Em Briga De Cão E Gato… Não Entra Pato!

História do Pato Donald, de 1981.

Esse encantamento de certos brasileiros com raças de cães grandes e ferozes não é recente. Isso se dá por vários motivos, desde uma real necessidade por segurança, e até pelo Ego inflado de gente que projeta no cão toda a sua frustração e covardia diante da vida, e usa o animal para ameaçar e agredir os vizinhos.

A história (da carochinha, na maioria das vezes) que donos e criadores contam sobre essas feras também é sempre a mesma: eles seriam na verdade até dóceis, muito adaptáveis e amigos de criancinhas. O que os tornaria violentos seria alguma falha no treinamento das feras. O problema é que eu nunca vi um dono de cachorro bravo que seja capaz de reconhecer que não faz ideia de como se treina um cão. Já que contratar um profissional é coisa cara, pessoas comuns se valem de manuais e dicas da internet, e se expõem a riscos.

Muitas dessas raças, como o “queridinho” Pit Bull ou o Rottweiler (originalmente criadas para caçar ursos e outros animais selvagens) são banidas em vários lugares do mundo por serem cães perigosos demais para ter em casa. Nessa lista, ailás, está incluído o próprio Cão de Fila, do qual trata esta história.

É uma raça criada no Brasil desde os tempos coloniais pelo cruzamento de outras raças grandes e perigosas, como Mastiffs e Buldogues, e usado para caçar onças e escravos fugidos. Sim, houve um tempo em que gente era caçada como se fosse bicho, por aqui, e isso não pode ser esquecido (para que não aconteça de novo, de preferência).

Outra parte do folclore do Cão Fila no Brasil foi uma série de enigmáticas pichações que começaram a aparecer nos anos 1970 em tudo quanto era lugar no Estado de São Paulo: “Cão Fila Km 26“. Só isso, sem mais nenhuma informação.

Por ser a época da ditadura militar muita gente pensou que poderia haver muita coisa por trás das mensagens, e a notícia (e também as pichações, feitas por todo tipo de gaiato) começou a se espalhar pelo país todo, virando uma verdadeira “febre”. Dizem os pichadores atuais que isso foi o começo do “pixo” no Brasil, e eu diria que foi também precursor dos memes, muitos anos antes da Internet.

Mas hoje a provocação é com o Ronrom que, diga-se de passagem, estava quieto no canto dele quando o Silva chegou com o monstro canino em um caminhão. Papai deixa claro que a intenção do vizinho chato é essa mesma: ao colocar a vida do Ronrom em risco, ele está também intimidando ao Donald e a seus sobrinhos.

Gente, isso não se faz. Mas enfim, pessoas que precisam usar um cão feroz para se afirmar e causar medo (que elas confundem com respeito) nos outros não é realmente gente.

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