O Tapete Maravilha

História do Zé Carioca, escrita em 1972 e publicada pela primeira vez em 1974.

É interessante ver como a produção de papai evoluiu em apenas dois anos. Esta história é típica do comecinho da carreira dele na Abril, e é possível ver bem a diferença em relação às histórias que ele estava escrevendo e publicando em 1974-5. A necessidade de adicionar mais personagens às histórias, para que tudo não se resumisse à Rosinha, o pai dela e o Nestor, e antes da criação da turma da Vila Xurupita, acabou dando ensejo a algumas histórias bem diferentes.

Este é um exercício em livre associação de ideias com base nas histórias das Mil e Uma Noites. Ele começa associando a ideia de um tapete “maravilha” (ou seja, maravilhoso, no sentido de mágico) com a cor maravilha, que é um tom muito particular de rosa meio lilás puxado ao magenta e visto especialmente em certos tipos de flores.

maravilha

O tapete em questão acaba levando o Zé para a Terra das Mil e Uma Noites (e lá, pasmem, é sempre noite), onde o tempo parece passar de modo diferente, mais ou menos como na Terra do Nunca: tudo lá é contado em milhares de anos, e nem por isso os personagens parecem velhos.

zc-maravilha

A aventura segue um padrão que ficaria mais conhecido com o passar dos anos: o transporte para um lugar estranho por meio de um objeto maravilhoso (como em “A Cadeira Misteriosa”, outra história de 1972), as aventuras cheias de reviravoltas, riquezas conquistadas que não se pode trazer de lá e, por fim, a volta que parece com o despertar de um sonho e que poderia ser considerada apenas isso, se não fosse alguma evidência em contrário que, frequentemente, só o leitor atento percebe.

Outra coisa que se tornaria costumeira nas histórias de papai são as trocas de nomes, trocadilhos e cacófatos, os jogos de palavras tão criativos quanto engraçados. Assim, o Marajá é chamado pelo Zé de “maracujá”, e seu nome é Ali-Dadá, em uma referência a Ali Babá, o dos 40 ladrões.

O fio de que é feito o tapete, chamado Fio Maravilha, é referência à canção de Jorge Ben Jor de mesmo nome, lançada também em 1972 em homenagem ao jogador de futebol João Batista de Sales. Até o Aladim, aquele da Lâmpada Maravilhosa, faz uma pontinha de porteiro e empresta a lâmpada (e o gênio) ao Zé.

zc-maravilha1

Mas, a meu ver, a melhor sacada da história são os nomes palíndromos dos vilões gêmeos Ha-Gy e Y-Gah, o proprietário de um espelho mágico e sua imagem, respectivamente.

***************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s