Sob O Signo Da Trapalhada

História do Peninha, de 1980.

De sete histórias inéditas brasileiras (todas ótimas, por sinal) publicadas originalmente na Edição Extra Peninha número 110, de 1980, esta é a quarta e última de papai. Decididamente, aqueles eram bons tempos, uma verdadeira era de ouro.

Alimentar um saudável ceticismo sobre todas as coisas, evitando a credulidade excessiva, é sempre algo bom. Em todo caso, ser incrédulo demais pode não fazer de você um cientista, ou um intelectual, mas sim um chato de galochas. A capacidade de se maravilhar com os mistérios do universo, tanto físicos como espirituais, é sinal de uma mente saudável.

Isso tendo sido dito, se existisse realmente um “signo da trapalhada”, o Peninha seria nascido sob ele, com toda certeza. É essa, sem sombra de dúvida, a especialidade do pato. Já o Donald hoje fará o papel do total incrédulo, mas é claro que isso não vai evitar a confusão, já que os crédulos estão em maioria.

Mesmo ele tendo feito um daqueles cursos rápidos que são a marca registrada do Peninha e de todo charlatão auto-iludido que se preze, não há dúvida nenhuma na mente do leitor de que nada que o pato possa prever valha algo. Especialmente porque o leitor atento já terá notado um detalhe, desde o primeiro quadrinho, que não deixará dúvida alguma sobre a eficácia (ou não) do método astrológico do adivinhão.

Em todo caso, desde 1925 se tem notícia de uma 13ª constelação que poderia (ou não) ser usada para constituir um décimo terceiro signo do Zodíaco e cujo uso certamente causaria uma tremenda confusão, se fosse realmente adotado. Com sua vasta cultura geral, papai certamente devia saber algo sobre esta polêmica.

Ele não era totalmente cético nem crédulo, mas gostava de entreter a ideia de que (parafraseando a Shakespeare) há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia. Afinal, ele costumava me dizer, se não tivesse nenhuma utilidade para as pessoas a Astrologia já teria caído em desuso há muito tempo, a exemplo de outras práticas divinatórias e mágicas que ninguém usa mais.

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