O que os amigos dizem sobre Ivan Saidenberg

Mauricio de Sousa:

“Fui amigo do Said e realmente quando me perguntaram sobre suas aptidões, na Abril, falei um monte de verdades (meritórias, lógico) sobre ele. Ainda bem que tudo foi bem, e ele deu sua contribuição para a Disney permanecer com mais brilho, durante muito tempo, no Brasil. Imagino que muitas histórias ainda publicadas (republicadas) são de sua autoria. Abraços à família do Said.”

Renato Canini:

“Por incrível que pareça, só vi o Ivan uma vez. Eu trabalhava na Revista Recreio lá por 69 e 70, e o Ivan apareceu por lá. Acho que ele já colaborava com a Disney, que ficava na sala ao lado.

O Igayara, que era o chefe de arte da Recreio me apresentou o Ivan por ser o irmão do Luiz, que foi um grande amigo lá de Porto Alegre, onde eu morava. Eu era funcionário público, mas fazia um expediente na CETPA – Cooperativa e Editora de Porto Alegre – Fundada por José Geraldo, que era do Rio. Era uma tentativa de nacionalizar as histórias em quadrinhos, e o José Geraldo trouxe para Porto Alegre vários desenhistas do Rio e de São Paulo: o Luiz, o Shimamoto, o Flávio Colin, o Getúlio Delphin e muitos outros. A CETPA não deu certo, e cada um voltou para o seu estado.

O Zé Carioca ainda não havia entrado na minha vida.

Em 71 eu estava querendo voltar para Porto Alegre e o Igayara me deu força. Desenharia a Recreio de lá e enviaria pelo malote da Abril. E o Yga me perguntou se eu não gostaria de tentar desenhar o Zé Carioca. Topei e daí surgiu nossa “inesquecível dupla”. Antes o Zé Carioca já havia sido desenhado por vários artistas brasileiros: Izomar Camargo Guilherme, Jorge Kato, e o próprio Igayara.

A nossa parceria durou de 71 a 75 ou 76, por aí. O meu único contato com o Ivan era pelas anotações que ele fazia nos argumentos. Depois que eu parei, o Ivan continuou a escrever roteiros para outros desenhistas.

Anos depois soube que o Ivan estava em Israel. Não sei quanto tempo ele ficou lá.

Depois o Ivan voltou para Santos e ficou de me visitar em Porto Alegre, mas nunca pode vir. Até hoje mantenho correspondência com o mano Luiz, grande desenhista e cronista.”

Ziraldo Alves Pinto:

“O Ivan e o Canini eram dois dos maiores roteiristas da Editora Abril, quando as histórias em quadrinhos da editora dominavam o mercado brasileiro. Eles – acho que até mais o Ivan – praticamente deram uma vida verdadeiramente brasileira ao Zé Carioca e fizeram do Tio Patinhas um velho usura dos mais simpáticos. Quando fui fazer a revista da Turma do Pererê para a Abril, entre os roteiristas da casa, coube-me o Ivan. O que foi uma coisa muito boa, principalmente pelo fato de ele ter vindo acompanhado da Thereza, sua mulher, que também era muito criativa. Foi uma bela experiência que teve o defeito de durar pouco. Mas, que até hoje, me deixa muita saudade.”

Os depoimentos a seguir apareceram originalmente no gibi especial “A História de Patópolis”, publicado pela Editora Abril em abril de 2012:

Primaggio Mantovi:

Em 1973, uma das minhas atribuições era avaliar os roteiros Disney made in Brazil. Logo que as primeiras histórias do Said caíram nas minhas mãos, fiquei embasbacado com a qualidade do material. Ele era único! Eu morria de rir com suas histórias (e ainda ganhava pra isso!) e, consequentemente, aprovava todas, com raríssimas modificações.

Euclides Miyaura:

Conheci o Said assim que entrei na Editora Abril, em julho de 1973. Para um garoto de 14 anos como eu, aquele senhor de terno caqui e calça marrom era o “monstro sagrado” dos roteiros. Tenho na memória até hoje o dia em que fui encarregado de desenhar minha primeira história com argumento do mestre Said (lembro-me do fato, mas não da HQ em si, porque posteriormente vieram muitas outras). Aquilo foi a afirmação da minha maioridade como desenhista profissional.

Júlio de Andrade Filho:

Quando frequentei a Escolinha Disney da Editora Abril, em 1973, Said já era um autor renomado. Eu e meus colegas éramos um grupo de jovens aprendizes que ficavam lendo, rabiscando folhas de papel e estudando maneiras de dar vida a personagens como Mickey, Donald e Zé Carioca. Num belo dia, chegou um homem de cabelos compridos que desciam por cima dos ombros, de óculos quadrados, meio prognático e sorridente. Nosso chefão, Claudio de Souza, o recebeu com festa, mostrando a ele o primeiro volume da coleção de livros ilustrados Os Grandes Duelos. O homem abriu o exemplar com olhar crítico, folheou lentamente página a página, como que saboreando as ilustrações. Os editores, ao lado, suspenderam a respiração, esperando o veredicto… O homem fechou o livro, olhou para o chefão e disse, com um brilho nos olhos: “Ficou do grande $#@&!” Todos respiraram aliviados e eu fiquei me perguntando quem seria aquele sujeito tão respeitado. Victor Civita, o dono da editora? Não, não era. Mas acho que, sem ele, a Abril seria menor. Aquele era Ivan Saidenberg.

Marsupial: http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava
Comix: http://www.comix.com.br/product_info.php?products_id=23238

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