As Garatujas Abomináveis

História do Morcego Vermelho, de 1976, certamente uma das mais criativas de papai.

O Dr. Ogar Hatuja é um desenhista frustrado que inventa um maravilhoso lápis criador, cujos rabiscos saem da parede (muito semelhante, aliás, a um dos mais modernos modelos de impressora 3D em formato de caneta, cujo protótipo foi visto recentemente em vídeos na Internet) e vão perambular pelas ruas, assaltando as pessoas e causando muita confusão.

Garatujas

A diferença é que os desenhos criados com as atuais canetas 3D não andam (ainda)… Mas, e se andassem? É nessa premissa que se baseia toda a trama: e se os desenhos feitos nas paredes, por crianças e outros tipos de artistas e arteiros, de repente tomassem vida?

Os rabiscos das crianças pequenas são realmente curiosos, e têm intrigado os adultos por décadas (o termo “garatuja” está ligado ao trabalho do psicólogo infantil Jean Piaget, por exemplo, que papai certamente conhecia, como parte da base teórica de sua profissão de quadrinista infantil). Recentemente eles também inspiraram artistas plásticos que tentaram tratar os desenhos de seus filhos em 3D virtual no computador, ou fazer bonecos de pano inspirados neles, tudo na tentativa de “tirá-los do papel”.

Ele aqui também dá uma dica bastante clara do que esperava dos leitores, fazendo o Morcego tirar um dicionário do bolso e pesquisar a palavra desconhecida, antes de começar a agir. E convenhamos: a palavra “garatuja” realmente soa tão estranha que poderia muito bem ser o nome de um bicho, ou algo parecido. (Uma mistura de gato com rato e coruja, talvez?)

Garatujas1

As Garatujas Abomináveis, como todo “bom” monstro de histórias em quadrinhos, têm o seu ponto fraco, o que as torna na verdade bastante vulneráveis, apesar de sua aparência feiosa. Além disso, se o vilão desta história não sabe desenhar, não nos esqueçamos que o Morcego Vermelho é o Peninha, e que o Peninha sabe, sim, desenhar. Tão bem, aliás, que com o passar do tempo acabou virando o quadrinista oficial dos Estúdios A Patada de Quadrinhos. Este talento também virá bem a calhar na luta do Morcego contra os monstros, ou melhor, contra o criador deles.

Outro ponto em comum entre o Morcego e o Peninha é o caderninho de repórter, onde o herói anota os detalhes das reclamações das vítimas e descrições dos bandidos.

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E há o meu livro, que conta outras histórias sobre a vida e a obra de meu pai. Ele está esperando por vocês na Comix, ou no link: http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava

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