No Fundo Do Pantanal

História do Zé Carioca, de 1974.

Por um lado, a falta de uma “turma” mais desenvolvida para o Zé Carioca nos primeiros dois ou três anos da produção de papai (esta história foi escrita em 1973) limitava um pouco as histórias, mas por outro, deu ensejo a exercícios de imaginação bastante originais, como este. À medida que a turma do Zé foi se definindo melhor, esse tipo de aventura insólita foi se tornando cada vez menos frequente.

O Zé é contratado por um explorador de nome Champu Leão para ir com ele ao Pantanal de Mato Grosso procurar por um povo perdido. O nome do explorador é uma brincadeira com Champollion, considerado o “pai” da egiptologia, já que foi ele quem decifrou os hieróglifos egípcios. Pode-se dizer, inclusive, que esse modo de “escrever com desenhos” é um dos precursores dos quadrinhos.

De resto, esse “pantanal” está mais para “pântano”, mesmo… Quer dizer, na imaginação de papai, e para efeito cômico de quadrinhos, as áreas alagadas dessa região do Brasil são mostradas como sendo bem mais barrentas do que são na realidade. Mas enfim, esse barro todo é parte integrante da trama, e vai ter grande importância no desfecho da história.

ZC Pantanal

Mas o mais importante, aqui, é o esforço consciente de ambientar as aventuras do Zé no Brasil, já que as primeiras histórias do papagaio, produzidas no exterior, ou se passavam no Rio, ou em uma “Amazônia” mais folclórica do que real, ou em algum local meio tropical mas pouco definido. Contratado justamente para “abrasileirar” o Zé, papai se dedicou a fazer o nosso amigo emplumado viajar pelo país, representando cada local o mais fielmente possível, embora de modo bastante caricato, mais adequado aos quadrinhos de humor.

Já o tal povo perdido que o explorador foi procurar existe mesmo e vive dentro de uma caverna sob a lama, escondido debaixo de pedras ocas. Toda essa timidez tem um motivo: eles são muito, mas muito feios mesmo. Mas o pior não é isso. O pior é que eles mesmos se acham feios, apesar de sua visível boa índole, e isso faz muito mal à auto-estima deles. Isso não é admissível. Gente boa não pode ficar tão completamente mal assim em uma história Disney.

ZC Pantanal1

Mas o Zé também é boa praça, e não se furta de fazer alguns elogios bem educados por detrás de um sorriso meio amarelo. Seja como for isso era tudo o que esses seres carentes precisavam ouvir, e eles saberão ser gratos, eternamente gratos.

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