Brincadeira Tem Hora!

História dos Irmãos Metralha, de 1980.

O Metralha Brincalhão foi criado no exterior, usado em uma história lá, e adotado por papai e usado por ele em mais uma história aqui. Assim, pode-se dizer com bastante convicção que metade das histórias em que esse personagem aparece foi feita no Brasil.

Palhaço do mal, ele divide seu tempo entre pegadinhas perpetradas contra seus próprios parentes e planos mirabolantes para assaltos ousados, como roubar a Caixa Forte do Tio Patinhas. Mas (eu já falei aqui que não existe plano perfeito? Então…) planos perfeitos não existem, especialmente em histórias em quadrinhos.

Metralha Brincalhao

Assim, como era comum nas composições de papai, depois da introdução do personagem em duas ou três páginas, a história continua com o plano indo bem até a metade do caminho. A partir desse ponto entra a parte na qual os vilões cometem um erro pequeno, mas bastante óbvio, especialmente colocado para que os leitores mais atentos percebam imediatamente e solucionem o mistério, ou pelo menos adivinhem o que vai acontecer.

Há também alguns trocadilhos, como “assaltimbancos”, usado para denotar “saltimbancos assaltantes”. A inspiração vem da tradição medieval dos Saltimbancos, e do teatro de rua que começou como somente mais um modo de se pedir esmolas antes de se tornar uma forma de arte e ser reconhecido como precursor do teatro como o conhecemos hoje.

Metralha Brincalhao1

O problema com apresentações de rua, e na verdade com qualquer coisa que distraia a atenção das pessoas em espaços abertos com pouca segurança, é justamente o perigo que existe de pessoas inescrupulosas se aproveitarem da situação para bater carteiras e cometer pequenos furtos.

Além dos ladrões oportunistas que até hoje circulam por feiras e praças, em tempos medievais muitas vezes os próprios artistas, que eram nômades, sempre em movimento de uma cidade a outra, não se contentavam com as esmolas dadas de boa vontade pelo público e “complementavam a renda” dessa maneira. Uma parte dos membros do grupo fazia uma apresentação que podia incluir música, malabarismo, show de palhaços ou teatro de bonecos, entre outras artes cênicas, enquanto outros circulavam entre o povo para roubar.

Por isso esses grupos tinham má fama, e eram frequentemente recebidos com sentimentos mistos nas cidades. Ao mesmo tempo em que forneciam um muito necessário entretenimento, eles não eram de confiança.

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2 opiniões sobre “Brincadeira Tem Hora!

  1. Essa história eu não lembro, mas me lembro de uma outra em que o Brincalhão infernizou tanto os primos que os Metralhas armaram para que ele fosse preso. No final, eles decidiram abrir um cofre que o Brincalhão levou e levaram um banho de piche; um deles concluiu que “O Brincalhão sempre ri por último”.

    • Interessante. A “practical joke” como forma de humor meio que caiu em desuso justamente porque só é engraçada para quem a aplica. Tanto quanto eu sei, só existem duas histórias para o Metralha Brincalhão: uma estrangeira, de 1978, e a de papai, em 1980. Pelo que vi, papai começou a dele do mesmo modo que a outra começa. Mas ele não usou o cofre de piche. Então essa que você cita só pode ser a outra. 🙂

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