Os Furacões

História do Zé Carioca, publicada pela primeira vez em 1976.

O tema da vez é o futebol, e o folclore que paira ao redor do jogo. Para salvar as finanças do Vila Xurupita Futebol Clube, a turma aceita jogar contra os “Furacões do Méier”, um time de brutamontes. A vantagem parece estar do lado do time adversário, com seus jogadores altos e fortes e sua torcida intimidadora, mas o futebol é por definição um jogo imprevisível, onde nem sempre é a força física que conta.

O interessante é que tirando o Zé, Nestor e Pedrão, os outros personagens da turma da Vila Xurupita que participam desta história são uns perfeitos desconhecidos. Nenhum deles tem nome (a não ser o líder da torcida adversária, um certo Zelão), mas são figuras bastante engraçadas, cortesia de Renato Canini.

Outro detalhe que chama a atenção é o fato do Zé ser o tesoureiro (e ponta direita) do time, apesar de não haver nada para administrar. Até o cofre foi penhorado, para pagar o aluguel. O fato é que papai havia sido argumentista *e tesoureiro* do grupo de quadrinistas que alugou um escritório no Edifício Martinelli nos anos 1960, episódio mencionado em meu livro*. Coincidência? Isso só mostra o quanto papai se identificava com o personagem, a ponto de “emprestar” a ele, e mais de uma vez, detalhes de sua própria vida. Outro a ter duas funções dentro do clube é o Nestor, que é presidente e goleiro.

ZC Furacoes

Nesta história temos também, a engraçadíssima noção que, de tanto ver o Vila Xurupita FC perder jogos, o povo já está interpretando o “VX” na flâmula como “vexame”. O ano é 1976, e o time não vence nenhum jogo, mas palavras do Nestor, desde 1972.

ZC Furacoes1

Apesar de tudo, e das bravatas da torcida dos Furacões, os jogadores altos e fortes são pesadões demais para a correria dos “peso pena” de Vila Xurupita, que acabam vencendo o jogo na sorte e na raça (mais sorte do que raça à bem da verdade), confirmando mais uma vez que, quando se fala de futebol, nada está talhado em pedra.

ZC Furacoes2

 

* Livro esse que aliás será lançado muito em breve, dia 31 de janeiro, no Memorial da América Latina a partir de 13:00. http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava

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