Uma Reunião Gatastrófica

História do Ronrom, publicada pela primeira vez em 1974.

Esta história é um pouco diferente das aventuras habituais do personagem, mas não é menos engraçada. Desta vez o gato não está trás do Peninha para tentar ganhar peixes, nem nada do gênero. O pato abilolado e seu primo, o Pato Donald (dono do arisco bichano) nem aparecem.

Hoje ele está às voltas com a Maga Patalójika e as bruxas Madame Min e Vanda. As duas primeiras sabem que a terceira não tem um gato como ajudante e, orgulhosas (um pouco demais) de seus “familiares”, resolvem tentar humilhar a Vanda sugerindo um concurso de “Feitiços Felinos”. É nesse momento que o Ronrom entra na história, capturado da lata de lixo que ele estava revirando à procura de peixes pela vassoura da bruxa “desengatada”.

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Mas a arrogância das outras duas não vai ficar impune. Mesmo que sua captura tenha sido uma espécie de “punição” por estar revirando o lixo como um gato de rua qualquer ao invés de ficar em casa e tomar o leitinho oferecido pelo Donald, o Ronrom não está nem um pouco interessado em ser gato de bruxa.

O “Gatastrófica” do título é uma combinação das palavras “gato” e “catástrofe”. A primeira catástrofe, do ponto de vista do felino, é a sua captura. A segunda, a “gatástrofe” propriamente dita, é a confusão causada por ele na reunião das bruxas, para se vingar e conseguir escapar.

Parte da graça da história, aliás, está nos ingredientes das poções. Alguns são até bem comuns, e outros são totalmente impossíveis: pó de dentes de pterodáctilo, raiz de mandrágora, raspas de mandioca, sal de fruta, piolhos de corvo, escamas de unicórnio, cerdas de javali desdentado, espinhos, pó de ananás, raiz de sassafrás, creme de urtiga e antenas de formiga. Além da graça de certos absurdos (unicórnio tem escamas?), as palavras são usadas por sua sonoridade e até algumas rimas, e pelo menos uma (a mandrágora) é uma planta cercada de lendas, um ingrediente clássico de feitiços e remédios medievais.

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Os ingredientes também têm a ver com as características de cada bruxa: a Maga fica com a mandrágora, tão “brava”, misteriosa e poderosa quanto ela própria. O corvo, o javali e o unicórnio estão relacionados com as ilhas britânicas e com a mitologia arturiana, ponto de origem da Madame Min. Os ingredientes mais “verossímeis” são os da Vanda, cujas primeiras aparições aconteceram em histórias de Dia das Bruxas (o conhecido Halloween, que se aproxima). Ananás e sassafrás (um tipo de canela) se parecem mais com os ingredientes de algum doce para brincar de “gostosuras ou travessuras” do que outra coisa.

Além disso, o chá de urtigas e os bolinhos de cactos mencionados no primeiro quadrinho certamente não são comuns ao paladar da maioria das pessoas, mas são certamente comestíveis e podem ser até mesmo muito nutritivos (tirando-se os espinhos, é claro). Mas sinceramente, é preciso ser muito “natureba” para tentar uma receita dessas.

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