Palavra e Traço – Novembro de 1980

Se já houvesse internet nos anos 1980, este material seria, muito provavelmente, um blog. Com seu afiado senso crítico, papai comentava um pouco de tudo, de política e políticos a arte e cultura, entremeando aqui e ali com textos muito pessoais e até poéticos, sempre baseado nas últimas notícias e tendências da época.

Algumas destas colunas – publicadas originalmente no “Jornal de Hoje”, de Campinas/SP – são francamente satíricas, outras são terrivelmente irônicas. Muitas delas poderiam terminar com um internético e retumbante “#SQN”, enquanto algumas são gravemente sérias. Parte das situações e problemas aqui descritos parecerão ao leitor bastante surreais. Outros serão perturbadoramente familiares.

01/11/1980 – Índio, menor abandonado

Pela lei brasileira, o índio é considerado como menor de idade, não podendo ser preso nem processado por seus atos. E, como menor, deveria ter todo o amparo e proteção, sob os auspícios de sua tutora, a FUNAI.

Entretanto, nada disso ocorre; segundo o antropólogo Cláudio Romero, o nosso indígena, antigo dono da terra, não passa de um menor abandonado. Cláudio é um grande defensor dos índios e, por denunciar a venda de terras indígenas ilegalmente, no ano passado, foi sumariamente demitido de suas funções (era coordenador do Projeto Xavantes).

Isso não impediu que Cláudio Romero continuasse a lutar em favor do Índio. Em Campinas, participando de um debate sobre os problemas do aborígene no Centro de Convivência, ele denunciou irregularidades que estão acontecendo na Região da Barra do Garça no norte de Mato Grosso.

Membro da Sociedade Brasileira de Indigenistas, Cláudio trabalha há quatro anos com índios Xavantes, numa área de 7 reservas 21 aldeias que abrigam, ainda, mais de 4 mil indígenas. Sua luta maior é contra o grupo Muradalha, que invadiu as terras dos índios e criou a fazenda Xavantina, de 150 mil hectares. O mais incrível é que o presidente general Figueiredo já transformou a fazenda em reserva indígena, em decreto de dezembro passado, e até agora nenhuma providência foi tomada pela FUNAI.

E mais: “Os índios estão denunciando que as águas do rio onde se localiza a reserva foram envenenadas recentemente, e seis crianças Xavantes morreram” – afirma Cláudio. E esse problema não é novidade novo, pois “na década de 50, fazendeiros e políticos interessados nas terras usaram até guerra bacteriológica para matar os índios. Eles passavam com aviões de pequeno porte, jogando roupas contaminadas com catapora e sarampo. Os índios contraíam a doença e morriam”.

Aí está o quadro completo: menor de idade, abandonado e submetido a tratamento desumano por parte dos “civilizados”, o índio está se extinguindo. Como é que, pessoal de Brasília, num País tão cheio de leis anti isso e anti aquilo não sobra nenhuma leizinha em favor do índio, não?

02/11/1980 – Olha o passarinho!

O líder do Governo, senador Jarbas Passarinho, disse no último dia 28, durante um debate com senador Roberto Saturnino (pMDB-RJ), promovido pela Business International Corporation, que os representantes das multinacionais sediadas no Brasil não deve se preocupar com 29 projetos que estão em tramitação no Congresso, disciplinando o comportamento dessas empresas.

Passarinho afirmou que “o PDS não permitirá a aprovação do que estiver eivado de xenofobismo” (o grifo é nosso). O líder governista provocou gargalhadas nos representantes das multinacionais (65), presentes ao encontro, realizado no Hotel Nacional, quando ponderou que “esses projetos também não seriam aprovados, se a oposição conquistasse o poder”.

Eis aí um triste quadro do que a “redemptora” transformou o Brasil: um depósito de lixo das multinacionais, onde um partido chamado PDS (Partido dos depositantes na Suíça?) é mero lacaio dos interesses dessas mesmas multinacionais. E o próprio líder do Governo não se peja em ser vangloriar disso. Não é verdade que os tais 29 projetos também não seriam aprovados se a oposição conquistasse o poder… O próprio senador Roberto Saturnino defendeu, na mesma reunião, a aprovação de uma lei que controlasse com mais rigor a remessa de lucros das multinacionais para seus países de origem.

Aliás, foi a questão da remessa de lucros para o exterior que derrubou o ex-presidente João Goulart, em 1964. Ao tentar defender os interesses do Brasil, Goulart foi acusado de “compactuar com os comunistas” e, por isso, deposto. E a dívida externa começou a crescer assustadoramente, depois da “redemptora”, ao mesmo tempo que crescia a espoliação do nosso povo.

E olha aí o passarinho… Transformou-se em mero animador de auditório, uma espécie de “Chacrinha” governamental, incumbido de fazer rir os representantes daquelas firmas que nos exploram ao máximo, enviando todo o lucro obtido para o exterior, enquanto o Brasil fica cada dia mais triste, mais pobre, mais sofrido.

Um dia virá em que a democracia plena, dando amplas oportunidades de manifestação ao povo, mudará esse quadro. Ri melhor quem ri por último…

03/11/1980 – Dicionário do futebol

Chega pra lá – Forma de deslocar o adversário, com o ombro, legalmente. O povo ainda vai dar um “chega pra lá” naqueles que o exploram.
Chegar junto – Marcação que procura impedir o adversário de levar vantagem.Reagan pensou que ia ter vantagem nas eleições, mas Carter chegou junto.
Chegar lá – Atingir o objetivo. A oposição ainda vai chegar lá… De leve.
Chiar – Reclamar, protestar. O povo está com fome e está chiando, na fila do feijão. E também chorando com o gás lacrimogêneo.
Chibatada – Chutar a bola no ar, na altura do peito, é dar uma chibatada, ou chicotada. Na prática, chibatada lembra o caso do sr. Sh(*)bata, que teve a punição que merecia. Fora com ele!
Chilena – Toque de bola dado com o calcanhar. Deriva das esporas chilenas, que hoje lembram, infelizmente, as esporas do Pinichet… (ARRGH!)
Chocho – Sem forças e sem direção. Chute chocho foi o dado pelo D(*)lfim, ao afirmar que a nossa inflação, este ano, ficaria em 45%… Ah, ah, ah!
Choque – Encontro violento entre dois jogadores. O grande choque vai acontecer dia 4, nos EUA. E, mais uma vez, não poderemos escolher nossos governantes…
Chorão – Jogador que vive protestando, se lamuriando, reclamando, assim como o Ce(*)ar Ca(*)s, que só sabe culpar os árabes pelo preço do petróleo.
Choro – Reclamação, lamúria. O choro é livre, principalmente para o povo.
Chulé – Time, jogo ou jogador ruim. Time chulé é esse do PDS, pôxa!
Chupador – Jogador que se beneficia dos esforços dos companheiros, assim tipo o M(*)luf. Mania de levar vantagem em tudo, sô!
Chupa sangue – Aquele que se aproveita ao máximo dos outros, assim tipo empresário de multinacional, que ainda ri da nossa desgraça.
Chupar a carótida – Atingir o adversário com extrema violência, com intenção de machucá-lo. E o caso da Freguesia do Ó, como é que ficou, heim?
Chutador – Aquele que chuta a gol, com frequência, ou que chuta bem. O Brasil precisa, com urgência, de um bom chutador, inclusive no campo político.
Chutão – Chute forte em sem direção, dado por jogarod ruim, tipo o D(*)lfim.

04/11/1980 – Anedotas do Salim

Contam por aí que o Salim foi visitar uma barragem e seu barco, em função do excesso de carga, acabou virando. Sem saber o mínimo de natação, o Salim estava se afogando quando três garotos que pescavam nas proximidades se atiraram às águas, acabando por salvá-lo.

Refeito do susto, ainda ofegante, o Salim disse aos garotos: – Peçam o que quiserem, pois v-vocês acabam de s-salvar uma pessoa muito importante… e-eu sou o Dr. Salim!

Entusiasmado, o primeiro garoto pediu uma bolsa de estudos integral, que lhe permitisse completar até o curso superior. O Salim, imediatamente, prometeu que ele seria atendido.

O segundo foi logo pedindo um emprego ao Salim, para ganhar cerca de Cr$ 100.000,00 mensais, mesmo sendo menor de idade. O Salim, imediatamente, prometeu que ele seria contratado.

O terceiro, já refeito da emoção, pediu ao Salim um jazigo perpétuo em qualquer cemitério. O Salim estranhou o pedido e ponderou: – Meu filho, para quem salvou a vida de alguém tão importante, esse tipo de pedido, além de insignificante, não faz também o menor sentido!

Ao que o terceiro respondeu: – Não faz sentido para o senhor, mas faz para mim… porque, quando o meu pai souber que eu salvei a vida do Dr. Salim, ele me mata!

Outra: contam que o Salim, logo que tomou posse e foi morar no palácio, mandou acabar com um pombal que existia naquele local, aproveitando para servir pomba à caçadora aos convencionais de seu partido.

Elementos da imprensa, presentes ao acontecimento, estranharam o fato e perguntaram ao Salim por que ele havia mandado matar todas as pombas. Será que ele não gosta desse animalzinho, que é o símbolo da paz?

Ao que o Salim respondeu: – Não é nada disso… é que eu não aguentava ficar ouvindo as pombas dizerem, o dia inteiro: – Corrupto! Corrupto!

Depois da mais recente pesquisa do Instituto Gallup, o Salim ficou com o apelido de “pinguim”… só pinguim pode conviver com 71 pontos negativos!

05/11/1980 – I-Juca-Pirama

“I-Juca-Pirama” é o título de um poema de Antonio Gonçalves Dias (1823 – 1864), que significa “aquele que vai morrer”, em língua tupi-guarani. Depois que fui ouvir a palestra do cacique Mário Juruna no Centro de Convivência, verifiquei que, embora escrito há mais de cem anos, o poema continua tão atual como se tivesse sido feito hoje. Quem não acreditar, veja estes trechos:

“Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante,
Guerreiros, nasci.

Sou bravo, sou forte,
Sou filho do Norte;
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:

Andei longes terras,
Lidei cruas guerras,
Vaguei pelas serras
Dos vis Aimorés;

Vi lutas de bravos,
Vi fortes – escravos!
De estranhos ignavos
Calcados aos pés.

E os campos talados,
E os arcos quebrados,
E os piagas, coitados,
Já sem maracás…

E os meigos cantores,
Servindo a senhores,
Que vinham, traidores,
Com mostras de paz!

Salve o nosso índio, salve “I-Juca-Pirama”, aquele que vai morrer!

06/11/1980 – Meu feijãããããooo

“Plante, que o João garante!” – Quem foi mesmo que disse isso? Foi o ministro Delfim Neto, quando estava na pasta da Agricultura, ou foi o Dr. Sardinha, aquele tipo criado pelo Jô Soares na TV?

Nem me lembro direito. Só sei que o Governo mandou plantar, mas falando para o grande produtor, pensando em exportar. Assim, esqueceu-se totalmente do pequeno lavrador, daquele que plantava agricultura de subsistência, visando seu própri consumo e o consumo interno.

Assim, plantando-se soja em lugar de feijão, deu no que deu: o feijão subiu ou sumiu, mais ou menos como a famosa “Conceição”, aquela da música cantada pelo Cauby Peixoto. E foi pensando no feijão “Conceição” que eu fiz uma paródia que é assim:

Feijão “Conceição”:
Meu feijãããoo…
Eu me lembro muito bem:
Vivia na feira, a sobrar,
A preços que hoje não tem.

Foi entãããoo…
Que um ministro apareceu,
Gordinho, dizendo a sorrir
Que, plantando-se soja,
Ele iria subir…

Se subbbiiuuu!
Quem não sabe, quem não vou?
Pois hoje seu nome mudou:
Feijão maravilha viroouu…

Só eu sei
Que seu preço tanto cresceu,
Que agora é preciso um milhão
Para ter, outra vez,
Meu feijãããoo!!!

07/11/1980 – Deus salve a América

“Quando nuvens negras, como um negro véu, surgem sobre a Terra, empanando o céu…” – Este é o início da versão em português do hino “God Bless America”, o famoso “Deus Salve a América” que se tornou um grande sucesso depois da 2ª Guerra Mundial, quando os norte americanos surgiram como heróis perante o mundo, após derrotarem o nazifascismo.

“América”, no caso, é o país deles, os USA (e abUSA). O resto da América, Canadá, Groenlândia, México, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Cuba, Rep. Dominicana, Haiti, Jamaica, Porto Rico, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa, Equador, Peru, Bolívia, Paraguai, Chile, Argentina, Uruguai, Ilhas Falkland e Brasil, é apenas o resto…

Em nenhum momento eu pude acreditar que Ronald Reagan vencer seus eleições nos USA, mas agora verifiquei, com espanto, que o povo norteamericano se deixou enganar pelas promessas de “segurança” para a família ianque e de uma “América forte” feitas pelo ex-ator canastrão de Hollywood.

A vitória de Reagan é uma tragédia para todos, mas principalmente para nós, latinoamericanos e brasileiros, que não podemos votar nessa eleição tão importante, já que o “grande irmão” do Norte quem manda no Continente, impondo-se pela força das armas e pelo poder do capital. Não tenho dúvidas de que a política externa de Reagan será de apoio às ditaduras latinoamericanas, para que haja uma “América forte”, protegida contra o comunismo internacional.

Aliás, os únicos que devem estar satisfeitos com a vitória de Reagan são os Stroessners, os Videlas, os Mendes e os Mezas da vida, que já se apressaram enviar congratulações ao candidato republicano. Agora eles se sentem mais fortes, como nos tempos de Nixon.

Nuvens negras, como um negro céu, param sobre o Continente. Reagan, esse “falcão” que, logo de cara, fala em aumentar o orçamento militar dos USA (e abUSA), poderá levar o mundo a uma 3ª Guerra Mundial, na pior das hipóteses. Na melhor, levará à desgraça a América Latina, pondo fim à política de defesa dos direitos humanos de Carter. Só me resta dizer, em prece, de olhos voltados para o céu: – Deus salve a América… só Deus pode salvá-la.

08/11/1980 – Afinal, de quê ele ri?

Logo que o general Figueiredo foi eleito, no ano passado, fiz uma charge para o Salão Internacional de Humor de Piracicaba, juntamente com desenhista Pierre Trabbold, aqui do JH, na qual eu indagava o motivo de seu riso, em sua foto oficial como presidente. Esse trabalho, aliás, foi premiado pelo voto livre direto do povo (júri popular) e hoje está exposto no saguão do teatro interno do Centro de Convivência aqui em Campinas.

Um ano e meio depois, ainda não consigo entender de que ri o general, já que a situação do país piorou muito, e o homem continua sorridente! Ontem, em nossa cidade, foram distribuídos à população 20 mil panfletos, rodados no cubículo do DCE da PUC pelo líder estudantil Lejeune Xavier, o popular “Mato Grosso”, conclamando a todos pela luta em favor de uma Assembleia Nacional Constituinte e marcando o próximo dia 15 de novembro (data em que deveriam realizar-se eleições diretas para prefeitos e vereadores) como o “dia nacional de luta” por uma nova Constituição.

Trata-se de uma iniciativa do pMDB local, liderado pelo ativíssimo Jorge Alves de Lima, inspirada na disposição do senador Orestes Quércia de pugnar pela Constituinte, única forma de fazer o País retornar à normalidade democrática até o final do governo do general Figueiredo, essa sorridente figura que jurou fazer deste País uma democracia. É, acima de tudo, uma iniciativa louvável, que só não encontrará eco nos Erasmos Noites da vida.

Vamos todos lutar pela Assembleia Nacional Constituinte, não fazendo dessa disposição apenas uma determinação passageira, mas sim transformando é essa ideia numa verdadeira bandeira de luta, mormente agora que a extrema direita dá largos passos à frente, com a eleição de Ron(*)ld Re(*)gan nos USA.

Sem Constituinte, continuaremos do regime do arbítrio e das eleições indiretas para presidente, do adiamento inexplicável das eleições diretas e outras “cositas más”. Sem Constituinte, em breve só mesmo o general Figueiredo é que continuará rindo neste País… E, assim mesmo, eu continuarei sem entender de maneira nenhuma de que ele se ri.

Constituinte já, ou todos nós vamos chorar!

09/11/1980 – Anedotas do Salim

Contam que o Salim foi fazer discurso numa cidadezinha do interior, nessa de fazer “governo itinerante” (mais conhecido como “Caravana da Alegria”). E nem bem começou a discursar, um menininho de escola, desses coitadinhos que são obrigados a ir saudar os governantes em visita, com bandeirinha do Brasil na mão, gritou: “Governante imortal!”

O Salim ficou muito satisfeito. Discursou com mais ênfase, gesticulou com maior liberdade, botou banca, fez tanta onda, que o menininho gritou de novo: – “Governante mortal!”

Lá pelas tantas, já no fim do discurso, o Salim resolveu mandar os seus capangas, digo, seus homens da segurança trazerem o menininho para cima do palanque. Ali, diante de fotógrafos, repórteres e turma da TV, perguntou ao garotinho: – “Ei, menino, por que é que você grita tanto ‘governante imortal’, hein? Você é meu admirador?”

E o menininho, sem perder a pose: – Sou não senhor… é que, a cada vez que o senhor aparece na televisão, o meu pai fala: – “Puxa vida, morre tanta gente boa, e esse FDP não morre nunca!”

Contam também que o Salim estava indo por uma estrada, com seu carro com ar refrigerado, motorista, guarda costas e outras mordomias, quando o veículo quebrou. O Salim desceu do carro e ficou fazendo hora pela região, enquanto o motorista e o guarda costas tentavam reparar o carro.

Foi aí que ele viu um ônibus velho, também enguiçado junto à estrada. Ao lado do ônibus estavam diversos indivíduos em atitudes estranhas: um brincando de fazer bolinhos de barro, outro pulando amarelinha, um terceiro pendurado numa árvore pensando que era fruta, etc. Em resumo, era um veículo do hospício. Salim não gostou de ver os doentes naquelas atitudes, e procurou convencê-los a voltar ao ônibus. Foi então que o motorista terminou de consertar o dito cujo começou a contar os doentes:

– “Um, dois, três… Ei, quem é o senhor? E o Salim, cheio de pose: – “Eu sou Dr. Salim!”
E o motorista, continuando a contagem: – “Quatro, cinco, seis, sete…”

10/11/1980 – Dicionário do Futebol

Chute – (do inglês, shoot – tiro) – Pontapé desferido na bola, (de canela): chute sem direção, assim tipo lançamento de M(*)luf a presidente; (de letra): o que é dado cruzando-se o pé por trás do que vai à frente com a bola, assim tipo lançamento da campanha da Assembleia Nacional Constituinte, um chute bem dado; (de moça): chute fraco, sem potência alguma, assim tipo opinião de ministro sobre conjuntura econômica futura; (no s*co): chute desleal, assim tipo expulsão de padre Vito do País.
Chuteira – Tipo de botina própria para o jogo do futebol. (Amarrar as): fugir dos lances perigosos, afastar-se de disputas de bola, assim como o Chic(*) Amar(*)l, que fica sempre doente quando a coisa aperta. (Pendurar as): deixar de jogar, abandonar o esporte, assim como o J(*)nio Quad(*)os, que pode pendurar as chuteiras, que não dá mais. Tchau mesmo!
Chuveirinho – Passe dado sobre a área adversária. O pMDB vai lançar o maior chuveirinho sobre a área do PDS, até 1982. E tome gol!
Chuveiro – Instalação para banho, no vestiário. (Ir para o chuveiro mais cedo): ser expulso de campo. Já ser expulso do País é privilégio de padre e de exilado político latinoamericano… (mandar para o chuveiro): expulsar de campo. Figue(*)edo mandou o Padre Vito para o chuveiro, mesmo contra a vontade de todo o povo brasileiro. E a torcida vaiou.
Cidadela – O gol. O mesmo que “a última trincheira”. Nós lutaremos pela democracia, até a última trincheira. Essa cidadela ninguém toma!
Cintura dura – Jogador sem flexibilidade, assim tipo Figue(*)redo.
Círculo Central – Círculo com 9,5 m a partir do centro do campo, que delimita os jogadores no início da partida. A turma do planalto fica no meio de um círculo central e nem quer saber o que acontece no resto do País. Azar dela! Também local para reinício da partida, após levar um gol. Em 1982 a turma da Arena vai ter um trabalhão para reiniciar a partida, pois vai levar cada gol, que nem te conto!
Ciscador – Jogador que se movimenta muito, sem grande resultado, assim tipo Figue(*)redo, que viaja por todo o País e não resolve nada.

11/11/1980 – João vota na Conceição

Deu no jornal: “O presidente João Figueiredo confirmou ontem (07/11) em Campinas, simbolicamente, sua opção pela democracia. Votou, sem titubear, em Conceição, uma das torcedoras símbolo da Ponte Preta, no concurso promovido pelo JH. Conceição rompeu o cordão de isolamento defronte à casa de dona Doliza, irmã do presidente, estendeu um exemplar do jornal e conseguiu a adesão de Figueiredo. Ele limitou-se a sorrir quando alguém comentou: ‘O Sr. acabou de votar, Presidente'”.

Ironia do destino… Dentro de poucos dias o povo deveria votar nas eleições diretas para prefeitos e vereadores, que deveriam realizar-se a 15 de novembro de 1980. Entretanto, por iniciativa do governo Figueiredo, essas eleições foram adiadas por dois anos, devendo realizar-se em 1982, se Deus quiser.

Assim, só restou ao povo de Campinas e região o voto livre e direto para torcedor símbolo da Ponte ou do Guarani, já que essa é a única eleição livre e direta que se realiza este ano, por estas bandas. E é curioso que o próprio general Figueiredo tenha passado por Campinas e, meio na marra, meio de improviso, tenha votado na Conceição.

O general, que concedeu uma anistia e pretendeu promover uma abertura, o mesmo que jurou fazer deste País uma democracia, teve uma atitude bastante contraditória quando, entrevistado sobre quando haveria eleições diretas para a Presidência da República, respondeu: – “Se depender de mim, nunca!”

E não deixou de ser contraditória, igualmente, a intenção de prorrogar a data das eleições livres e diretas que deveríamos ter no próximo dia 15 de novembro. Justo na ocasião em que deveriam se realizar as primeiras eleições sob o governo do general Figueiredo, ficamos sem poder botar o nosso voto na urna, uma vez mais.

Outra ironia do destino: para compensar, a torcedora Conceição, emocionada por ter ganho o voto do general Figueiredo, declarou que nem iria colocar o voto na urna, e sim guardá-lo em seu quarto, como um presente maravilhoso. Assim, nem o nosso voto vai para a urna e nem o dele…

12/11/1980 – Alá-Salim e a lâmpada

Alá Salim era um pobre João Ninguém, que trabalhava numa serraria e que foi despedido, por ser um grande “cara de pau”. Certa vez, perambulando em meio a um depósito de lixo, deparou com uma antiga lâmpada de óleo jogada fora. – Isto deve valer uns trocados, lé! – Pensou ele com seus poucos botões. E, como a lâmpada estivesse muito suja, esfregou-a para limpá-la…

Foi então que, do interior da lâmpada, saiu um gênio chamado Ibrahim, que lhe disse: – Salve, ó amo! Como vós me libertastes da lâmpada onde eu era prisioneiro há mil anos, atenderei três desejos vossos!

O astuto Alá-Salim assustou-se, a princípio, mas logo percebeu que ali estava a chance de sua vida. E foi fazendo o primeiro desejo, dizendo: – Gênio, desejo ser prefeito de Bagdá! – (Ah, sim, as histórias de gênio sempre se passam em Bagdá). – O gênio logo atendeu ao seu pedido e ele foi nomeado prefeito, acumulando considerável fortuna por meios que não desejamos aqui relatar…

Cansado de ser apenas um prefeito, Alá-Salim formulou o segundo pedido: – Ó Ibrahim, vós que sois um gênio, fazei-me governador da província! E o gênio, prontamente, transformou-o em governador. Alá-Salim foi morar num magnífico palácio, aumentando muito mais a sua fortuna, por meios que também não relataremos aqui, por questão de pudor.

Por fim, cansado de ser apenas um governante de província, Alá-Salim chamou o gênio para uma convenção do partido do governo e pediu: – Gênio, ó gênio genial, desejo ser o Xá, o supremo mandatário da Pérsia! – (Sim, nesse tempo o país assim se chamava). O gênio, mais que depressa, ergueu o braço de Alá-Salim e, diante de todos os convencionais presentes, inclusive do herdeiro do trono, declarou: – Eis o homem! Se depender do meu voto, Alá-Salim será o futuro governante do país!

Alá-Salim ficou desesperado, porque, entre as falsas palmas dos convencionais, percebeu a expressão de ódio do herdeiro do trono, e disse: – Gênio, mas que mancada! Vós queimastes minha candidatura! Sacaneastes o vosso amo! – E o gênio, sorridente: – E por que pensais que meu antigo amo me prendeu por mil anos?…

Quiá, quiá, quiá, quiá! – E, assim dizendo, evaporou-se em fumaça…

13/11/1980 – Pela Constituinte

(Um por todos e todos pela Constituinte)

Neste dia 15 de novembro de 1980 deveriam se realizar eleições para a escolha de prefeitos e vereadores, na grande maioria das cidades brasileiras. Todavia, o governo houve por bem adiar esse pleito por dois anos e as eleições só serão realizadas em 15 de novembro de 1982, talvez, quem sabe, se Deus quiser e o Abi-Ackel deixar…

É por essas e outras que a oposição, representada por seus três partidos mais significativos, pMDB, PP e PDT, resolveu marcar um ato público em favor de uma Assembleia Nacional Constituinte, no Salão Vermelho da Prefeitura de Campinas, neste sábado, dia 15, às 20 horas.

A Constituinte, pregada pelo senador Orestes Quércia, é uma necessidade básica para a normalização política do País, haja visto que a nossa Constituição, de 1964 para cá, foi remendada, consertada, rasgada e recosturada, virando uma verdadeira colcha de retalhos…

São esses remendos que permitiram o adiamento das eleições, após a reforma partidária feita por decreto, bem como o motivo do adiamento. Segundo o Governo, não poderia haver eleições porque os partidos, com a reforma, não estavam definitivamente organizados!

O País necessita de uma Carta Magna límpida, clara, sem rasuras ou remendos, que dê as diretrizes para a consolidação de um Brasil Maior e melhor, com eleições livres e diretas em todos os níveis, inclusive para Presidente da República.

Proponho que, no ato público, o povo cante uma paródia que eu fiz da famosa música “Ô Abre Alas”, da imortal Chiquinha Gonzaga, que é assim:

Ô Abi-Ackel, eu quero votar!
Ô Abi-Ackel, eu quero votar!
Eu sou da urna, não posso negar…
E o nosso povo é quem vai ganhar!

Vamos todos ao Salão Vermelho da Prefeitura, lutar por um país mais digno e mais justo, pela pátria livre que desejamos deixar para nossos filhos. Vamos todos lutar por uma Assembleia Nacional Constituinte, já!

14/11/1980 – Um dia como os outros

Levantei-me com o pé direito, espreguicei-me um pouco e resolvi fazer como aquele anúncio que toca no FM toda hora: escovei os dentes, tomei o café da manhã e fui ler o jornal. Logo na primeira página, deparei com uma manchete que me fez cair o queixo: – “Dívida externa foi perdoada”!

Esfreguei bem os olhos, olhei de novo, e li outra notícia espetacular: – “Acabou a inflação no Brasil”! Quase não podia acreditar nos meus olhos… No pé da página, lá estava uma foto do general Figueiredo e uma legenda: – “Cumpri o prometido: fiz deste País uma democracia”!

Fui dar uma olhada na página policial, mês ela estava meio fraca. No alto, em letras garrafais, lia-se: – “Nenhum crime na cidade”!- Então fui olhar a página de esportes, estava lá: – “Ponte Preta campeã paulista”! – “Guarani na Taça de Ouro”! – “Moralizado o futebol brasileiro”!

Liguei o rádio… só tocava música nacional! Aí entrou o locutor e lascou: “Baixou o preço do feijão”! – “Petrobrás descobriu petróleo”! – “Rescindidos os contratos de risco”! – “Delfim encheu a panela do povo”!

Corri para a TV e liguei… estava dando o jornal da manhã. Com a cara mais normal do mundo, o locutor informava: – “Aprovada a Assembleia Nacional Constituinte“! – “Demarcadas as terras dos índios“! – “Brasil tem crédito no exterior“! – Aí entrou o noticiário internacional, com as seguintes manchetes: – “Renunciou Ronald Reagan“! – “Khomeini fugiu para o Timbuktu”! – “Israel fez as pazes com os árabes”!

Voltei ao jornal e abri na página local. Dizia assim: “Resolvido o problema das enchentes em Campinas”! – “Prefeitura paga todos os desapropriados”! – “Acabou a fila no INAMPS”!

Esfreguei os olhos, abri a porta e saí à rua… o lixeiro estava passando no dia certo, o ônibus da CCTC estava limpo e quase vazio, nenhum motorista estava correndo a mais de 80 por hora e não havia nenhum caminhão estacionado irregularmente. Foi aí que apareceu uma multidão carregando o Maluf em triunfo e gritando: – “É o maior, é o maior, é o maior”!

Aí, não deu outra: caí da cama. Mamãe, eu juro, não sonho mais!

15/11/1980 – Farda, Fardão e… Academia

“Farda, Fardão, Camisola de Dormir” é o título do último romance de Jorge Amado, cuja ação se passa em 1940 e retrata a luta por uma vaga na Academia Brasileira de Letras, entre um coronel chefe da polícia política e braço direito de Getúlio e um general reformado. Por uma vaga se faz de tudo, a corrupção come solta e as consequências são as mais funestas possíveis.

A história poderia se passar hoje, com pequenas modificações, pois continua muito atual. Depois da eleição do José Sarney, quem almeja a vaga deixada na ABL pela morte de Octávio de Faria é o ministro da Educação, Eduardo Portella! Essa vaga deveria ser, pela lógica, do grande poeta gaúcho Mário Quintana, que deseja tanto ser eleito que já se escreveu duas vezes. No entanto, depois que o Portela se candidatou, Quintana passou a ser pressionado por alguns acadêmicos para que desistisse em favor do ministro…

Quintana ficou tão angustiado com essa pressão (motivada muito mais por interesses do que pelo valor intelectual das obras do ministro, é claro), que não conseguiu mais dormir, começou a comer pouco e a ficar muito angustiado, uma vez que já tem 74 anos de idade e a Academia seria a coroação de sua vida dedicada à rima, aos versos, às odes e aos poemas.

Na última 6ª feira, com o sistema nervoso abalado, Quintana foi internado na Clínica Pinel, em Porto Alegre. Felizmente passa bem, de acordo com seu médico, e na próxima semana poderá ter alta.

Se eu forre ministro e quisesse me colocar na ABL, juro que sentiria pejo em aceitar, posto que estaria sendo indicado por ter um cargo no Governo e não pelo valor de minhas obras. Todavia, isso não parece ocorrer na esfera federal. São tantos os políticos do Governo pretendendo ser “imortais”, que o genial Ivan Lessa lascou na última página do Pasquim desta semana: – “Basta de ordenanças! Queremos o General Figueiredo na Academia!”

Turma do Governo, que tal sair de fininho e deixar as vagas para aqueles que, efetivamente, dedicaram sua vida à literatura, como o Quintana, que acabou baixando no Pinel? Desse jeito o Jorge Amado vai ter de escrever um outro livro: “Farda, Fardão e Camisa de Força“…

16/11/1980 – Votar é tão bom. Bom mesmo!

No dia 14 último eu tive a oportunidade de votar, depois de muito tempo. Verdade que foi uma votação simbólica, promovida pelo pMDB, PP e PDT, contra o adiamento das eleições, os baixos salários, o custo de vida, etc., mas foi tão bom… Descobri que votar não dá calo,não faz cair as unhas nem provoca câncer, ao contrário do que sempre apregoam elementos ligados ao Governo.

Também não é verdade que o povo não sabe nem escovar os dentes, quanto mais votar. Vi gente do povo sem dentes (por causa da falta de atendimento dentário) e com dentes, que votou muito bem, certinho. Só um velhinho, que estava na fila bem na minha frente, é que teve algumas dificuldades em colocar seu voto na urna montada no Largo do Rosário. Segundo ele, foi por causa da vista fraca, mas já tinha muito gaiato dizendo que era falta de prática…

Mas, o voto do dia 14 foi, antes de tudo, a favor. Sim, a favor da Assembleia Nacional Constituinte, livre, democrática e soberana. Com a Assembleia, teremos oportunidade de acabar com os privilégios dos grandes grupos multinacionais, eliminar a repressão,elaborar novas leis sociais, conseguir maior liberdade de expressão e organização, além de eleições livres e diretas em todos os níveis, inclusive para Presidente da República. Isso, só para começar a enumerar as melhorias de que necessitamos.

Saí do Largo do Rosário com a alma leve, sentindo-me feliz por ter votado, ainda que de forma simbólica. Indo para casa, não resisti e fui cantarolando assim: – Não põe veto no meu voto, não tente bancar o chefe, não dá ordem ao pessoal… Não me venha com mentira, ninguém mais te admira, eleição não é um carnaval! Não sou candidato a nada, meu negócio é batucada, mas meu coração não se conforma… O direito é do povo, de poder votar de novo, exigindo plataforma. Por um voto, que balance o teu coreto, que eleja quem, de fato, é político correto… Por um voto livre, simples e direto, democrático e secreto, que demonstre sentimento. Por um voto que seja um documento, que destrua e arrebente o teu cordão de isolamento. (Breque) – Não Põe no meu!

18/11/1980 – Anedotário político

Esta deve ser a mais velha anedota brasileira: dia 22 de abril de 1500, Cabral acaba de descobrir o Brasil e decide mandar D. Henrique Soares de Coimbra rezar a primeira missa… E, poucos dias depois, lá estava todo mundo reunido, no meio do mato: marinheiros portugueses, oficiais, soldados e índios, esses últimos muito surpresos ao verem os portugueses erguendo uma cruz de madeira e fazendo um altar.

No exato momento em que D. Henrique abençoa a terra e a declara oficialmente descoberta, um velho índio olha bem, balança negativamente a cabeça e diz: – Não vai dar certo…

Esta é de bêbado: era uma vez um cara muito revoltado, talvez um desses “privilegiados” operários do ABC, que sofria como um condenado em uma fábrica de veículos (multinacional, é claro), mas que não tinha coragem de falar mal do governo. Um dia, amarrou um porre, só de desgosto, criou coragem e saiu dizendo pelas ruas: – Eu comprei um ministro! Taqui, no meu bolso, é! Aquele sem vergonha tá comprado!

Não deu nem dez passos: foi detido por uma viatura policial e levado para curtir o porre na cadeia. E, mesmo na viatura e depois na cela, o sujeito repetia: – Eu comprei o ministro! Tá comprado, ó! Hic! Eu comprei!

No dia seguinte, o infeliz operário acordou e ficou muito surpreso ao se ver numa cela. Ele nem conseguia se lembrar por que tinha sido preso… Quando o carcereiro veio trazer o grude, lá pelas tantas, ele o chamou e perguntou: – Vem cá, ô meu! Que que eu fiz para estar aqui, hein?

E o carcereiro respondeu: – Você amarrou um fogo e saiu dizendo por aí que tinha comprado um certo ministro! – E o operário, chateado: – Eu não tomo jeito, mesmo! Quando eu estou bêbado compro tudo que é porcaria que aparece!

Dentro de um ônibus lotado, um cara pergunta para outro, que está ao lado dele: – Amigo, o senhor é do governo, tem algum parente no governo, ou é amigo de alguém que faça parte do governo? – Ao que responde o outro: – Não! – E o primeiro, muito calmo: – Então quer fazer o favor de tirar o pé de cima do meu, seu…?

19/11/1980 – Dicionário do futebol

Ciscar – Movimentar-se muito, assim feito o Galv(*)as, que ia de Nova Iorque para o Rio e foi ciscar lá em Brasília. Medalha para ele, de mérito aeronáutico.
Clarabóia – Jogador que consegue clarear uma jogada, assim tipo Orestes Quércia (ver conceito abaixo).
Clarear – Tornar clara, sem confusão, uma jogada, conter uma ação ofensiva e estruturar uma jogada nova, compreensível aos companheiros, assim como lutar por uma Assembleia Nacional Constituinte.
Clássico – Jogo que tem tradição – (da Disciplina) – reunião dos partidos de oposição; (da Paz) – reunião do pMDB; (dos Milhões) – reunião do PDS, o “Partido dos Depositantes na Suíça”.
Classificação – Posição que permite a um clube continuar disputando um campeonato. Em 1982, o PDS vai descer para a segunda divisão… Que desclassificação!
Cobertura – Ato de dar proteção à área defendida por um companheiro. O PP, PDT, PTB, e PT vão vencer, com a cobertura do pMDB. Aposto uma nota preta!
Cobra – Jogador famoso e de alto nível técnico, assim feito o Ulysses Guimarães. O velhinho é cobra! Camisa 10 da nossa Seleção!
Cobra mandada – Árbitro, auxiliar ou jogador previamente subornado, assim feito muitos políticos e convencionais do PDS, cujos nomes não citaremos por decoro.
Cobrador – Jogador hábil em cobrar faltas, convertendo-as em gols. O Franco Montoro é que é um tremendo cobrador, hábil em fazer gols para o pMDB.
Cobrinha – Jogador jovem e em ascensão, de alto nível técnico, já com as características de cobra, assim tipo Wanderley Simionatto.
Coco – Cabeça. Também inteligência e criatividade. Quem tem coco é o meu considerado José Roberto Magalhães Teixeira, o popular “Grama”.
Cocoruto – Elevação, morrinho, parte superior da cabeça. Outro que tem cocoruto bom é Freitas Nobre.
Coice – Chute violento, dado no adversário ou na bola. Maiores detalhes sobre coice, procurar o Sr. Taturana, na Freguesia do Ó.
Coiceiro – “Simpatizante” do M(*)luf. O mesmo que açougueiro, carniceiro, etc.
Colar – Marcar colado. Também tentar impingir desculpas esfarrapadas e simular infrações. Olha aí, D(*)lfim, tua conversa não cola mais.

21/11/1980 – Você já foi a Brasília?

Atendendo a pedidos de inúmeros leitores, voltamos com nosso “Cantinho do Sucesso”, hoje parodiando a conhecidíssima música “Você já foi à Bahia?” de Dorival Caymmi: a paródia se intitula “Você já foi a Brasilia?”

Você já foi a Brasília, nêgo?
Não?! Então vá!
Lá quem tem padrinho, meu nego,
Só pode se arrumar…

Muita sorte teve,
Muita sorte tem,
Muita sorte terá.
Você já foi a Brasília, nêgo?
Não?! Então vá!
Lá tem caviar… (então vá!)
Lá tão com tutu! (então vá!)
Vão te nomear! (então vá!)
Se quiser mamar… (então vá!)

Nos palácios e nas granjas,
Onde só mora doutor,
Tem banquetes que parecem
Dos tempos do imperador…

Mordomia, em Brasília,
Faz inveja a um marajá!
Tem tudo pra consumo interno
E ainda sobra pra exportar.

Tudo, tudo em Brasília
É feito pro nosso bem,
Em Brasília tem ministro
Comendo como ninguém!

Você já foi a Brasília, nêgo?
Não?! Vai pra lá!

22/11/1980 – O milagre do descapitalismo

Delfim era um pobre rapaz que dava aulas a uns pobres alunos de uma escola pobre… Mas o jovem Delfim alimentava um sonho secreto: algum dia, faria um milagre.

Não um desses milagres comuns, do tipo “virar água em vinho”, “multiplicar os pães”, “fazer andar os paralíticos” e “curar os leprosos”. Nada disso, o Delfim queria fazer um milagre inédito, que ninguém já tivesse feito!

Foi assim que o jovem Delfim abandonou as aulas e os alunos, além do parco salário de professor, e tratou de fazer amizade com gente influente nos meios mágicos de Bagdá (ah, sim, essas fábulas sempre se passam no oriente misterioso), à procura de alguém que o ensinasse a fazer milagres.

E, depois de algum tempo, o jovem aprendiz de feiticeiro foi apresentado a um xerife, que o apresentou a um califa, que o levou a um grão vizir, o qual o levou a um rajá, e este o conduziu até o grande marajá de Bagdá, soberano recém empossado no cargo, que estava precisando de um milagre…

O marajá era meio surdo, e em vez de entender que o Delfim queria aprender a fazer um milagre, entendeu que ele, sendo professor, poderia ensinar! E foi assim que, graças tão somente à sua boa estrela, o jovem e inexperiente Delfim foi designado para o cargo de ministro dos Milagres!

O país ia de mal a pior, enfrentando baixas colheitas, falta de alimentos, desemprego, alto índice de mortalidade infantil, inflação, dívida externa elevada, falta de vergonha na cara, e outras pequenas crises por aí afora. O marajá de Bagdá levou o jovem ministro Delfim à sacada de seu palácio, de onde se descortinava toda a cidade e disse:

– Ó sábio milagreiro, ó poderoso mágico, faça um milagre que torne todo o povo rico, feliz, sem problemas e com muita saúde!

Delfim, que não queria perder o cargo e nem o pescoço, improvisou algumas palavras mágicas e… CABRUM! – Desabaram sobre o país, uma a uma, todas as pragas do Egito e mais algumas de quebra, e todos ficaram na maior miséria. Delfim nem se apertou e saiu apregoando aos quatro ventos: – Milagre! Milagre! Acabo de inventar o descapitalismo!!!

23/11/1980 – Tout vá trés bien, diz a canção

“Tout vá trés bien, Madame La Marquise!” – afirma uma antiga música vaudeville, que agora vamos parodiar. O título pode ser “Tudo vai bem, muito bem, bem, bem…” ou qualquer coisa parecida. E vamos nessa!

“Tudo vai bem!” – Falou o presidente,
– “O povo está muito contente!”
“Tudo vai bem!” – Falou o Ibraim,
– “O povo está feliz assim!”

A inflação passou de cem por cento…
– “Quem não gostar, eu prendo e arrebento!”
A gasolina depressa vai a mil…
– “Pelo progresso do Brasil!”

“Tudo vai bem!” – Falou o Delfim Neto,
– “O povo come, e come quieto!”
– “Tudo vai bem!” – Falou o seu João,
– “Cairá o preço do feijão!”

Mas o feijão subiu e ainda sumiu
“E ninguém sabe, ninguém viu!”
Não vejo mais o preço do filé,
– “É só ter calma, é só ter fé!”

“Tudo vai bem!” – Falou o Amaury,
“A grande safra vem aí!”
“Tudo vai bem!” – Falou o Seu Jair,
– “O povo vive a sorrir!”

Porém a fila do INAMPS é desgraça…
– “Ora, depressa isso passa!”
E a nossa dívida? Não dá pra segurar!
– “O Carajás vai resgatar!”

“Tudo vai bem!” – Falou o presidente,
– “O povo está muito contente!”
“Tudo vai bem!” – Falou o César Cals,
Mas, mesmo assim, tudo vai mal!

24/11/1980 – Dicionário do futebol

Coletivo – Treinamento do qual participam todos os jogadores, titulares e reservas; na prática, veículo urbano que nos obrigam a tomar, sempre cheio, sujo, e em péssimo estado de conservação. Ei, CCTC, como é que fica?
Comandante – Centro avante, principal figura do ataque; Ulysses Guimarães é um ótimo comandante do pMDB e vai levar o partido a grandes vitórias.
Combate – Ato de enfrentar o adversário, na disputa de bola. Em 1982 teremos um combate sensacional: Situação x Oposição. Aposto uma nota nesta última.
Combinação – Trama, jogada combinada, assim como “prorrogação de mandatos”.
Come – Drible, finta. (Dar um): Driblar feito o Delf(*)m. (Levar um): ser driblado, feito o povo. (- E dorme): jogador que faz refeições no clube e lá reside, sem jogar; assim tipo ministro, que tem a maior mordomia, come e dorme e não faz nada da útil, via de regra. (CBD – Come, Bebe e Dorme): jogador nas mesmas condições anteriores, com o agravante de encher a caveira, assim tipo um ex-ministro que foi mandado passear…
Come – Fogo – Designação das partidas entre o Comercial e o Botafogo, ambos de Ribeirão Preto (SP). Na prática, choque entre grevistas e tropas da PM.
Comer – Driblar, fintar. (A bola): jogar muito bem. (O bolo): fazer que nem o Delf(*)m. Ele não reparte o bolo, come sozinho.
Compasso – Dar um passo muito largo é “abrir o compasso“. Esperamos que a abertura continue, em compasso acelerado, apesar do R(*)agan.
Comprar – Adquirir o passe de um jogador; subornar um jogador, bandeirinha o juiz. Agora, sobre comprar votos indiretos, falar com o sr. M(*)luf.
Compromisso – Jogo a ser realizado no futuro. Na prática, compromisso é isso: “Juro fazer deste país uma democracia”.
Concentração – Ato de reunir jogadores em um local, antes de uma partida. Não confundir “concentração no campo” com “campo de concentração”.
Condição – Circunstância que permite ou não a prática do futebol, a um jogador. (Física): boa saúde. (Irregular): para o jogo, quando o contrato não está em dia; para a jogada, quando o jogador está impedido. Agora, condição irregular, mesmo, é o cargo de “senador biônico”. Arre! Passa, bionicão!

25/11/1980 – O anedotário político

Esta é internacional e nova em folha (juro que inventei agorinha):

Em Pequim está sendo julgado o “Bando dos Quatro” que, na verdade, é o “Bando dos 10”, grupo acusado de todos os males que aconteceram na China, de 20.000 anos para cá.

A viúva de Mao Tse Tung, madame Chiang Ching (ou Jiang Ting, como quiserem) e todos os seus seguidores, ao fim do julgamento, serão considerados culpados de alta traição e de todas as acusações que lhes forem feitas…

Terminado o julgamento, para surpresa da imprensa ocidental, todos os acusados são imediatamente postos em liberdade! Um jornalista, muito espantado, se aproxima de um alto funcionário chinês e lhe pergunta: – Mas, como?! Vocês acusam o “Bando” de todos os males da China, condenam e depois… soltam todos?!?

E o sisudo funcionário, muito calmo: – “Celtamente, honolável jolnalista internacional… se não soltarmos o “Bando”, a quem vamos acusar das desglaças da China, de hola em diante?”

Esta é nacional, mesmo: contam que um certo governador biônico foi visitar uma cidadezinha do interior, com sua enorme comitiva, e acabou sendo recepcionado com um grande churrasco regado a chope, pelo prefeito local.

Lá pelas tantas, já meio alto, saiu procurando o banheiro e, como não soubesse onde ficava, empurrou uma porta e viu-se nos fundos da prefeitura. Como estava escuro, resolveu aliviar-se ali mesmo, na via pública…

Foi então que surgiu um desses guardas do interior, sempre muito atentos a tudo e muito zelosos de seu posto. O guarda não teve dúvidas: informou ao governador que ele estava multado, em decorrência de lei municipal.

Todavia, ao reconhecer o governador, resolveu desistir da multa. Este não aceitou, dizendo que era um cidadão comum e queria pagar. Foi então que o guarda recusou mais uma vez, dizendo: – Ora doutor, o senhor acha que eu iria multá-lo por causa de uma simples m…, depois de tanta c… que o senhor já fez?

26/11/1980 – O espião que entrou em fria

Dizem que o M(*)luf está de espião novo em Campinas e região, mas que o coitado está meio por fora e, se o largarem no meio do Largo do Rosário, ficará perdido e nem saberá onde está, pois o largo nem tem mais esse nome…

Como sinto muita pena de quem chega de fora e fica por fora, em nossa querida Campinas, bolei uma espécie de guia turístico para orientar o novo e ilustre visitante, para que ele fique familiarizado com os hábitos da cidade.

É necessário que o espião do M(*)luf saiba que:

  1. a) Em Campinas há dois times de futebol profissional, mas os torcedores locais não estão nada felizes com o desempenho de ambos. Quem quiser ir contando pontos em seu favor deve ir, logo de cara, metendo a lenha na Ponte e no Guarani. Deve falar bem do São Paulo e elogiar a “Taça de Prata”.
  2. b) Se, por outro lado, o visitante quiser elogiar um dos clubes, deve escolher o ouvinte certo. Se quiser falar bem do “Bugre”, deve escolher como interlocutor um negrão de 1,90 m de altura e envergadura, vestido sempre com as tradicionais cores do Guarani: branco e preto.
  3. c) O local de reunião da Ponte é o Giovanetti, enquanto que o do Guarani é o Éden Bar, ambos no Largo do Rosário.
  4. d) Existe uma região ótima para compras na cidade, a do “Mercadão”. Deve-se ir lá com muito dinheiro nos bolsos, fazer alarde dessa condição e pagar umas pingas para os velhos e as senhoritas que frequentam o local.
  5. e) Outro local ótimo é a região de lazer conhecida como “Itatinga’s Garden”, onde o visitante deve ir muito bem vestido e com muito dinheiro de reserva. Umas voltas a pé pelo bairro, de madrugada, serão suficientes para tornar o forasteiro muito feliz.
  6. f) Outros lugares ótimos para visitas noturnas são: a Costa Aguiar, os baixos do Viaduto Cury e o Bar Apollo, perto da Rodoviária.
  7. g) Campineiro adora piada. Quem quiser ficar amigo de grande número de moradores da cidade, deve ir logo contando uma daquelas boas, que fala de campinas e Pelotas, do repertório do Golias.

Boa estada na cidade, senhor espião!

27/11/1980 – Tem aquela do cachorro

Tem aquela do cachorro, que é assim:

“El dictador” de uma banana republic latino americana seguia por uma estrada, num magnífico carro à prova de balas, com motorista, guarda costas e ar condicionado, além do tradicional bar bem abastecido quando, de repente, o motorista não viu um cachorro que atravessava a estrada…

Não deu outra: o motorista atropelou o cachorro, que morreu na hora. Era um belíssimo cachorro de raça, com coleira, que só podia ser de algum ricaço. “El dictador”, que não queria ficar mal com os ricos do país, mandou o motorista ir até a cidade mais próxima e procurar o dono do animal, pois ele desejava indenizar o proprietário.

Pararam na cidade, num local ermo. O motorista desceu e foi procurar o possível dono do cachorro. Meia hora depois, voltava ele carregado em triunfo, enquanto o povo dava vivas e os sinos repicavam. Ao se aproximar do carro de “El dictador”, os populares levaram um grande susto e largaram o motorista no chão, fugindo em seguida. “El dictador” quis saber o que havia ocorrido e o motorista explicou: – Sei lá, excelência… cheguei num bar e disse: sou motorista de “El dictador”, e atropelei e matei aquele cachorro… e o povo começou a festejar!

Um ministro da mesma banana republic ia passando junto à estátua equestre do maior herói nacional, quando ouviu que a estátua falava com ele! – Ei, “señor” ministro – Dizia a estátua – Olhe só para o estado do meu cavalo: todo sujo e com a pata quebrada… exijo que mande fazer um cavalo novo para mim, ouviu?

O ministro ficou muito assustado, concordou com a estátua do herói e foi correndo contar a “El dictador”, que duvidou de sua sanidade mental. O supremo mandatário quis ver, de perto, a tal estátua que falava. Lá chegando, o ministro e “El dictador” ouviram a estátua falar de novo, muito chateada: – Ei, “señor” ministro! – Repetiu a estátua – Que negócio é este? Eu lhe peço um cavalo novo e o “señor” me traz um burro velho?!?

29/11/1980 – E agora João, a festa acabou?

A pedidos de inúmeros leitores, vamos reprisar “E agora, João?”, paródia de “E agora, José?”, de Carlos Drummond de Andrade:

E agora, João? A festa acabou, a luz apagou, a abertura esfriou.
E agora, João? E agora, Delfim? E agora, você? Você que é sem nome,
Que apanha de todos, você, que trabalha, que grita, protesta?
E agora, povão?
Está sem dinheiro, está sem discurso, está sem trabalho,
Já não pode beber, já não pode fumar, cuspir não pode;
A noite esfriou, a abertura não veio,
A democracia não veio,
O riso não veio, não veio a utopia
E tudo acabou, e tudo fugiu, e tudo mofou.
E agora, João?
Sua doce palavra, seu instante de febre,
Sua promessa e sua jura, sua democracia.
Sua palavra de ouro, seu cavalo tordilho,
Sua incoerência, seu ódio – e agora?
Com tudo na mão, quer fazer a abertura.
Não existe porta. quer abrir na marra,
Mas o PDS fechou. quer ir para a frente,
Mas não dá mais! João, e agora?
Se você gritasse, se você berrasse, se você tocasse,
Pra fora quem não convence, se você agisse, se você brigasse.
Se você não esmorecesse… mas, você não esmorece,
Você é duro, João!
Sozinho no escuro, qual bicho do mato,
Sem democracia, sem constituinte,
Pra se amparar,
Sem cavalo baio que fuja a galope,
Você segue, João! João, para onde?!

30/11/1980 – Índio não quer mais apito

“Índio quer apito”, dizia uma antiga marchinha de carnaval. Hoje, o indígena, já familiarizado com a sociedade ocidental, politizado e sofrido, já não quer mais apito; quer, isso sim, ter o direito de falar no tribunal Russel, na Holanda, sobre seus problemas e direitos.

Tanto lutou o cacique Juruna que conseguiu, através de um habeas corpus, o direito de viajar para Amsterdam e falar em nome de seu povo (globalmente, todo índio faz parte de um único povo – o indígena). De nada adiantaram as objeções do ministro do Interior, coronel Mário Andreazza, e nem os esforços da Funai para obstar a viagem do valente cacique. Eleito presidente do tribunal Russel, Juruna irá mesmo falar, naquele seu modo rude e franco, expondo todas as arbitrariedades que estão sendo feitas contra os índios.

O episódio da tentativa de impedir a viagem de Juruna só depôs contra o governo brasileiro, pois ficou patente o abuso de poder do ministério do Interior. O fato de o índio ser tutelado, no Brasil, não autoriza nenhum órgão governamental a cercear o direito de ir e vir do indígena. Por outro lado, o julgamento favorável do habeas corpus abriu um precedente histórico, visto que, de ora em diante, a justiça brasileira reconhece aos indígenas a capacidade civil de representar o Brasil no exterior.

Também não entra em questão o mérito do reconhecimento ou não, de parte do governo brasileiro, da validade do tribunal Russel. Reconhecendo ou não o tribunal, o Governo terá de ouvir as justas queixas dos indígenas, dada a repercussão mundial que essas queixas terão. E isso será ótimo pois, quem sabe, de agora em diante poderão ser tomadas medidas efetivas, em favor do índio brasileiro, antigo dono da terra e hoje relegado à condição de miserável em fase de extinção, como se fosse um tipo de animal selvagem.

Acredito que o rude, porém hábil, cacique Juruna fará um belo papel na Holanda, denunciando sem temor as arbitrariedades, desmandos e omissões feitos contra os seus irmãos. O famoso “índio do gravador”, agora famoso no mundo inteiro, vai demonstrar que índio não quer mais apito, índio agora quer é ter direito de viver em paz na terra onde nasceu.

**************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

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