O Poço Misterioso

História do Zé carioca, de 1975.

Lá vamos nós, novamente, para um subterrâneo. Principalmente nos primeiros anos de sua produção de quadrinhos Disney, papai recorria bastante a cavernas e outros tipos de ambientes sob a terra para criar uma “realidade alternativa” na qual geralmente existia um reino perdido comandado por um rei excêntrico e de baixa estatura, para efeito cômico. Aqui não é diferente.

O subterrâneo acaba sendo uma metáfora para a mente subconsciente, aquele “lugar” do qual vêm a criatividade e a imaginação das pessoas. É como o “medo do escuro” das crianças pequenas. Na luz há tudo o que podemos ver com os olhos físicos. Mas a escuridão é um mistério, que pode ter Bicho Papão, jacaré debaixo da cama, e outros tipos de monstros e assombrações. Tudo de acordo com o que a imaginação mandar.

Outro tema recorrente é a mania do Zé Carioca de “fazer turismo” pegando carona no reboque de um caminhão, em longas viagens que atravessam os sertões deste “Brasilzão velho e sem porteiras”. Pode-se dizer, inclusive, que isto é uma espécie de “turismo de aventura”, já que todo mundo sabe como começa, mas ninguém sabe como vai acabar.

Outra característica do Zé nas histórias de papai é a “grande boca” dele: o que ele diz geralmente o coloca em apuros, ou acaba sendo uma espécie de presságio sobre o que está por vir. Hoje temos, também, um Nestor bastante ranzinza. A impressão que dá é que ele sempre concorda em acompanhar o Zé em suas aventuras somente porque não quer deixar o amigo sair por aí se arriscando sozinho, mas ele mesmo preferiria mil vezes o “conforto” de sua cama de caixotes de madeira e colchão de palha na favela.

E temos também um terceiro companheiro de viagem/aventura. Tião o Destemido, o motorista do caminhão. (Destaque para o clássico “para-choque de caminhão”, com os dizeres: “feliz foi Adão, que nunca teve um caminhão” no primeiro quadrinho. É papai, mais uma vez, fazendo todo o possível para representar a cultura brasileira nas histórias do mais brasileiro dos personagens Disney). Ele aparece apenas desta história, e ao que tudo indica concorda com a presença dos outros dois em seu veículo. Além disso, ele participa ativamente da história.

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Por fim, temos o clichê do povo desconhecido que aparentemente vive cercado de riquezas, como por exemplo os habitantes do mundo de Esquálidus, mas para o qual os valores são outros.

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Outra coisa que é muito preciosa para mim é a minha biografia de papai. Ela pode até não ser cravejada de brilhantes, mas está à espera de vocês nas melhores livrarias:

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