Palavra e Traço – Junho de 1980

Se já houvesse internet nos anos 1980, este material seria, muito provavelmente, um blog. Com seu afiado senso crítico, papai comentava um pouco de tudo, de política e políticos a arte e cultura, entremeando aqui e ali com textos muito pessoais e até poéticos, sempre baseado nas últimas notícias e tendências da época.

Algumas destas colunas – publicadas originalmente no “Jornal de Hoje”, de Campinas/SP – são francamente satíricas, outras são terrivelmente irônicas. Muitas delas poderiam terminar com um internético e retumbante “#SQN”, enquanto algumas são gravemente sérias. Parte das situações e problemas aqui descritos parecerão ao leitor bastante surreais. Outros serão perturbadoramente familiares.

02/06/1980 – O Cego Cantadô Volta a Cantar

Inimigos do povo, tremei! De viola em punho, o Cego Cantado, mais conhecido como “a voz que clama no sertão”, voltou a cantar assim:

Acreditei numa conversa mole, ah,
Pensei que o mundo ia se acabá…
Roldão Mangueira foi quem profetizô,
E o tar do mundo num se acabô.
Olhando o mundo, agora, face a face,
Oxente, eu preferia que se acabasse!
A gasolina foi pra 30 pau, ah,
E a inflação, de novo, vai estourá…
É o fim do mundo, o povo já falô,
E o tar do mundo não se acabô.
Se o César Cals pro futuro olhasse,
Oxente, preferiria que se acabasse!
O leite “C”já num existe mais, ah,
E o outro num dá mais para comprá…
É o fim do mundo, uma mãe gritô,
E o tar do mundo num se acabô.
Se o Camillo Pena pras criança olhasse,
Oxente, de pena, ia quere que acabasse!
A dívida externa já estoro, ah,
Essa daí num dá mais pra segurá…
É o fim do mundo, um dotô gritô,
E o tar do mundo num se acabô.
Se o Delfim Neto pro Brasí olhasse,
Oxente, rezaria pra que acabasse!
A tar democracia inda não veio, ah,
E neste ano ninguém mais vai votá…
É o fim do mundo, o eleitô falô,
E o tar do mundo num se acabô.
Se o Figueiredo do meu voto precisasse,
Oxente, seria o mesmo que o mundo acabasse!

03/06/1980 – Loteria Esportiva

A semana é das mais difíceis, mas assim mesmo vamos dar nossos palpites sobre os jogos a serem disputados, pedindo licença ao Walter do Valle:

JOGO 1 – DELFIM X INFLAÇÃO – Jogo duro, de difícil prognóstico. Delfim jura que vence a Inflação, mas pode ser arrasado por ela. Delfim joga na retranca, mas a Inflação vem com tudo e não está fácil de segurar. – TRIPLO

JOGO 2 – MURILLO X LULA – Já se enfrentaram em duas oportunidades. No primeiro jogo Lula ganhou fácil; no segundo, foi expulso de (S. Bernardo do) campo, após o juiz ter apitado um impedimento duvidoso. – COLUNA DOIS – ZEE-BRA!

JOGO 3 – MALUF X S. PAULO – Maluf está com a corda toda, atacando e furando as barreiras, não respeitando nem mesmo as regras do jogo. S. Paulo, todavia, não é de se deixar vencer facilmente e vai encarar Maluf até o fim. – COLUNA DOIS

JOGO 4 – ABERTURA X LINHA DURA – O técnico João Figueiredo prometeu levar a Abertura até a vitória final. Todavia, a turma da Linha Dura joga retrancada e vai tentar vencer no contra-ataque. – COLUNA UM

JOGO 5 – TUBARÃO X POVÃO – Povão vem sofrendo muito nas mãos do Tubarão, de dezesseis anos para cá. Apesar dos esforços, Povão não ganha uma. – COLUNA UM, FÁCIL

JOGO 6 – ELEIÇÂO X PRORROGAÇÃO – Essa disputa vem se estendendo demais. Eleição deveria vencer na cabeça, mas, por baixo do pano, há muitos interessados na vitória da Prorrogação. Um jogo sujo, com risco de intervenção. COLUNAS UM E DOIS – Pois empate é impossível.

JOGO 7 – POLÍCIA X LADRÃO – Polícia está bem armado, mas Ladrão costuma atacar de surpresa. Apesar de muitos esforços da Polícia, nos últimos tempos Ladrão tem vencido quase todas as partidas. – COLUNA DOIS – Pois Ladrão ganha até no apito.

JOGO 8 – CARRO X GASOLINA – Carro é muito veloz, mas Gasolina está a toda e não dá mais pra segurar. Carro vai acabar parado em campo. – COLUNA DOIS.

JOGO 9 – LEITE X CRIANÇA – Criança ainda tem muito a aprender e Leite é assessorado por técnicos internacionais. Coitada da Criança… – COLUNA UM.

JOGO 10 – CUSTO DE VIDA X SALÁRIO – Salário anda em baixa, esmagado, sem valor algum. Custo de Vida está com a bola toda. – COLUNA UM, FÁCIL.

JOGO 11 – ARCOVERDE X PÓLIO – Arcoverde perdeu, recentemente, seu maior auxiliar, Sabin, por puro desleixo. Pólio é sorrateira e vem crescendo, apesar das estatísticas falhas desde 1970. COLUNA DOIS – Infelizmente…

JOGO 12 – FEIJÃO X BOCA DO POVO –            Feijão anda sumido e parece que nem vai entrar em campo, tão cedo. Boca do Povo está sempre aberta, mas ali só entra mosca. – ESTE VAI PRA SORTEIO -TRIPLO

JOGO 13 – SITUAÇÃO X OPOSIÇÃO – Situação costuma ganhar no apito; quando a coisa aperta, apela para um pacote de reformas e muda as regras do jogo. Oposição, apesar de dividida, está cada vez mais forte, de vento em popa. É bem possível que este jogo seja adiado por dois anos, mas vai dar COLUNA DOIS! É ZEBRAAA!

04/06/1980 – O Cavaleiro do Céu – 1

O Cego Cantadô agora está dando uma de profeta e fazendo moda sobre o fim do mundo, depois que o Roldão Mangueira afirmou que um novo dilúvio ia destruir a humanidade… há poucos dias, eu escutei esta modinha:

Eu vi descê do céu um cavaleiro,
Montado num cavalo ajaezado,
Atrás dele vinha, bem ligeiro,
Um bando, do inferno despejado…
Oxente, eu pensei aqui pra mim,
É siná de que o mundo tá no fim!
Eu vi sofrê o povo brasileiro,
Cansado de sê tanto explorado,
Sobre ele vinha os estrangeiro,
Um bando de ladrão endinheirado…
Oxente, eu pensei aqui pra mim,
É siná de que o mundo tá no fim!
Eu vi um ladrão sorrindo, bem fagueiro,
Num trono muito arto assentado,
Junto dele, nadando no dinheiro,
Um bando de político safado…
Oxente, eu disse, oiando pro Salim,
E siná de que o mundo tá no fim!
Eu vi um ministro, todo galhofeiro.
Rindo muito dos assalariado,
Junto dele, um gordo prazenteiro,
E um bando de privilegiado…
Oxente, eu disse, oiando pro Delfim,
É siná de que o mundo tá no fim!
Se o fim do mundo é causo verdadeiro,
Tem político que já tá inté conformado,
Que se acabe em barranco, bem ligeiro,
Que é pra mode deles morrê encostado…
Oxente, eu falei aqui pra mim,
É siná de que tá mermo no fim!

OBS: Em terra de vidente, quem não tem olhos enxerga mais do que outros.

05/06/1980 – Cantinho do Sucesso

Hoje, com a música

Mais uma Vez

Quando eu votei pela primeira vez
Tudo era poesia…
A juventude andava em nossos corpos,
Tinha democracia.
E eu votei como um menino pode votar,
E me perdi em sonhos…
Quando a democracia foi embora, eu chorei
Como um menino sabe chorar
Quando eu votei pela segunda vez,
Já era um homem feito…
E no meu voto elegi alguém,
Com todos os defeitos.
E eu avistei,
Como um adulto sabe enxergar,
A dura realidade…
Quando o Al-5 chegou, eu chorei
Como um homem não deve chorar.
Quando a “Abertura”, revivendo as lembranças,
Me fez sentir um resto de esperança,
João passou pela rua,
E o passado voltou
A lembrar os meus votos…
Mais uma vez eu sonhei
E lembrei de uma urna,
Linda e aberta aos meus braços.
Quase que eu acreditei, veja você.
Mas… olhei pros jornais
E parei os meus passos.
E, de tanta tristeza, percebi
Que este ano ninguém vai votar..

07/06/1980 – Há 16 Anos

“Atenção jovens que estão completando 18 anos: se lhes disserem que isto é uma urna, não acreditem!”

O velho Casimiro de Abreu que me desculpe, mas resolvi parodiar descaradamente, a poesia dele:

Oh, que saudades que tenho
Do tempo em que se comia,
Em que havia democracia,
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naqueles tempos fagueiros,
Em que todos os brasileiros
Eram felizes demais!
Como eram belos os dias
Da minha adolescência:
Acreditava, com inocência,
Que meu País era o melhor;
O povo – um povo sereno,
O voto – um direito sagrado,
O político – um homem honrado,
O Brasil – um hino de amor!
Que sambas, que gols, que vida,
Que noites de melodia,
Que linda a democracia,
Como era belo votar!
Como eu achava belas
As urnas, de votos cheias,
Em vez dessa coisa feia
De mandatos a prorrogar!
Oh, dias da adolescência:
Oh, como havia decência!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Onde só vejo malícias,
E promessas fictícias
De que se vota amanhã!
Livre eleitor, nas campanhas,
Eu via, bem satisfeito,
De camisa aberta ao peito
– Pés descalços, mesmo assim –
O povo aqui de Campinas
Às voltas com o voto livre,
Em vez de correr, ligeiro,
Para apupar o Salim!
Naqueles tempos ditosos
Em vez de chorar as pitangas,
O governo arregaçava as mangas
E a gente podia votar;
Sem Delfim, Ave-Maria,
Como o Brasil era lindo!
Eu escolhia, sorrindo,
Quem ia nos governar!
Oh, que saudades que tenho
Do tempo em que se comia,
Em que havia democracia,
Que os anos não trazem mais:
Que amor, que sonhos, que flores,
Naqueles tempos fagueiros.
Em que todos os brasileiros
Eram felizes demais!

17/06/1980 – Hora da saudade

“BLOCO NA RUA” (OU, VOTO NA URNA)

Há quem diga
Que vai ser uma briga…
Quem dormiu de touca,
Quem marcou bobeira.
Quem falou besteira
Vai se estrepar!
Há quem diga
Que não é de nada…
Quem é da oposição.
Ou contra o governo,
E que este ano
Não vai ter eleição!
Eu quero é botar
Meu voto na urna,
Votar, votar pra valer…
Eu quero é botar
Meu voto na urna.
Mostrar quem deve vencer!
Há quem diga
Que não é nada disso…
Que o homem tá um ouriço.
Que um pouco menos disso
E um pouco mais daquilo
Vai matar de medo
A oposição!
Há quem diga
Que o troço tá ruço…
Que, a cada discurso,
Vai sair cadeia;
Que a coisa tá feia,
E o pleito vai virar
Pura intervenção!
Eu quero é botar
Meu voto na urna.
Votar, votar pra valer…
Eu quero é botar
Meu voto na urna.
Mostrar, do povo, o poder!

18/06/1980 – O Barrigudinho

Alice atravessou o espelho de sua casa e foi parar na Casa do Espelho. Como foi que isso aconteceu, perguntem ao Lewis Carroll, se ele baixar em algum centro por aí. O fato é que, lá chegando, ela encontrou um ovo sentado num muro, fazendo cálculos.

O ovo era o ministro da Falta de Planejamento da Casa do Espelho e se chamava professor Antoninho, mas era mais conhecido como “O Barrigudinho”, graças a sua obesidade, resultado de muita comilança ás custas do povo.

Ao ver a menina, o Barrigudinho disse: “Estúpida criança da plebe, quanto é 365 mais 1?” Ao que Atice respondeu, prontamente: “366, é óbvio!” O Barrigudinho abriu um largo sorriso (cínico) e falou: “Errado, garotinha tola! 365 mais 1 é igual a 364!”

Aquilo era a maior tolice que a jovem Alice já escutara na vida (e olhem que ela estava acostumada a escutar baboseiras na TV, todo dia…). “Que espécie de cálculo é esse que o senhor está fazendo, seu ovo maluco?” – perguntou a menina, já queimada. Impávido, o Barrigudinho redarguiu: “Estou apenas calculando o Índice de inflação deste ano, na Casa do Espelho!”

– “Pelo que vejo, a inflação deve estar muito alta” – disse Alice – “pois 365% ao ano é inflação de derrubar qualquer um!” Mas o Barrigudinho soltou uma gargalhada e acrescentou: “Já percebi que você não entende nada de números e nem do que ocorre na Casa do Espelho! Aqui é tudo ao contrário, posto que o espelho reflete uma imagem invertida da realidade!”

Até que tinha lógica essa tolice, foi o que pensou a menina, uma vez que as tolices ditas pelos ministros (em geral) costumam soar como verdades, por algum tempo. Mas o Barrigudinho cortou o raciocínio da garota, dizendo: “Como pode perceber, obscura criança, nossa inflação atinge o índice de 1% ao dia… reduzindo-se essa cifra do total do dia anterior, chegaremos ao fim do ano com uma inflação de, precisamente, zero por cento!”

Alice já estava maravilhada com a sabedoria do ministro (o negócio dele era números), quando um grande estrondo sacudiu a Casa do Espelho… Era o povo, que estava promovendo uma passeata-monstro contra o custo de vida, e contra a falta de vergonha dos governantes daquele país!

Ao ver o povo, que surgia de todos os lados, com faixas e cartazes, e gritando palavras de ordem, exigindo democracia plena e total direito de escolha de seus governantes, o Barrigudinho levou um tremendo susto e… CATAPRUM! – caiu do muro! E foi assim que surgiu a famosa poesia popular, que diz:

“O Barrigudinho sentou-se no muro,
O Barrigudinho caiu no chão duro.
E nem todos os homens do rei, e talvez
Todos os seus cavalos, poderão
Colocá-lo ali outra vez!”

21/06/1980 – É a glória! É a glória!

Durante os últimos 23 anos tenho escrito histórias em quadrinhos para adultos e crianças, sendo que, nos últimos nove, trabalhei com exclusividade para os estúdios Disney no Brasil, na Editora Abril. Nesse período, criei mais de 2000 argumentos para histórias em quadrinhos, a maioria dos quais foram distribuídos para o mundo todo, exceto alguns países socialistas, e traduzidos para quase todas as línguas que existem.

Todavia, somente de seis meses para cá, colaborando com o Jornal de Hoje, é que tive a oportunidade de desenhar e redigir uma coluna assinando meu próprio nome, o que foi motivo, para mim, de imensa satisfação. Foi assim que, com o aparecimento da coluna “PALAVRA E TRAÇO”, passei a tomar um contato pessoal maior com o público leitor, especialmente com o maravilhoso público de Campinas, terra onde só não nasci por acaso e que me viu crescer; onde frequentei a primeira sala de aula (no G.E. Orozimbo Maia) e fiz o curso secundário (no CE. Culto à Ciência).

A partir de hoje, com imensa alegria, passo a ter minha coluna publicada na página dois do JH, a página nobre, ao lado de jornalistas de gabarito internacional como José Hamilton Ribeiro, Roberto Godoy e Zaiman de Brito Franco, o que, por si só, já é uma imensa honra. Entretanto, a data de hoje tem, para mim, mais um significado especial: foi exatamente há 8 anos, em junho de 1972, que criei para os estúdios Disney aquele que considero o meu personagem favorito: o Morcego Vermelho, que teve suas primeiras aventuras publicadas no ano seguinte, numa edição especial que bateu todos os recordes de vendagem até então, tendo sido lida por (segundo estimativas) mais de dois milhões de amantes das histórias em quadrinhos, tanto crianças como adultos e adolescentes.

Isso, só no Brasil. Posteriormente, com a distribuição para outros países do mundo, impossível seria dizer quantas crianças (de todas as idades) já riram das bobagens que escrevo. Assim, escolhi a figura original da capa da 1ª edição para ilustrar esta coluna de hoje. Sinto-me profundamente feliz. Como diria o Morcego Vermelho: – “É a glória! É a glória!”.

29/06/1980 – O Povão Misterioso

Quem não se lembra da música Pavão Mysteriozo, de Ednardo? Só que agora ela está sendo cantada de um modo um pouco diferente:

Povão misterioso
Triste e andrajoso,
Tudo é mistério Nesse teu penar…
Ai, se eu vivesse assim.
Aturando o Salim,
Muita b… eu tinha
Pra atirar!
Povão misterioso,
Antes que o poço seque,
Te livres do moleque
Que quer te estrepar…
Não deixes que o gordinho
Te leve no biquinho,
E as taxas de inflação
Queira alterar!
Povão misterioso
Que vives de teimoso,
No escuro dessa noite
Tens é de lutar…
Exige os teus direitos,
De votar na eleição,
Desmancha isso tudo
Que não é certo não!
Povão misterioso,
Não fiques temeroso,
Se um xeque raivoso
Tentar te intimidar…
Não temas ver tua terra
Esmagada nesta guerra,
Eles são muitos
Mas não podem te calar!

30/06/1980 – O Xá está na miséria!

Quem diria? O ex-xá do Irã, Rheza Pahlevi, que roubou bilhões de dólares do povo daquele país, e cuja extradição vem sido pedida (juntamente com o ouro e jóias roubadas) pelo Aiatolá Raoulah Komeini, esta na miséria.

Pelo menos, foi o que atestou o delegado de policia de Timon (MA), José Maria Barbosa de Andrade, que ficou famoso (ou famigerado?) quando obrigou o jornalista Carlos Dias, de Teresina (PI), a engolir sem água um exemplar de jornal, onde o delegado era duramente criticado pelo jornalista.

Carlos Dias, redator de “O Estado”, de Teresina, diante de tamanho desrespeito aos seus direitos humanos, à liberdade de imprensa e à lei em geral, devolveu na mesma moeda: solicitou um “atestado de pobreza” ao delegado timonense (ou timoneiro?), em nome do ex-xá do Irã, para provar que a nossa policia esta muito mal-servida de elementos capacitados e que o delegado era semi-analfabeta. Eis o teor do atestado:

“Atesto, para fins eleitorais, que o ex-chá do Ira, Reza Parleve, filho de Nordino Rá Parleve e de Naghir Parleve, residente nesta cidade, a Rua Odilio Costa, n° 154, é pessoa reconhecidamente pobre” (sic). Segue-se a assinatura do delegado José Maria Barbosa de Andrade, com timbre da policia de Timon e tudo o mais que a lei exige nesses casos.

O delegado timonense (ou timoneano?) não pode negar a assinatura no documento, e nem pediu a algum juiz que se lhe negasse a validade. Ele disse a repórteres, que o entrevistaram, que assim o fez “porque a lei me dá esse direito”. Ao ser informado, pelos repórteres, de que o suposto “miserável” se tratava de um homens mais ricos do mundo, exclamou: – “Eu pensei que fosse mais um miserável que precisasse de documento para se alistar, e como não quero brigar com políticos, nessa época de abertura, dei logo”.

Estão vendo só? Antes da “abertura”, político não valia nada. Agora, até delegado está com medo de político, dando logo tudo o que for pedido. Será que isso representa, de fato, um aumento de poder do Legislativo, antes disso ser aprovado no Senado e na Câmara? Estarão as prerrogativas parlamentares realmente sendo restabelecidas? O poder civil começa a ser respeitado, outra vez, até pela polícia? Essas respostas só virão no seu devido tempo…

Pois é, doutor delegado, aprenda que não se deve desrespeitar a lei e os direitos humanos, e nem abusar da autoridade. Acima de tudo, aprenda a respeitar os jornalistas. Como diria a Rainha de Copas, do “País das Maravilhas”: – Quem confere ferro, conferido será ferrado!

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