El Metralhón

História dos Irmãos Metralha, de 1976.

Mais ou menos um ano antes de publicar “Los Bandoleros”, já comentada aqui, papai já brincava com o tema dos “Metralhas Bandoleiros”. Esta primeira versão do tema é uma trama bem mais simples do que a intrincada história posterior, mas não deixa de ser engraçada.

É uma história contada pelo Vovô Metralha, como a outra, e o 1313 está presente também aqui, mas seu papel será bem mais secundário. A “estrela” da vez é o antepassado do Intelectual, o chefe do bando.

Como sempre, o golpe parece perfeito, pelo menos a princípio: o bando entra nos vilarejos cantando e atirando para cima, aterroriza todo mundo, exige dinheiro para deixar a cidade em paz, e depois vai embora. Quando confrontados pela polícia, eles se fazem de inocentes e dizem que os tiros são apenas para inspirar o chefe, e que “receber dinheiro” não é crime. Mas convenientemente “se esquecem” de que fazer ameaças, mesmo que seja de forma velada, é crime sim.

Os nomes terminados em “ón”, do Metralhón e do Xerife “Trabucón”, um baixinho invocado que costuma carregar para todo lado uma espingarda que é maior do que ele próprio, são uma brincadeira com a percepção que os falantes do português têm do idioma espanhol. A primeira coisa que um brasileiro faz, ao “arriscar um portunhol”, é trocar o “ão” final das palavras pela sílaba acima citada, na (vã) esperança de soar mais autêntico.

Mas a brincadeira não para aqui, e é menos inocente do que pode parecer. O baixinho com o trabuco é também uma referência a uma antiga crença, (um preconceito muito malicioso, por sinal) de que homens baixinhos, e em especial anões, costumam ter “armas” grandes, se é que os senhores entendem o que eu quero dizer. Isso, aliás, demonstra o esforço que papai fazia para colocar, em suas histórias, alguma coisa para leitores de todas as idades. Essa é uma referência (e uma piada) que certamente escapará aos mais jovens e inocentes, mas não a quem já tem um pouco de experiência com as piadas que se conta(va) por aí.

El metralhon

Já uma das mais engraçadas piadas da história fica por conta do “coro” feito pelo burrico de El Metralhón, e da inversão das sílabas da “cantoria”, o que transforma os dois personagens em algo como “a imagem no espelho” um do outro. São dois burros. A diferença é que um tem quatro patas, e o outro não.

El metralhon1

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