Lampadinha Ou Lampiãozinho?

História do Professor Pardal de 1974.

O Professor Gavião, apesar de considerar a si mesmo um gênio tão inspirado quanto o Professor Pardal, não passa de mero copiador de inventos alheios (e roubados).

A coisa toda pode aliás ser comparada com os diversos tipos de artistas que existem por aí: há os verdadeiramente inspirados, que fazem coisas admiráveis, e há os que dominam a técnica, são até bons no que fazem, mas não sabem se soltar e realmente fluir com sua arte. (Há piores, é claro, os copiadores da arte alheia, e é entre o medíocre e a fraude que o Gavião gravita.)

O problema é que, se o artista “menos genial” não souber relaxar e se cobrar um pouco menos, ele pode realmente se tornar amargo e invejoso do trabalho alheio, sabotando a si mesmo no processo e se impedindo de mostrar o seu verdadeiro potencial.

O Gavião é como o cozinheiro que sabe seguir um livro de receitas e, com algum esforço, cozinhar perfeitamente um belo jantar. Mas ele também sabe que o resultado não é exatamente dele, mas sim de quem compôs aquela receita, coisa que ele não saberia fazer (ou não teria coragem de tentar).

É exatamente por isso que o plano do vilão é perfeito. Na verdade, é um pouco “perfeito demais”, e é por isso mesmo que o feitiço vai acabar virando contra o feiticeiro. O leitor atento perceberá imediatamente que o Gavião vai perder a parada de novo assim que vir os dois robozinhos juntos.

O tema das cópias malvadas/imperfeitas e defeitos do Lampadinha foi algo que papai usou várias vezes nas histórias do personagem, sempre de maneiras levemente diferentes mas igualmente hilárias.

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O Rajá De Blá-Blá-Blá

História do Superpateta, de 1983.

Esta história serve para demonstrar o quanto é importante saber falar mais do que um só idioma. Também mostra a utilidade de se ter um bom tradutor/intérprete à disposição quando é preciso lidar com idiomas estrangeiros.

No caso de hoje a participação do inteligentíssimo Gilberto, sobrinho do Pateta, que entende um pouco do idioma exótico em questão, será fundamental para a solução do mistério. Após conseguir traduzir um telegrama escrito em Blá-Blá-Blês, no qual o Rajá pede ajuda, ele se surpreende ao se ver de frente com quem se apresenta como sendo o monarca. Acreditando que o idioma é obscuro o suficiente para não ser compreendido por estrangeiros, o vilão se sente à vontade para enrolar a língua sem remorsos.

Para que não haja dúvida, mais uma sutil pista é deixada para o leitor atento por papai na página seguinte. Em momento de raiva, o “Rajá” até se esquece de que, um momento antes, “precisava” ter suas falas traduzidas por um assessor seu cúmplice.

A julgar pelo título de Rajá adotado pelo vilão, o suposto País de Blá-Blá-Blá, que fica no “Oriente”, faz parte da região da Índia.

Já o nome do idioma do lugar, “Blá-Blá-Blês”, me parece uma referência ao Javanês (da Ilha de Java, na Indonésia, que aliás não fica lá muito longe da Índia) e ao célebre conto de Lima Barreto chamado “O Homem que Sabia Javanês“, uma sátira que versa justamente sobre linguística e aprendizado de idiomas exóticos. O conto é curtinho, divertidíssimo, e eu recomendo a leitura.

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A Praia das Surpresas

História da Turma da Patrícia de Ely Barbosa, publicada pela Editora Abril em revista própria, número 12, em 1987.

Esta é uma variação sobre o tema da história do Zé Carioca intitulada “O Salva Vidas Boa Vida”, já comentada aqui. A turminha vai à praia mas o mar não está para peixe, começando com a violência das ondas, que insistem em jogar o Terremoto de volta à areia a cada vez que ele tenta surfar. É papai novamente revisitando a aventura traumática que teve no Rio de Janeiro, décadas antes.

Na verdade, tudo o que poderia dar errado acaba acontecendo. Por um lado, se fosse somente um dia agradável ao ar livre não haveria história. É preciso que haja algum problema para desafiar os personagens. Por outro, a trama representa um aviso às crianças para que tomem cuidado: por mais próxima de uma cidade que fique a praia, ela sempre será um ambiente potencialmente selvagem e cheio de perigos.

Finalmente, quando a turminha já está quase desistindo da aventura, um temporal chega de repente para acabar de vez com a festa. Está certo que sempre pode haver um contratempo ou dois em passeios desse tipo, mas será que não foi um pouco de azar demais?

A “surpresa” do título se justifica no desfecho, com a revelação do Sapo Urucubaca na cesta de piquenique.

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Vassoura Ao Molho Pardo

História das bruxas, escrita e publicada em 1974.

Esta é mais uma daquelas histórias geniais que foram, sabe-se lá por quê, publicadas no Brasil uma única vez. Isso é uma pena, mais gente deveria ter a oportunidade de ler esta pequena joia.

A trama se baseia, todinha, desde o início e até o final, em sutilezas. Toda a discussão entre as bruxas na segunda página é cuidadosamente composta para fazer com que as duas percam a aposta. Pois é, isso é possível.

O plano é muito bem bolado, como todos os planos de papai para seus bandidos, e o uso liberal de magia certamente é uma vantagem para eles. Mas, como sempre, haverá uma falha fundamental. Falha essa que, hoje, tem mais a ver com o fato de que não existe honra entre ladrões – e bruxas, também – (não vamos nos esquecer que todos os personagens principais são vilões) do que com qualquer outro fator.

A referência a “molho pardo”, como eu já mencionei neste blog, se dá porque este era o prato mais repugnante que papai conhecia. É a punição suprema às bruxas.

Já os Metralhas, desta vez, vão ficar sem uma punição mais séria porque eles afinal foram, para todos os efeitos, sequestrados e usados pelas bruxas para um plano que nem era deles.

Aviso aos navegantes:

Não, este blog não lida com autocríticas. Muito pelo contrário, e isto é intencional, como vocês já devem ter percebido. Já existe gente de alma pequena o suficiente para tentar criticar, colocar para baixo e esquecer, algumas vezes intencionalmente, o trabalho de um artista genial (e de seus colegas desenhistas e outros argumentistas, tão geniais quanto), como se não bastasse o fato de que eram todos anônimos no início por força de contrato.

Então poupem os pomposos e arrogantes dedinhos de digitar abobrinhas rebuscadas. Eu sei o que eu estou fazendo, e as reações positivas dos fãs da Disney em geral nas redes sociais certamente não me deixam esquecer de que este blog é, sim, necessário e que estamos, todos nós, fãs de quadrinhos, no caminho certo.

Os cães ladram e a caravana passa. Tenho dito.

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Biquinhoboy, Meu Tesouro!

História do Pena das Selvas, de 1984.

Esta é a história de apresentação do personagem Biquinhoboy, criado por papai para ser um alter-Ego do Biquinho na turma da selva, do mesmo modo que o Biquinho participa das histórias do Peninha.

A diferença é que o Biquinhoboy é um adotado do Pena das Selvas, e não exatamente um sobrinho. É a coisa mais próxima de um filho que se vê em histórias Disney.

Considerando que o Pena das Selvas é uma mistura de Jim das Selvas com Tarzan, o Biquinhoboy é inspirado no filme “Tarzan e o Menino das Selvas” de 1968. Aliás, o próprio Biquinho é um patinho abandonado que foi criado por porcos-espinho, em alusão ao Mogli, criado por lobos, e ao próprio Tarzan, criado por macacos. Além disso, a menção a “meu tesouro” no título da história é uma alusão à história do Biquinho chamada “É a Fase”, de 1982, já comentada aqui.

O resto da história são sátiras dos antigos filmes de heróis da selva, juntamente com menções à cultura popular (na primeira página o Biquinhoboy está batucando “bum bum paticumbum prugurundum”, em uma referência a um samba-enredo da Império Serrano do ano de 1982) e até mesmo lembranças das brincadeiras de infância.

Quando as crianças se juntavam para brincar de mocinho e bandido, forte apache ou mesmo de aventura na selva, era comum que um “chefe” da brincadeira começasse a mencionar “leis” para a atividade, que geralmente eram inventadas na hora, à medida que a coisa toda ia se desenrolando, em um esforço de usar os outros para ganhar alguma vantagem.

Mas é claro que nem sempre os outros participantes da brincadeira aceitavam a tudo em silêncio, e acabavam encontrando maneiras de virar essas “leis” em favor de si mesmos.

As menções a Mbonga (Tarzan) e a Guran (Fantasma) servem para adicionar referências e também para dar pistas sobre que tipos de livros as crianças dos tempos de papai liam para depois ir brincar de faz de conta.

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As Aventuras De Pen-Hur

História do Peninha, de 1984.

Também poderia facilmente se chamar “As Desventuras de Pen Hur”, pela quantidade de encrencas pelas quais o herói terá de passar, mas “Aventuras” também está ótimo.

A inspiração vem do clássico filme “Ben Hur”, de 1959, estrelado por Charlton Heston. Juntamente com “Cleópatra” e outros do gênero, este foi um daqueles filmes épicos que marcaram várias gerações, chegando aos anos 1970 e 1980 ainda com a mesma fama e capacidade de cativar os espectadores.

A trama de papai como de costume consegue transformar um grande drama em uma comédia, mas ainda assim é razoavelmente fiel ao original. Quem conhecer a história do filme e ler a HQ, ou, ao contrário, ler a HQ e depois for ver o filme, certamente reconhecerá boa parte da história.

Os nomes dos personagens são todos adaptados, é claro, para um maior efeito cômico. Assim, o centurião Messala, principal vilão da história vira “Xatus Pacas”, por motivos óbvios, e o “centurião bom”, de nome Arrios, acaba virando “Arrius Equus”, em uma brincadeira com a expressão “arre, égua” e uma alusão ao amor dos romanos antigos por seus cavalos.

Alguns elementos são mantidos, como a mocinha por quem o herói é apaixonado sendo prometida contra a vontade a outro, as galés e a corrida de bigas, pontos fortes do filme. Outros elementos são atenuados, como a tentativa de suicídio do centurião bonzinho, que vira um acidente de quase afogamento no mar, e ainda outros são totalmente eliminados, como a existência da mãe e da irmã do herói, a doença delas e as referências ao Cristianismo. Essas partes mais trágicas e religiosas não “cabem” no estilo da Disney nem no número de páginas proposto para as histórias.

Como sempre, é um bom ponto de partida para que o leitor vá pesquisar mais um pouco, e de preferência ler um livro ou assistir a um filme ou dois.

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O Rei da Bateria

História do Gordo, de Ely Barbosa, publicada pela Editora Abril na revista número 11 do personagem, em 1987.

A lista de trabalho nos mostra que o que vemos na revista é a quarta versão da história, que foi devolvida para reformulação algumas vezes. Mas papai não era de desistir facilmente de uma boa ideia, e continuou tentando até fazer algo ao agrado do editor. O leitor, é claro, agradece.

Toda banda de rock já começou fazendo só barulho, e música é o tipo de coisa que só se aprende a fazer fazendo. Mas até o candidato a músico conseguir fazer uma arte que se apresente, o som que ele vai produzir pode não ser nada agradável.

Em compensação, a definição de “arte” pode ser bastante flexível, especialmente se o aprendiz for uma criança:

Boa parte da trama estará relacionada essa busca do Gordo e sua turma pelo local ideal para ensaiar sem desagradar aos vizinhos, com aventuras e desventuras pelo caminho, até o simpático desfecho, que justifica o nome da história quando o personagem principal encontra finalmente um velho galpão abandonado e sem vizinhos para ensaiar.

Afinal de contas, a definição de “bateria” também pode variar bastante.

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