A Copa Do Morro É Nossa!

História do Zé Carioca, criada em 1978 e publicada pela primeira vez em 1982.

Concordo com quem pensa que esta é uma boa história para um dia de abertura de Copa do Mundo. As datas de criação e publicação, é claro, não são coincidência. Criada “em homenagem” à Copa de 1978, esta história acabou na gaveta até a Copa seguinte, a de 1982.

Dada toda a polêmica em volta da Copa do Mundo de 1978, na Argentina, no ambiente de uma ditadura militar e com vitória da Seleção Argentina sob forte suspeita de fraude, penso que esta história serve também como uma crítica velada à situação toda por lá. E é bem provável que seja por isso mesmo que a HQ tenha ficado engavetada até a Copa seguinte. Assim como na história que apresenta o “Gorila Ernesto”, escrita quando esse era o nome do Presidente do Brasil, é provável que a chefia da redação tenha decidido esperar até que o conteúdo político da história tivesse se “esvaziado” um pouco.

O Vila Xurupita Futebol Clube é convidado para um “jogo de taça” contra o Macaco Futebol Clube. O problema é que o próprio conceito do jogo é todo planejado para que os macacos ganhem. Desde o campo e até as regras, tudo foi cuidadosamente pensado por eles para não dar nenhuma chance de jogo justo ao adversário, e garantir a sua vitória sobre a turma da Vila Xurupita.

Começa com o campo em si, sem gramado e em desnível: há um “campo de cima”, e um “campo de baixo”. Pelas regras “adaptadas” dos macacos, o Xurupita joga o primeiro tempo no campo de baixo, enquanto o Macaco joga o segundo tempo no campo de cima. O pontapé inicial é de quem chutar primeiro, falta a favor do Bras… oops, do Xurupita não existe (uma queixa constante em todas as Copas que eu já vi), cartões são distribuídos com liberalidade aos jogadores do Xurupita por qualquer motivo (outra queixa de Copas do Mundo que eu já ouvi bastante), e o jogo deverá acabar assim que um macaco marcar um gol, sumariamente. Desse jeito fica difícil ganhar dos donos da casa, mas é claro que papai nos presenteará a sua solução do modo mais inusitado possível.

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Mas antes, logo de saída, uma tropeçada na bola dos letristas: está certo que no início da história a preocupação do Zé é com o prêmio do jogo, que pode encher o caixa e tirar o VXFC do vermelho, mas quando ele, o Afonsinho e o Nestor resolvem dar uma olhada no campo por cima da cerca, a preocupação é mais com a *grama* do que com a “grana”. É a primeira decepção do Zé: se o desnível já não fosse o bastante, também não há gramado!

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De qualquer maneira (de qualquer maneira *mesmo*) o jogo segue numa hilária sequência de cenas de “anti futebol”. Tudo o que em teoria não pode acontecer numa partida desse esporte acaba acontecendo, numa sucessão estonteante de eventos.

Curiosa é a participação do personagem Miguelzinho, um pato magrinho que joga de óculos e que aparece apenas nesta única história, cuja função principal é cair por baixo do goleiro Pedrão na frente do gol, sendo efetivamente esmagado pelo grandão e precisando ser substituído.

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(É aquela coisa: num episódio qualquer de Jornada nas Estrelas, a série original, um grupo formado pelo Capitão Kirk, Dr. Spock e um subordinado desconhecido de baixa patente está explorando pela primeira vez um novo e perigoso mundo. Quem vocês acham que vai morrer, quando os perigos do planeta inevitavelmente se abaterem sobre eles? Então.)

No fim os macacos marcam um gol e a partida termina, mas não exatamente do jeito que eles queriam. O Xurupita vence e leva um belo troféu para casa, mas as consequências da vitória também não serão exatamente como eles sonhavam.

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Aviso aos navegantes: este blog não comenta desenhos. Meus comentários aqui dizem respeito somente aos argumentos/roteiros escritos por papai para suas histórias em quadrinhos. E acreditem, já há bastante o que comentar só nessa parte. Os desenhos das histórias de papai, via de regra, eram feitos por outros artistas, tão talentosos quanto, mas que não são o foco deste blog. Se o leitor quiser saber quem desenhou esta história, por favor acesse o link do Inducks, que fica na data de publicação da HQ, no início deste comentário.