A Visita do Juquinha – Inédita

História do Zé Carioca, composta em 14 de agosto de 1993.

Esta é, definitivamente, a última história escrita e rascunhada por papai para o universo Disney. Aqui termina a prolífica produção de quadrinhos de Ivan Saidenberg, no que talvez seja um final bastante apropriado.

Mas me adianto: vamos começar pelo começo. O “Juquinha” era um gatinho de pelagem cinza-chumbo que foi jogado no jardim do prédio onde nossa família morava em Yavne, Israel, e que eu peguei para cuidar. A pobre coisinha era tão novinha que ainda tinha os olhinhos fechados e um pedaço do cordão umbilical preso ao corpinho. Foi preciso tratar o bichinho na base da mamadeira e garrafa de água morna para que ele sobrevivesse, mas posso dizer, e com orgulho, que consegui salvar uma vidinha.

O único problema era que, pelo menos nas primeiras semanas, o bichinho acordava miando para mamar a cada duas horas, no máximo, não importava se era dia ou noite. Não foi um período fácil, mas valeu a pena, para mim e para ele, que acabou tendo a ideia para esta história.

Desconfio, aliás, que a “Prima Donna”, a mãe cantora de ópera que o Biquinho inventa para o seu alter Ego seja uma alusão a esta que vos escreve, e que sempre gostou de cantar em tons agudos. E há até quem diga que eu nem canto tão mal assim. (A verdade é que eu tento. Às vezes dá certo, e fica até bonito. Mas em outras vezes dá errado, e aí vira um desastre.) 😉

Só me incomoda um pouco a extrema falta de modos do Biquinho nesta história. O personagem está um pouco radical demais em comparação com a proposta original do personagem, e xinga bastante no decorrer das páginas. Ao que parece papai ficou mais irritado com os miados gatinho do que demonstrou na minha frente, e isso se refletiu na história.

A citação “de repente, não mais que de repente” que aparece no primeiro quadrinho vem de um poema de Vinícius de Moraes, o Soneto de Separação.

O truque usado pelos verdadeiros sobrinhos do Zé para capturar o intruso e obrigá-lo a tomar um banho remonta às antigas brincadeiras de crianças, e esse tema do “brincar de pirata” foi usado por papai muitas vezes ao longo dos anos, inclusive em histórias do Vovô Metralha, por exemplo mas não somente.

Por fim, o final “à altura”, radical e definitivo, com tudo indo pelos ares. Depois de uma explosão dessas, certamente haveria muitos cacos para juntar, talvez cacos demais. É o fim, da história, talvez até da Vila Xurupita, e da carreira de um brilhante quadrinista.

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