A Grande Corrida De Tartarugas

História de Donald e Sobrinhos, de 1977.

O pato chega em casa e encontra os meninos brincando com um filhote de jabuti, que eles estão tentando treinar para uma corrida de tartarugas que haverá em Patópolis. A ideia é mais ou menos a mesma que a do torneio de aeromodelos, de 1973, que eu já comentei aqui.

O interessante é que o Zizo, o bichinho dos meninos, existiu de verdade e era um dos nossos animais de estimação. Ficava escondido entre as folhagens de um dos jardins da casa em Campinas, e só saía de seu esconderijo uma vez por semana, mais ou menos, em busca de alimento. Eu conto a história do pequeno quelônio com mais detalhes na minha biografia de papai, aliás.

E para uma tartaruga, até que ele era bem rápido, mesmo. Ao brincar com ele um dia meu irmão e eu chegamos a nos admirar do quanto ele conseguia correr, e esse foi, muito provavelmente, o ponto de partida para esta história.

Voltando à trama, os prêmios da tal corrida são bons, e o Donald resolve comprar uma tartaruga “de verdade” (já que ele não considera a dos meninos grande e forte o suficiente para ganhar a corrida) para competir e aumentar as chances da família de ganhar, já que ele está precisando do dinheiro do prêmio. Só que o Donald não apenas compra um animal de corrida: ele dá a ela o nome de Gertrudes, e dá-se a entender que ela certamente se juntará ao Zizo como animal de estimação da casa após o evento.

Enquanto isso o Gastão, que (coisa rara) está em maré de azar, também resolve participar. Ele compra outro jabuti grande e rápido mas, ávido pelo prêmio, nem ao menos se preocupa em dar um nome ao bicho. Isso, para quem gosta de animais, é perfeitamente imperdoável. Além disso, ele está disposto até a trapacear para ganhar (para ele, sinal de que sua sorte teria voltado), e isso também não é algo que passe impune numa história Disney.

Quem conhece tartarugas sabe que elas só se dispõem a correr se estiverem realmente com fome. Mas como conseguem passar longos períodos sem comer, não é exatamente uma maldade atrasar um pouco o dia da alimentação delas.

É sabido também que tartarugas mais velhas são maiores e mais fortes, certamente, mas também são mais pesadas. Por outro lado, os filhotes são mais leves, mas podem não ser tão fortes. Parte da motivação da história é a indagação de papai sobre mais ou menos como isso tudo influenciaria na velocidade da corrida dos bichos, mas a intenção principal é na verdade “fazer festinha” para o Zizo, e para os próprios filhos, por tabela.

A cena da trapaça do Gastão, em seis quadrinhos, é a chave para toda a trama (note-se a falta de fome misteriosa do Zizo e o arbusto com frutinhas silvestres próximo à tartaruga do trapaceiro), e ponto central do “plano” de meu pai para fazer o humilde e pequeno Zizo ganhar a corrida e ser aclamado como herói, no final.

PD Zizo

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