O Espelho De Bruxóvia

História da Maga Patalójika, de 1975.

Convencida de que encontrou um poderoso aparelho dominador de mentes, a Maga arremata num leilão um antigo espelho mágico. Para uma bruxa, até um vintém furado (sinônimo de preço irrisório – “isso aí não vale nem um vintém furado”) é dinheiro.

Esta história é inspirada em outra, de terror, publicada em 1961 pela Editora Outubro sob o nome O Bruxo!

“Bruxóvia” lembra nomes de lugares como Cracóvia, por exemplo, e poderia ser algum misterioso país/cidade/região de bruxos na exótica Europa Oriental, quase uma segunda Transilvânia. Quem já ouviu a canção russa “Oci Ciornie” (Olhos Negros) sabe de que tipo de sons eu estou falando.

Sendo um objeto mágico, é claro que esse espelho não é nada comum. Para começar, ele é feito de metal, e não de vidro. Os espelhos de vidro foram inventados no final da Idade Média e se popularizaram na Veneza do Renascimento (onde surgiu também a lenda urbana dos sete anos de azar por se quebrar um espelho: de fato, coitado do empregado doméstico que quebrasse um desses caríssimos objetos no palácio de algum nobre. Certamente nunca mais trabalharia para família rica nenhuma na cidade.)

Maga espelho bruxovia

Mas os espelhos mais antigos de que se tem notícia eram feitos de metais cuidadosamente polidos, principalmente o cobre, o bronze e a prata. Alguns dos de bronze são inclusive citados na Bíblia hebraica, e certamente não chegam nem perto de ser os mais antigos. Assim, o “Espelho de Bruxóvia” poderia ter milhares de anos de idade.

Em seguida, há todo um conjunto de “leis da magia” que o acompanham, e a principal delas é que quem se mira no espelho fica sob o poder mental do dono do objeto. Mas como o espelho é antigo e está embaçado, precisando ser polido novamente para voltar a refletir alguma coisa, a Maga logo desenvolve todo um plano a respeito de quem ela quer que faça esse polimento.

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Curioso é o interesse (entusiasmo, até) do Tio Patinhas por métodos místicos de previsão do futuro, que inclusive parece vir de antigas histórias italianas, como por exemplo “O Espelho negro”, de 1967.

Mas o plano da Maga tem uma falha muito básica, que faz todo o plano ir por água abaixo de um jeito completamente hilário, é claro. Como sempre a bondade dos bons é a sua própria proteção, mais potente que qualquer magia negra.