As Ovelhas Do Senhor Pastor

História do Peninha desenhando o Pena Kid na redação de A Patada, de 1978.

O Peninha está criando na redação, e o Tio Patinhas, como sempre, vem dar palpites, que o nosso desenhista e roteirista vai adaptando, sempre com o objetivo de “não perder o trabalhão” que já teve na produção da história até ali.

Assim, a coisa vai se transformando: de uma cena de “selva africana”, a história passa ao “Zoológico do Faroeste” (existe isso???), e depois de mais uma bronca ou duas do chefe, o Pena Kid acaba pastor de 200 ovelhas que ganha de presente do pai da “donzela em perigo” (sempre precisa haver uma dessas, não é mesmo?)

Com isso, papai faz alusão a mais um capítulo da história real do Velho Oeste, que ficou conhecida como a “Guerra das Ovelhas” (Sheep Wars). O fato é que o gado bovino se recusa a comer a mesma pastagem ou beber da mesma água que o gado ovino. Algo no cheiro característico das ovelhas é repugnante a vacas e cavalos, o que torna as duas modalidades de pecuária incompatíveis. No pasto onde pastaram as ovelhas, os bois não pastam mais, o que acarretava enormes prejuízos para os criadores desses últimos.

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Essa disputa por pastagens chegou a ser tão acirrada no século 19, que até mortes ocorriam. Ser pastor de ovelhas no Velho Oeste não era algo muito popular, para se dizer o mínimo. Tanto, que até filmes foram feitos sobre o assunto, como “The Ballad of Josie”, de 1968, e “The Sheepman”, de 1958, que papai certamente assistiu. Neste segundo filme, o personagem principal ganha as ovelhas num jogo de pôquer, o que é bastante parecido com a situação vivida aqui pelo nosso herói.

O tema cinema também é lembrado nesta história, na cena em que as 200 ovelhas se escondem  “atrás do cenário” de paisagem.

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De resto, boa parte da graça da história está nas tentativas do Pena Kid de se livrar do incômodo rebanho, e no fato de que elas sempre voltam a aparecer, nos lugares e momentos mais impróprios.

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No final, quando tudo parece perdido, uma solução mirabolante nos leva ao final feliz e nos lembra que o “autor” da história é o Peninha, no fim das contas, e que o único compromisso do pato é terminar a história, seja como for, sem ligar muito para “detalhes” como condução de enredo, por exemplo.

Em 1991, em Israel e em plena Guerra do Golfo, papai provavelmente se sentiu ameaçado pelos mísseis disparados pelo Ditador iraquiano Saddam Hussein, e deixou, quando eu não estava vendo, pequenos recados “para a posteridade” em alguns (poucos, por mim ele poderia ter anotado todas as histórias) exemplares das revistas da coleção, com detalhes sobre a criação de certos personagens, e coisas assim. Este é um deles:

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