O Fabuloso Anel Dos Sete Encantos

História da Família Pato, criada em 1973 e publicada pela primeira vez em 1977.

Logo se vê que esta é da primeira fase de papai pelo “aroma” de Carl Barks que emana das páginas: a história se inicia em um local exótico chamado “Faroquistão”, com um cenário que fica entre o árabe e o indiano. A partir daí a coisa toda vai se desenrolando até voltar a Patópolis.

Apesar de o Tio Patinhas ser o personagem principal, o Donald será a maior vítima do Anel e de seus Encantos. Sim, porque os Sete Gênios ativamente encantam a quem estiver com o anel no dedo, chegando até mesmo a possuir a pessoa, ou tomar a forma de sua vítima aos olhos de outras pessoas.

PD Anel

Ao que parece, é a vaidade de querer usar o anel que abre a brecha para a manifestação dos Gênios. O Patinhas passou 30 anos com ele, o comprou como investimento, mas nunca teve a tentação de colocá-lo no dedo e, assim, esteve esse tempo todo imune aos encantos do anel e alheio aos seus “ocupantes”. Tudo o que interessa a ele é o lucro pelo lucro, e não por vaidade.

Anéis mágicos são comuns em histórias de magia, misticismo e mitologias em geral. Assim como as lâmpadas e as garrafas, eles também podem abrigar gênios ou conceder grandes poderes aos seus usuários. Neste caso específico, as leis que o regem fazem com que ele ele seja totalmente inútil como investimento. Reza a lenda que a verdadeira magia (assim como a verdadeira espiritualidade e até mesmo algumas religiões, como o Espiritismo), não pode ser usada para o lucro ou o acúmulo de bens materiais.

PD Anel1

Esse, certamente, será o maior problema do Tio Patinhas nesta história, mas nada que o impeça de tentar lucrar com o anel a qualquer custo, até o final. Pobre pato rico.

A história é rica em nomes sugestivos: o psiquiatra se chama Dr. Omar Luko (maluco), o vigarista se chama Alvigh Arista, e há os gênios, é claro, cada um com seu nome que denota seu principal poder mágico.

Alguns desses nomes são mais fáceis de interpretar: Adivinhon (adivinhão), Trapalhon (trapalhão), Iluson (ilusão), Colericon (cólera, raiva) e Pilheron (pilhéria, zombaria). Se não me falha a memória, o Pilheron, de cor amarela, é mais uma caricatura do desenhista Acácio Ramos.

Outros dois têm nomes que demandam um pouco mais dos conhecimentos gerais do leitor: Rubicon é uma referência ao Rio Rubicão, na Itália. Pela lei antiga, todos os exércitos de Roma eram proibidos de atravessar o rio. Assim, um não invadiria a área do outro, e o equilíbrio político seria mantido. Mas Júlio César o atravessou com seu exército no ano 49 antes de Cristo e com isso deu início a uma guerra civil. Mais do que Colericon, que provoca a cólera em suas vítimas, Rubicon já vai partindo para a pancadaria e arrastando o dono do anel com ele.

Já Morfeon é uma referência a Morfeu, um dos deuses que regem o sono e os sonhos na Mitologia Grega. Seu poder é colocar o dono do anel para dormir e sonhar. Isso até pode ser uma coisa boa, mas não tem nenhuma utilidade prática. Nesta primeira história, ele é representado por papai como invisível. Já na do Zé Carioca, comentada ontem, ele tem um rosto e uma cor. Isso acontece porque, segundo o próprio Gênio verde Adivinhon, eles só são visíveis às pessoas se quiserem ser vistos.

O maior problema dos gênios, e é isso que os torna virtualmente inúteis, é que eles não se entendem entre si. Vivem brigando e atrapalhando uns aos outros, além de confundir terrivelmente o dono do anel, que fica como o proverbial cego no meio do tiroteio. Assim não há “amo” que aguente. Mas a sugestão da Margarida, no final, merecia mais uma história: o que faria o Gastão, afinal, de posse do anel? Será que sua sorte o protegeria, ou ele se daria tão mal quanto os outros?

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon

***************

Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores agBook

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s