O Mancha Cinzenta

História do Mancha Negra, de 1974.

Na história de hoje o Mancha Negra é tudo, menos o vilão. O problema é que ele não pode ser o herói, tampouco… Vai daí que a coisa acaba complicando consideravelmente para o lado dele.

A intenção expressa de papai sempre foi maltratar bandidos de todos os tipos o máximo possível, com especial “zelo” dedicado aos Irmãos Metralha. Mas ele também gostava de ridicularizar o Mancha, e tanto, que acabou se tornando bastante habilidoso nisso.

O problema é que não basta fazer o vilão se dar bem a história toda e depois o mandar para a cadeia no final, como nas novelas da TV. Isso não é dissuasão nenhuma, e só faz o espectador (ou o leitor, no nosso caso) achar que, se ele estivesse no lugar do bandido, se daria melhor, não cometeria erros, e daria um jeito de escapar.

Não importa se ele se deu mal no final, até mesmo porque ninguém sai deste mundo vivo, o que só cria uma glamourização e até mesmo um incentivo (talvez não intencional, mas incentivo do mesmo jeito) ao mau comportamento. Chegamos a um tal extremo dessa deturpação dos valores, que hoje em dia todo mundo sonha em poder viver como um vilão de novela. Assim, a solução é realmente passar a mensagem de que o crime não compensa em vários níveis, e tentar mostrar o vilão como o ser miseravelmente patético, ridículo mesmo, que ele realmente é.

Mancha Cinzenta

Desse modo, vemos que o Mancha, recém escapado da cadeia após o que parece ser um tempo bastante longo, já foi alegremente esquecido pela população de Patópolis (quem precisa se lembrar de coisas ruins, não é mesmo?). O problema é que há um novo “mancha”, um copy cat de cor cinza, que está tocando o terror na cidade em seu lugar, o que só faz aprofundar o esquecimento no qual o vilão caiu.

Mas, apesar do afã de eliminar a concorrência e retomar seu “posto” como pior bandido de Patópolis, ele só vai conseguir se humilhar ainda mais, para seu supremo desgosto e diversão do leitor. Ele passa por várias situações vexatórias durante a perseguição ao rival e até mesmo uma esmola é jogada na direção dele, em um de seus piores momentos na trama, só para reforçar a humilhação. Ele realmente não está com nada, hoje.

Mancha Cinzenta1

O nome “Mancha Cinzenta” me lembra um clássico dos Quadrinhos nacionais, “A Garra Cinzenta“, mas a referência para por aí.

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Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix 

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