O Incorrigível

História de terror, publicada pela Editora Outubro em 1961.

A única indicação que tenho de que esta história é de papai é a anotação na lista de trabalho. Tenho somente as páginas soltas e meio roídas de rato, com o título da revista – Histórias Macabras -impresso no rodapé. Não sei o número da publicação, e tampouco aparece o nome do desenhista.

Os personagens são um pai e seu filho. O velho é um homem honesto, mas o filho é um ladrão incorrigível. O pai tenta várias vezes colocá-lo no caminho do bem, arranjar para ele um emprego, e até jura que corrigirá o rapaz de qualquer maneira, custe o que custar.

Mas o moço não quer saber de trabalho. Em todo caso, já que os assaltos violentos incomodam tanto ao velho e dão tantos problemas, como prisões e julgamentos, o moço resolve virar ladrão de túmulos. Parece ser o crime perfeito. Os mortos, pelo menos, não reagem. Ou será que reagem?

Esta é mais uma daquelas lendas urbanas moralizantes, que tentam manter o leitor no caminho do bem por meio do medo de algo sobrenatural que possa acontecer como “castigo divino”, quando a lei dos homens é falha.

Ela mexe com vários aspectos psicológicos das pessoas, como o respeito devido aos pais, por exemplo. Será que é preciso respeitar pai e mãe somente enquanto eles estão vivos? Muitas pessoas se vêem “livres” para fazer todas as barbaridades que sempre quiseram, mas que nunca tiveram coragem, quando finalmente falta a autoridade do pai.

Outro elemento é a separação da família. Quando a célula familiar se desintegra, quando os filhos perdem o contato com seus pais a ponto de não saberem se eles estão vivos ou mortos, todo tipo de horror pode acontecer. Tem inclusive algo a ver com Édipo: o homem que não sabe de onde vem, a que família pertence, é capaz de tudo, até matar o próprio pai e se casar com sua própria mãe.

Por último, temos o juramento. Promessa é dívida, é algo que reverbera pelo universo, chegando inclusive a ser uma dívida com Deus, ou pior, com o Diabo. As pessoas fazem juramentos por sua própria conta e risco, e por isso é melhor que prometam somente o que conseguirão cumprir, sob pena de virarem almas penadas após a morte.

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