O Técnico Que Veio De Longe

História do Zé Carioca, publicada pela primeira vez em 1979.

É uma “anedota de futebol”, na qual o Zé explica aos sobrinhos, Zico e Zeca, a história por trás de uma foto do álbum de família. Ele, é claro, vai contando a história do jeito dele, sempre dourando um pouco a pílula para passar uma impressão melhor de si mesmo aos meninos.

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Após uma temporada como técnico do “Esmagassapo Futebol Clube”, o último colocado da terceira divisão da várzea, time que perdeu até do “Velhinhos Desdentados de Vila Velha FC”, o Zé é contratado pelo ministro dos esportes do Petrolioquistão para treinar nada menos do que a Seleção Nacional do país.

Só o nome do país já dá uma pista sobre o que vamos encontrar lá. Além disso, o camisolão que o tal ministro usa, juntamente com a Keffiyeh vermelha (típica da Jordânia), os óculos escuros e o hábito de terminar todas as frases com a expressão “Lé”, criam um tipo positivamente árabe.

O fato é que este é um país (ou uma casta de governantes) que enriqueceu perfurando poços de petróleo e cujo governante, o “Rei Said” (e Said era também o apelido de papai na redação da Editora Abril) resolve montar um time de futebol para ser o próximo campeão do mundo, nada menos, do mesmo jeito que algum outro endinheirado do tipo montaria um zoológico completo com pinguins e ursos polares ou parque de diversões aquático no meio do deserto.

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Eles se esquecem que o dinheiro pode contratar os melhores (ou nem tanto, para dizer o mínimo) treinadores, jogadores e equipamentos, mas nada compra o talento para o jogo, ou uma tradição de anos no esporte.

É claro que não poderia dar certo, mas enquanto o time é montado e os equipamentos importados, o Zé vai aproveitando alguns dias de férias de luxo com tudo pago. Por fim, o Rei Said resolve marcar um jogo contra o time do Gasolinaque (uma referência ao Iraque), e quando o time comandado pelo Zé perde de 18 a 0, resolve contratar uma equipe composta pelos melhores jogadores do mundo com salários astronômicos.

O Problema é que logo o primeiro que chega, o “Jogador Qualhado” (uma brincadeira com o personagem Coalhada do Chico Anísio), inocentemente entrega o jogo do Zé como treinador do último colocado da última divisão, o que acaba com seus dias de “Técnico das Arábias”. Mas até aí o Zé já se divertiu a valer, e nós com ele, então está tudo bem.

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