A Poltrona Do Vovô

História dos Irmãos Metralha, de 1979.

O Vovô está, digamos, “recolhido” à cadeia local, e os três irmãos estão se sentindo meio perdidos. Sem o mentor intelectual do bando para planejar os crimes nada dá certo, e até fome eles estão passando. Sobrou apenas a velha poltrona no meio da sala, aquela onde o velho Metralha senta para contar seus “causos” e histórias dos antepassados.

A solução encontrada, já que o Vovô deve passar uma boa temporada “em férias”, é vender a poltrona para comprar comida, pelo menos. O nome do negociante de móveis usados, Muki Rana, é obviamente um trocadilho com a palavra “muquirana”, sinônimo de avarento, pão duro, mão fechada.

Metralhas Poltrona

Até aí, tudo bem. Vender móveis usados não é crime. Aliás, é uma ação surpreendentemente “honesta” para os Metralhas. A única desonestidade, aqui, está em dispor da cadeira do Vovô sem a permissão dele, e por isso eles vão pagar caro, no final.

O caldo começa a engrossar quando, de volta ao esconderijo, eles se deparam com… o Vovô! E ele está à procura de sua poltrona, por um motivo muito simples: ele finalmente havia conseguido roubar um milhão do Tio Patinhas, e escondido tudo na bendita poltrona!

Metralhas Poltrona1

Em tempos antigos, quando nem todas as pessoas tinham conta em banco, acesso a serviços bancários, ou muito menos um cofre, o jeito era esconder qualquer economia que se conseguia fazer em lugares “criativos” da casa, para que nenhum engraçadinho fosse lá meter a mão. Alguns desses “poupadores” só se sentiam seguros se estivessem literalmente sentados (ou deitados) na grana. Assim, era comum que o dinheiro fosse escondido em colchões e poltronas, retirando-se um pouco do estofamento a cada vez, e substituindo pelo dinheiro que se queria guardar.

E como raramente os parentes ficavam sabendo do estratagema (afinal, isso era feito justamente para esconder dinheiro deles), casos em que os móveis velhos eram jogados fora, vendidos, ou pior, doados, sempre à revelia de seu dono, eram bastante comuns. Mas na verdade essa prática nunca foi abandonada, especialmente por pessoas mais velhas. Em 2009 houve um caso desses em Israel, e em 2013 um filme Irlandês foi feito sobre o mesmo tema.

O resto da graça da história está nos frenéticos esforços dos Metralhas para tentar recuperar a poltrona e seu precioso estofamento.

Interessante é como papai não dava ponto sem nó, até mesmo nos mínimos detalhes, quando era preciso “engatilhar” uma piada: confiando nos poderes de observação do leitor, papai coloca um letreiro na porta da loja do Muki Rana que faz menção, além de móveis, a roupas e brinquedos usados. Quando o Metralha aponta uma arma para ele, o comerciante, sem pestanejar, a identifica como um revólver de plástico e oferece 10 Cruzeiros por ela. É aí que o leitor entende o porquê da menção a brinquedos, e cai na risada. A piada já funcionaria sem esse detalhe, mas, com ele, ela fica duplamente mais engraçada.

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Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a ler minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias.

Marsupial: http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava

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Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096

Monkix: http://www.monkix.com.br/serie-recordatorio/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-serie-recordatorio.html

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