árvore prateada do “estoque”, e é isso que acaba sendo o presente da Rosinha. A conclusão é que ele nem precisava ter tido todo o trabalho de cortar e pintar uma dúzia de pinheiros, além do trabalho de vender, e tudo o mais. Em todo caso, isso mostra o quanto o Zé está disposto a se esforçar para fazer a Rosinha feliz, e decididamente não é pouco.

E no Natal isso tem um valor ainda mais especial. O mais curioso é que a trama é perfeitamente mundana, sem aparições de seres mitológicos, como o Papai Noel, nem milagres de Natal. O episódio todo poderia ter acontecido com qualquer rapaz pobre e esforçado em qualquer tempo, e em qualquer lugar do Brasil.

(24/06/2019 – E aconteceu! Fiquei sabendo, recentemente, que esta prática de pintar árvores de Natal de prateado para vender na vizinhança era algo que meus tios, os irmãos de minha mãe, faziam para ganhar uma graninha extra nessa época do ano. Mais uma vez, é papai “reciclando” e romanceando a História da própria família.)

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