Furos Em Reportagem

História do Peninha, de 1982.

Em jornalismo, um “furo de reportagem” é aquela notícia “quente” que uma única equipe de jornalistas tem em absoluta primeira mão e dá antes que todas as outras.

Só que a guerrinha particular entre Urtigão e Juca Piau já deixou de ser novidade faz tempo. Essa notícia é, aliás, mais velha do que andar para a frente. É uma verdadeira “furada”. Já o verdadeiro “furo”, aqui, vai ser mais nos repórteres do que realmente em qualquer outra coisa, e por isso o “em” no lugar de “de” no título. Mas nem por isso os nossos intrépidos jornalistas vão deixar passar a chance de bancar os “correspondentes de guerra” por um dia.

Além disso, esta é uma pequena parábola sobre a futilidade de todas as guerras. Os dois turrões estão brigando há tanto tempo que até já esqueceram o motivo, ou quem começou a briga, ou quem é que está brigando com quem.

  

Outro problema de todas as guerras é que, uma vez que alguém se envolve, é muito difícil se manter isento ou até mesmo evitar cair vítima delas. Assim, os dois jornalistas passarão rapidamente à condição de “espiões” e logo em seguida “prisioneiros” de guerra, enquanto ao Tio Patinhas caberá a “missão de resgate” e a “negociação” para a libertação deles.

E desse modo papai nos dará mais uma última lição nesta pequena “aula de guerra”: a de que, quando se pensa mais em dinheiro do que no valor das vidas humanas, é “mais barato” (e até mesmo mais lucrativo) se envolver nela e deixar rolar até que ela se defina sozinha do que tentar negociar a paz.

Qualquer semelhança com as políticas externas de alguns países por aí não terá sido mera coincidência.

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A Gincana A Fantasia

História do Zorrinho, de 1983.

Semelhante à “Grande Gincana de Patópolis” de 1975, mas transportada para o universo das crianças e de suas antigas brincadeiras, esta também é uma corrida que será sabotada por membros da família Metralha. Mais exatamente, os Metralhinhas.

Os métodos desleais deles serão, aliás, mais ou menos os mesmos, incluindo as tachinhas espalhadas pelo caminho para estourar pneus, mas com uma trama bem mais simples, sem mapas nem grandes mistérios para o leitor resolver.

O tema adicional das fantasias serve, é claro, para criar um conveniente pretexto para a presença dos sobrinhos do Donald com sua fantasia predileta de Zorro. Mas hoje, em lugar dos cavalinhos de madeira com cabeça de meia, eles se locomoverão em bicicletas.

Seu objetivo, como na maioria das histórias do tipo compostas por papai, será defender as sobrinhas da Margarida das trapaças dos meninos malvados, sem revelar que eles são três e fazendo parecer que são apenas um patinho.

Interessante vai ser a reação dos Metralhinhas ao ver o Zorrinho levar a melhor. Eles são tão arrogantes em suas traquinagens desleais que até se esquecem de que o que estão fazendo é errado.

Muitas pessoas são assim até mesmo depois de adultas, não é mesmo? Adoram apontar o dedo para os erros dos outros, enquanto convenientemente se esquecem de seus próprios. E é desse modo que elas muitas vezes acabam denunciando a si mesmas, pela hipocrisia de seus atos.

Não se esqueçam, crianças: toda maldade é burra.

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O Clube Dos Garotos

História da turma das crianças, de 1983.

Note-se, para começar, que o clubinho se chama “Dos Garotos”, mas inclui também as meninas com muita naturalidade. “Garotos” aqui, é sinônimo de “crianças”, de “garotada”. É a mesma lógica, aliás, das pessoas que usam a palavra “menino” para significar crianças de ambos os sexos.

O problema aqui, diga-se de passagem, passará longe do velho clichê do “menina não entra” do Clube do Bolinha nas histórias em quadrinhos da Luluzinha. A “guerra” aqui, não será a fútil “guerra dos sexos”, mas uma muito mais séria batalha do bem contra o mal.

Formar clubinhos é mais um dos aspectos das brincadeiras de crianças de outros tempos que papai gostava de abordar em suas histórias. Já vimos, por exemplo, o “Clube dos Peraltas”, que foi uma espécie de “antítese” do de hoje, no qual os Metralhinhas, os Manchinhas e os Bruxinhos disputam para ver quem vai mandar.

E hoje também veremos a questão da desunião e falta de harmonia nas brincadeiras infantis. Uma das coisas mais complexas que uma criança tinha de aprender, logo cedo, era como negociar as brincadeiras com outras crianças. Nem sempre todos queriam brincar da mesma coisa, e algumas crianças podiam ser bem teimosas na hora de defender suas próprias escolhas.

Significativamente, é justamente quando a criançada do bem não consegue decidir qual será o objetivo do clube que elas abrem a brecha para o ataque dos Metralhinhas, que vêm para “tomar o poder” no clubinho, assumindo a presidência na marra e tentando forçar as outras crianças a fazer suas vontades.

O desafio, hoje, será arranjar um jeito de expulsar os indesejáveis sem precisar partir para uma briga violenta.

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O Gênio Da Garrafa

História dos Irmãos Metralha, de 1980.

Poderia haver alguma utilidade ou valor em coisas que se acha em um lixão? Mesmo que esse “lixo” seja uma antiga garrafa com um gênio dentro? Ou será que neste caso o “lixo” é o próprio gênio?

Há quem diga que “o lixo de uma pessoa é o tesouro de outra” e muita gente hoje em dia (designers e artistas plásticos inclusos) está tentando transformar lixo em luxo em nome da sustentabilidade, seja por reciclagem, reuso ou reaproveitamento de materiais do dia a dia como móveis quebrados, embalagens de alimentos, restos de tecidos e sacolas plásticas, por exemplo.

Mas alguns tipos de lixo, como veremos nesta história, não estão no lixão por engano e realmente não servem para nada. A primeira pista disso é que o personagem principal hoje é o Azarado, de quem também não se pode esperar nada de útil.

Já a aparência “ametralhada” do gênio em questão também dá pistas de sobre como os seus poderes funcionam e como ele consegue materializar as coisas que os Metralhas pedem.

Isto pode ser interpretado também como uma reflexão sobre processos criativos em geral, já que só quem cria “tudo de nada”, se formos acreditar nos preceitos das principais religiões, é Deus. A nós, meras criaturas, por melhores artistas ou artesãos que possamos ser, cabe somente “reaproveitar” os materiais que encontramos na natureza à nossa volta, por mais nobres e valiosos que eles sejam, para conseguirmos materializar as ideias que brotam de nossas mentes.

O nome do gênio, Salam-Inhu, é mais uma criativa alfinetada de papai na cultura árabe, já que “Salam” significa “Paz” no idioma deles, mas o sufixo cria uma contradição em termos ao nos lembrar o alimento “salaminho” que leva, significativamente, carne de porco em sua composição. Isso faz com que os muçulmanos o rejeitem como algo impuro (o que, aliás, é mais uma pista sobre as características deste gênio em especial).

De resto, todas as regras da magia sobre gênios da garrafa tradicionais se aplicam, como o limite de três desejos e os pedidos atendidos ao pé da letra.

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Um Mistério Muito Louco

História do coelho Escovão, da turma da Fofura de Ely Barbosa, publicada pela Editora Abril na revista da coelhinha número três em agosto de 1987.

Ao colocar o Escovão como detetive particular papai está desenvolvendo ideias que vêm desde detetives da literatura, como Sherlock Holmes, e passam por personagens das histórias Disney, como o Mickey detetive e a Agência Moleza do Zé Carioca.

Em todo caso, ao contrário de outros detetives dos quadrinhos, que não conseguem resolver um caso nem mesmo se a solução estiver bem na frente do nariz deles, o Escovão mata a charada de primeira e em seguida convida o leitor a fazer o mesmo.

O resto das influências vem de Alice no País das Maravilhas, com a representação do Chapeleiro Maluco, o Coelho Branco, o Barrigudinho e a Lebre Maluca. Mas a pista central para o leitor é a de que todos eles, à exceção do Barrigudinho, têm cara de gente malvada.

O leitor mais atento não tardará a associá-los com os vilões da turminha, Capitão Biruta e Tantan, e deduzir que é tudo um plano deles para tentar fazer o Escovão de bobo.

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Carnaval Em Patópolis

História de Carnaval, de 1982.

Esta deve ser uma das mais criativas histórias de papai sobre o tema. Ela consegue reunir, em 15 páginas, tantos personagens diferentes que nem é lá muito fácil saber quem é o personagem principal da trama.

A história começa como uma competição entre Patinhas e Patacôncio para ver quem organiza a festa de Carnaval mais bem sucedida. A ideia é ver qual salão vai lotar, e qual dos organizadores vai ficar com o seu salão vazio.

Assim, como jogada de marketing, o Peninha (sempre bom publicitário) sugere trazer do Rio de Janeiro o Zé Carioca, contratado como carnavalesco. O Zé, por sua vez, tem a ideia de organizar um concurso de fantasias de alto luxo (como as que aconteciam no Teatro Municipal da Cidade Maravilhosa em seu auge), com a “milionária carioca” Rosinha fantasiada de Rainha de Manoa e usando jóias de verdade (como também já aconteceu em muitas festas de Carnaval organizadas por e para gente muito rica), para chamar a atenção.

Isso, é claro, vai atrair não apenas o público em geral mas também ladrões como o Mancha Negra. Portanto, será preciso chamar o Mickey e o Pateta para fazer a segurança da festa. Além disso, ao ver sua festa dar com os costados na praia, o Patacôncio fica furioso e resolve entrar de penetra para tentar estragar o evento do rival. O que começa como uma festa de carnaval e uma competição entre dois magnatas logo vira uma história policial para ninguém botar defeito.

E é aí que papai começa a brincar com as percepções do leitor: como o baile é a fantasia, qualquer pessoa pode estar fantasiada de qualquer coisa. O leitor sabe das intenções do Mancha. Assim, quando o Coronel Cintra entra duas vezes, uma sem e outra com convite, e ainda por cima começa a se comportar de um modo totalmente bipolar, o Mickey e o Pateta tiram as próprias conclusões, e o leitor vai na deles.

Preste atenção na cena abaixo, caro leitor: você tem certeza de que todos são o que parecem ser? Que o “Coronel” está com más intenções é óbvio. Mas o que fazem ali os Metralhas com essa calma toda? E por que o Pateta estaria com essa cara de quem comeu e não gostou?

De pista em pista, tudo será revelado, o bandido preso e a confusão desfeita. Mas, até lá, as risadas também serão muitas.

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O Roubo Da Diligência

História do Zorro, de 1974.

Em mais um embate entre o Zorro e o Águia, este é um elaborado plano do vilão para criar uma emboscada para o herói usando seu “ponto fraco”, esse “estranho” senso de justiça, essa “mania”, (na opinião dos verdadeiramente maus), que o mocinho tem de combater a criminalidade e defender os cidadãos da Califórnia da tirania dos políticos. Criminalidade e tirania essas que, aliás, como papai irá demonstrar, muitas vezes andam de mãos dadas e servem uma à outra.

A trama se parece bastante com uma partida de xadrez. Os primeiros movimentos são aparentemente bastante simples e despretensiosos, mas a coisa toda vai rapidamente evoluindo para uma verdadeira batalha mental entre os dois adversários.

A princípio tudo parece ser “apenas” um assalto a uma diligência, mas o caldo começa a engrossar logo no primeiro quadrinho da terceira página, quando é mostrado que os soldados de Los Angeles tudo viram e nada fizeram. Só isso deveria bastar para sinalizar ao leitor atento que algo está muito errado nessa história.

Mas será apenas gradativamente que a verdadeira extensão do plano maléfico irá se descortinando em sua totalidade, uma pista de cada vez, à medida que Dom Diego vai discretamente investigando o que pode estar acontecendo. O plano é realmente muito inteligente, mas o Zorro é mais e logo conseguirá conectar os pontinhos e novamente frustrar os vilões.

Ele só cometerá um erro: profundamente ofendido pelo ataque covarde a seu pai que ele não pode impedir para não revelar a sua identidade secreta, o Zorro/Dom Diego não resistirá à tentação de se vingar. Isso só não terá consequências mais graves porque o capanga do Águia é realmente burro, mas serve para mostrar que Dom Diego, no final das contas, não tem “sangue de barata” e que o Zorro, apesar de sua fama de quase sobrenatural, é também um mortal muito humano.

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