A Bruxa Que Só Falava Abóbora

História do Morcego Verde, de 1984.

Na época em que esta história foi criada, em Janeiro de 1982, havia surgido uma gíria nova entre os jovens que rapidamente virou mania nacional: “falar abóbora”, ou “falar abobrinhas”, virou sinônimo de “dizer besteiras”, ou não fazer sentido nenhum. Essa gíria estava sendo usada por toda parte, do pátio da escola aos programas de televisão e, como reflexo da sociedade que são, os quadrinhos não poderiam ficar alheios.

Quem quisesse parecer atualizado e “antenado” com as tendências culturais da época era quase obrigado a usar a tal gíria, sob pena de parecer “careta”. Assim, papai resolveu adotá-la em uma história ou duas, meio como “exercício em atualidade” e meio para, quem sabe, atrair mais alguns leitores dentre a “juventude descolada” da época.

O Zé andou lendo as revistas do Morcego Vermelho novamente, e resolveu sair por aí com sua capa verde, aprontando. Por sorte dele, o cachorrinho Soneca não desgruda de seu mestre, mais ou menos como o cãozinho da carta de Tarot “O Louco” (em inglês, “O Tolo”), salvando-o repetidas vezes das enrascadas e tropeços nos quais o papagaio se mete.

Tarot Louco

Já sabemos que a identidade do Morcego Verde não é segredo para ninguém. Quer dizer, só o Afonsinho ainda não desconfiou. Ele sempre trata o Zé fantasiado como a um verdadeiro herói e, quando uma bruxa de verdade, dessas de vassoura e tudo, invade sua quitanda, não hesita em ir pedir ajuda.

MV abobora

É aí que entra o tema “abóboras”: ela (que não é nenhuma das bruxas mais conhecidas do leitor) está procurando pelo vegetal entre as muitas frutas e verduras do Afonsinho, pelos motivos dela, e só fala sobre isso, como uma ideia fixa. Para piorar, é tão míope que não enxerga um palmo à frente do próprio bico. Mas como toda bruxa que se preza, é ávida por lançar feitiços e transformar pessoas.

MV Abobora1

Apesar de a gíria em si não ter sido usada exatamente de acordo com o seu sentido “clássico” (papai inconscientemente enveredou por um caminho mais conhecido, o da associação de bruxas com abóboras, Halloween e transformações no estilo Cinderela), a confusão que se cria é grande, e o leitor terá motivo de sobra para rir das desventuras do nosso desastrado aspirante a herói e seus amigos.

http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava

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