No Tempo Dos Mandarins

História dos Irmãos Metralha Históricos, publicada pela primeira vez em 1979.

Desta vez estamos na antiga China Imperial, e os antepassados dos Metralhas, aqui chamados de Metralhins, são três honestos mercadores. Quer dizer, honestos só até as 6 da tarde. Ao anoitecer eles se transformam nos “Larápios Mascarados” e saem roubando pelas redondezas.

A brincadeira com o idioma chinês acontece no modo de falar dos personagens, que trocam os “R” por “L”, num estilo que ficou famoso com o personagem Cebolinha, do Maurício de Souza. Assim, temos os “Metlalhins”, e “Lalápios Mascalados”, por exemplo.

Papai abusou também dos trocadilhos e cacófatos nos nomes de outros personagens, como o Imperador Es-Ti-Ling (estilingue), ou de lugares, como a cidade de “Ka-Sa-Kai” (casa cai), o porto de Chu-Chu (chuchu), e a província de “Shin-Ga-Thu-Do (xinga tudo). A sonoridade exótica do idioma oriental já causou muita estranheza aos ouvidos dos brasileiros, e foi dessa maneira que passou à “memória folclórica” das pessoas, em muitos casos.

A estrutura da narrativa é parecida com a das outras histórias do tema: o Vovô está contando seu “causo” sobre os antepassados enquanto também responde às perguntas dos Metralhas, e o Metralha 1313, como sempre, tem um papel especial dentro da trama. A diferença é que hoje ele vai chegar bem mais atrasado do que o normal, depois que o Vovô já terminou sua narrativa e foi embora. Só que isso não vai impedir o 1313 de se dar mal mais uma vez, e hoje sem nem saber por quê.

Metralhins

A história, que contém um forte elemento policial e um pequeno mistério para o leitor resolver, é também pontilhada por citações inventadas de Confúcio, o grande filósofo chinês, e por uma canção também inventada por papai. Ele além disso inventou/adaptou uma melodia em estilo oriental para ela, que infelizmente não sei escrever aqui, mas que ele me ensinou e da qual me lembro até hoje.

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