Patetópolis

História do Pateta, publicada em 1974.

É a primeira da série de três histórias sobre a cidade dos patetas, sendo que as primeiras duas foram escritas por papai. A terceira, ao que tudo indica, é de outro autor (ainda desconhecido) já que seu título não é mencionado nas listas de trabalho dele, e o nome do seu autor não é mencionado no Inducks.

Estas primeiras duas começam com a mesma situação: o Pateta desapareceu, em seu lugar há apenas um bilhete, e cabe ao Gilberto encontrá-lo e livrá-lo da enrascada. A trama também tem pontos em comum com outras histórias de papai onde há cenas de julgamento, e principalmente com o fato de que o réu já é tratado como culpado das acusações e considerado “condenado” desde o início, sem chance alguma de defesa ou julgamento justo. A situação, que na vida real seria uma verdadeira tragédia, nas histórias em quadrinhos costuma ser bastante engraçada, especialmente porque o leitor sabe que o herói da história não pode, possivelmente, se dar tão mal assim.

A solução do mistério a respeito do rapto do Pateta está bem clara, já desde o primeiro quadrinho. Qualquer um, com um pouco de atenção e boa visão (e quem sabe uma lente de aumento, de preferência), será capaz de saber, imediatamente, quem o levou e para onde. É papai fazendo o leitor desatento de “pateta”, ou até quem sabe talvez deixando uma mensagem velada para as pessoas sempre lerem as letrinhas miúdas…

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Já em Patetópolis em si ainda não é proibido pensar, mas na verdade essa lei nem é necessária: lá ninguém parece ser muito inteligente, de qualquer maneira. A característica principal do povo da cidade parece ser a rejeição a “coisas modernas”, como fósforos, por exemplo. A cadeia sem paredes que também aparece na segunda história já está lá, e o Metralha 1313 faz uma pontinha como o “prisioneiro veterano”. O que ele revela ao seu colega de “cela” Pateta, em uma breve conversa corriqueira que pode parecer insignificante para o leitor, terá importância na hora de finalizar a história.

No final o caso que levou ao julgamento é irrelevante, a acusação não procede, não há testemunhas, e a história toda pode ser interpretada também como uma parábola sobre a tolice de se acreditar em difamações e calúnias, ou ter preconceito de alguém só porque ouviu falar algo negativo sobre a pessoa, por mais idôneo, confiável e convicto que o caluniador possa parecer.

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A participação do Gilberto na história me lembra também o ditado que diz que “a mentira tem asas, mas tem pernas curtas, e a verdade é uma velhinha que mora no fundo de um poço”. Esse conceito é baseado em uma antiga fábula, na qual se conta como a verdade pode demorar um pouco a se revelar, mas uma vez que ela consiga sair à luz, toda a mentira se torna inútil (perde as asas) e é logo neutralizada.

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Quem ainda não leu está convidado a ler minha biografia de papai, à espera de vocês nas melhores livrarias, não percam:

Marsupial: http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava

Comix: http://www.comix.com.br/product_info.php?products_id=23238

Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096

Monkix: http://www.monkix.com.br/serie-recordatorio/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-serie-recordatorio.html

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