O Coroné Zé Buscapé

História do Zé Carioca, de 1983.

História de festa junina, que lembra um pouco a “Festança na Roça”, publicada 10 anos antes, e tem também elementos de “O Forró de Brocoió”, de 1977 (ambas já comentadas aqui). Como na “Festança”, a história começa com o Zé desanimado por não poder ir à festa da Rosinha. Se daquela vez era simplesmente porque a turma não estava conseguindo encontrá-lo para convidar, desta vez não é por falta de ela querer que ele vá, mas sim porque quem esta organizando a coisa é o pai dela, o Rocha Vaz.

Este é um roteiro do tipo “tudo está bem, mesmo quando não acaba bem”, e o tema central são as tentativas do Zé, em cumplicidade com a Rosinha, de entrar na festa disfarçado de Zé Buscapé, um rico banqueiro nordestino. O problema é que o Rocha Vaz convidou o verdadeiro “Coroné”, o que, é claro, dá ensejo a toda uma comédia de erros. Conseguirá o leitor identificar quem é Zé e quem é Buscapé?

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Para complicar, Corvínio e Zelão, um par de corvos malandros vendedores de jornal, pega birra do Zé Carioca por causa de um jornal “filado”, e resolve sabotar o plano. O fato é que o estratagema, mesmo com a aprovação da Rosinha, não é exatamente honesto, e por isso não pode dar exatamente certo numa história Disney.

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O Zé poderia estar em outra festa, mostrada ao fundo na primeira página. Nela se vê uma grande fogueira, Afonsinho e Pedrão soltando fogos, e depois o Pedrão se queimando ao tentar pular a fogueira. Mas a festa do morro certamente não tem a Rosinha, nem a fartura de comes e bebes que, aliás, lembram muito as festas juninas de nossa família, realizadas no quintal da casa em Campinas, e para as quais a “nata” da turma da Editora Abril também era convidada.

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A frase de abertura da história, no primeiro quadrinho, é usada também no encerramento. A primeira fala do Nestor também, num contexto levemente diferente, como resposta do Zé ao amigo. Tudo isso dá ao final da história aquela velha sensação de “lá vamos nós de novo”. No próximo ano, o Zé certamente vai aprontar algo parecido.

O segundo quadrinho, com Zé e Nestor vistos de dentro de um galinheiro de onde uma galinha está sendo roubada parece ser uma inserção do desenhista, já que esta ação não tem continuidade no restante da história, e este não é o estilo de papai, que não costumava deixar “pontas soltas” no roteiro.

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