O Caso Das Frutas Furtadas

(Diga o nome desta história três vezes, bem rápido. Parece um daqueles trava línguas antigos).

É uma história do Zé Carioca, de 1984, e a sutileza da história de mistério policial não fica devendo nada aos melhores contos da literatura mundial, de Edgar Allan Poe a Agatha Christie.

O caso é que as frutas do Pedrão estão sumindo misteriosamente, e o ladrão não deixa rastros. Nosso leitor atento é novamente convidado a participar das investigações, e as pistas vão sendo espalhadas com o desenrolar dos quadrinhos.

A primeira técnica dos romances e contos de mistério clássicos é desviar a atenção do leitor com pistas falsas, para que ele não chegue à solução – que geralmente é bastante óbvia – rápido demais. Neste caso, as suspeitas recaem logo sobre o próprio Zé Carioca, porque todo mundo sabe que ele sempre foi louco pelas frutas do pomar do amigo.

O nervosismo do Zé ao ver o Pedrão se aproximando com cara de bravo e um rastelo na mão, e depois sua recusa inicial em investigar um “mero” caso de sumiço de frutas (apesar de ter investigado recentemente o sumiço de um gato, note-se bem), deixam o Nestor com a sensação de que o Zé aprontou mais uma. O que o Zé pensa quando o Pedrão promete pagar em frutas, e que só o leitor vê, é mais uma pista falsa para colocar as suspeitas no papagaio.

ZC frutas

Mas o leitor atento (e bom conhecedor da turma da Vila Xurupita) sabe quem é que é o dono de um gato naquele lugar. Isso, aliado ao fato de que não há rastros ou pegadas, ajuda a afastar as suspeitas da figura do Zé, apesar de todas as frutas que podem ser vistas sobre a mesa do papagaio em uma das cenas. Afinal de contas, o Pedrão não é o único que lida com frutas, na Vila.

ZC frutas 1

Enquanto isso, o Nestor continua desconfiando do amigo, ainda mais quando o Zé apresenta a hipótese de que um certo “homem macaco” fugido de um circo possa ser o culpado. A coisa parece tão óbvia, e ao mesmo tempo tão esdrúxula, que nem parece verdade. O Zé dá o caso por encerrado, mas o Nestor continua na cola dele, desconfiado. Quando espia pela janela do Zé e vê todas aquelas frutas na mesa, tira as próprias conclusões e vai falar com o Pedrão, que concorda em “armar” para o Zé, como punição pelo suposto furto.

E agora, leitor, o Zé é ou não é culpado? E se é culpado, por que não deixou rastros, e de quem era o gato que ele ajudou a encontrar? Será que as frutas na casa do Zé vinham mesmo do pomar do Pedrão?

Nesse meio tempo o Pedrão e o Nestor chamam o Afonsinho que, fantasiado de homem macaco, dá um susto no Zé. Mas é só quando o verdadeiro homem macaco aparece que o mistério é desvendado de uma vez por todas, e o nosso amigo é inocentado.

ZC frutas 2

Mas o Nestor e o Pedrão não vão sair impunes por terem julgado mal o amigo e o seu gosto por frutas frescas. A ironia é que o próprio homem macaco se encarrega disso. Quem mandou eles desconfiarem da palavra do Zé?

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