Os Legionários Metralhas

A segunda história de papai na revista Almanaque Disney No. 126, de 1981, é mais uma da série dos “Metralhas através da história”, e também tem algo a ver com a cultura árabe.

Desta vez temos mais uma referência à Legião Estrangeira Francesa no Norte da África. Essa corporação, pelo menos nos livros de ficção, tinha a fama de aceitar voluntários de qualquer lugar do mundo, sem fazer perguntas nem pedir referências. Assim, todo tipo de pessoa podia ser encontrado em suas fileiras; de jovens idealistas a perigosos foragidos da justiça.

Este segundo caso é, sem dúvida, o desses antepassados dos Irmãos Metralha, que acabaram formando o seu próprio regimento dentro da Legião. Os adversários, como sempre, são os Tuaregues, aqui representados como uns gozadores malvados, que se divertem às custas dos Legionários. O nome do Xeque da vez, “Algoz Adhor”, não deixa dúvidas disso, e o de sua filha “Sherazzarad” é uma mistura do nome de Sherazade, heroína das Mil e Uma Noites e de “azarado”, que será sua vítima nesta trama.

Como sempre nesse tipo de história temos o uso de uma profusão de expressões em idioma francês, dos mais simples e óbvios, como pardon (perdão), que papai esperava que o leitor entendesse sem precisar de tradução, aos mais complexos, que necessitavam até mesmo de uma breve explicação do Vovô Metralha, como crapaudine, uma forma de castigo que podia ser desde um trote, como ter de limpar um piso com a língua, a uma forma de tortura, como deixar um legionário um dia inteiro amarrado sob o sol escaldante do deserto, sem água nem comida.

Metralhas legionarios

A menção ao Forte Zinderneuf nos coloca no Deserto do Saara e isso, juntamente com a esmeralda na tiara da filha do chefe dos Tuaregues, é uma referência ao filme de 1939 Beau Geste, que também é uma aventura com a temática da Legião Estrangeira contra os Tuaregues.

Já “cabeça de trapo” é uma expressão pejorativa que denota uma pessoa de pouca inteligência, numa alusão aos espantalhos usados nas lavouras da Europa, e também uma injúria étnica e religiosa que descreve todos os povos que usam turbantes, como muçulmanos e Sikhs. Mas como a proteção da cabeça contra o sol no deserto é uma necessidade real, muitos Legionários também usavam um lenço sob seus quepes, para proteger suas nucas. Assim, eles também poderiam ser classificados como “cabeças de trapo”.

Aqui papai faz outro uso da expressão, que também parece ser inspirado no filme Beau Geste, ou em obras similares da literatura:

Metralhas legionarios1

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