O Ladrão De Casaca

História da família Metralha, de 1976.

“Arsène Lupin, o Ladrão de Casaca” é um personagem criado pelo escritor francês Maurice Leblanc em 1907. A intenção do autor era justamente contrastar conceitos e brincar com as ideias preconcebidas das pessoas de sua época.

Para a maioria das pessoas daquela época, ladrões e bandidos em geral eram uma gente feia, suja, embrutecida, sem modos, sem educação e sem valores morais. Já as pessoas boas eram sempre representadas na literatura como o completo oposto: belas, ricas, educadas e refinadas. O anti-herói francês também tem algo de Robin Hood, que roubava dos ricos para dar aos pobres.

Já o antepassado dos Metralhas é bem menos do que tudo isso. Ele é apenas um “mãos leves” pomposo e arrogante, mas é admirado por seus descendentes porque, pelo menos, não era um reles ladrão de galinhas como eles.

Mas o problema de quem tem apenas um modus operandi (ou modo de operação) é que às vezes o plano dá errado e o bandido se dá mal. O caso, aqui, não poderia ser diferente.

De qualquer maneira, enquanto o desfecho esperado não vem, papai aproveita para salpicar frases simples em francês pelos quadrinhos, convidar o leitor a consultar um dicionário de português, e brincar com os colegas da redação.

O desfecho é uma brincadeira com a “casaca” no apelido do ladrão: já que, desta vez, ele não conseguiu roubar nenhuma joia, será humilhantemente preso por roubar… uma casaca.

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O Conto Da Cascata

História do Sr. X, o “Rei do Crime”, de 1976.

O chamado “Golpe da Cascata” existe de verdade, e é mais uma das modalidades dos chamados “contos do vigário”, nos quais um ou mais golpistas exploram a ingenuidade, ganância ou até mesmo desonestidade de uma vítima incauta para ficar com o dinheiro dela.

Os quadrinhos desfiam, em todos os detalhes, o modo como um golpe desses se desenrola. Disfarçado, o chefe do bando inicia a encenação e o resto da quadrilha continua com o plano.

A coisa toda transcorre de modo bastante fácil. Na verdade, parece até mesmo um pouco fácil demais. O leitor que estiver esperando para ver o momento em que a vítima vai reagir, ou a polícia vai aparecer, ou algo no gênero, vai se sentir realmente frustrado. Será que, desta vez, a pretensa quadrilha conseguirá, finalmente, cometer um crime? E se conseguir, será mesmo que os bandidos vão sair impunes?

De certo modo, quem está aplicando um “golpe” é papai, com seu hábito de espalhar pistas falsas e apresentar situações que não são o que parecem ser. Seja como for, esta história serve como uma ferramenta educacional, ensinando o leitor a reconhecer o conto do vigário para que tenha uma chance de não cair nele, caso se veja na mesma situação no futuro.

E sim, os vilões vão se dar mal no final, como não poderia deixar de ser. O problema é que, como eu já disse no passado, “para cada idiota que se faz de monstro, existe um monstro que se faz de idiota”. Quem ler, verá.

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Pescadores De Águas Turvas

História do Zé Carioca, de 1981.

Pescar, mais do que um esporte, é uma arte e uma aventura. Você sabe como vai chegar à beira da água, mas nunca como, exatamente, estará quando sair de lá.

O fato é que quanto maior e mais velho o peixe, mais difícil é capturar o animal, especialmente com técnicas mais simples de pescaria como vara, linha e anzol. É como no caso do ditado que diz que “macaco velho não bota a mão em cumbuca”: o bicho já passou por tantas encrencas (e escapou de todas, é claro) que conhece todos os perigos e todos os truques, e não se deixa mais capturar.

E algumas espécies de peixes são mais espertas e difíceis de pegar que outras, como as Carpas e as Trutas. Estas últimas, aliás, são tão espertas que seu nome virou uma espécie de gíria para “enganação”, ou “engodo”. A expressão “sai que é truta (ou treta)” é uma advertência contra uma possível cilada.

Papai aqui fala de uma carpa em uma lagoa, mas a referência é a um antigo conto sobre “aquela velha truta” que pescador nenhum consegue pegar, e que, ao final da aventura, parece estar rindo do pobre coitado que ousou enfrentá-la. Nós lemos esta história há décadas em alguma já velha edição do “Readers Digest”, se não me falha a memória, mas não lembro muitos detalhes.

Mas a história, aqui, é basicamente a mesma: são as várias e acidentadas tentativas de pegar um peixe enorme que sempre consegue escapar do anzol, de maneiras cada vez mais espetaculares, para a diversão do leitor.

O nome da lagoa, “Pirajadaí”, pode ter algo a ver com a localidade de Pirajuí, no Estado de São Paulo, mas é mais provavelmente um simples jogo de palavras. “Pirar”, em gíria, quer dizer “sair”, ou fugir (como em “vou pirar daqui”). Seria então uma advertência para que os dois saiam logo dali, porque o lugar “não está para peixe”.

Já a expressão “pescar em águas turvas”, aqui usada como título, é um velho ditado português que significa “procurar tirar proveito/vantagem de uma situação confusa ou difícil”. Mas isso, como a carpa desta história poderia dizer, é o que veremos.

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O Bicho Papão

História da Turma do Lambe Lambe, de Daniel Azulay, escrita em maio de 1982 e publicada pela Editora Abril na revista da turma de número 10, em fevereiro de 1983.

Esta história é uma variação sobre o tema da “fórmula de fazer crescer árvores” que papai criou para o Professor Pardal alguns anos antes e que foi publicada em 1980 na trama intitulada “Sementes da Confusão”. O problema básico é o mesmo: o desmatamento rápido e crescente que está acabando com a floresta e ameaçando os animais de extinção.

A solução proposta, também: uma fórmula química e meio mágica criada pelo cientista para promover o crescimento super-rápido de plantas dos mais variados tipos para recompor a floresta devastada.

Mas é claro que papai não se limitaria a fazer uma mera cópia de outra história. Aqui ele coloca elementos novos, como o Bicho Papão em pessoa (e também os Sacis, mostrados como animais da floresta, além de coelhos e outros bichos mais comuns) como vítima e queixoso do desmatamento, e a distribuição das sementes preparadas com a fórmula por via aérea.

O elemento que liga o começo ao final da história é o nervosismo de galinha da Xicória, que tem medo de tudo e de todos, pelo menos até a metade da história. Quando ela finalmente perde o medo, a situação então surpreendentemente se vira ao contrário, “contra” ela, para a diversão do leitor.

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Que Rei Sou Eu?

História do Pena das Selvas, de 1983.

Este é o “duelo do século”: Pena das Selvas contra Barzan! O próprio Pena é inspirado no Tarzan, e se intitula o “Rei das Selvas”, como também era chamado o original.

A linha de raciocínio, aqui, parece ser um exercício de imaginação sobre o que poderia acontecer se o Tarzan viesse tirar satisfações com o Pena das Selvas pelo “plágio” aparentemente cometido. No duelo que se segue a turma da selva se divide em duas hilárias torcidas fanáticas.

Mas as referências para esta história são mais profundas do que pode parecer. Para começar, o título vem de uma antiga marchinha de Carnaval lançada em 1945 (eu disse que era antiga) por Francisco Alves, ou Chico Alves, para os fãs. Pelo sucesso que fez com seu vozeirão, o cantor chegou a ficar conhecido como “O Rei da Voz”. Nesta canção, ele parece ironizar o apelido.

Já a fala do Biquinhoboy, que diz “eu não quero nem olhar” é uma referência à atuação de Ary Barroso (sim, o mesmo compositor que criou a Aquarela do Brasil, que seria usada por Walt Disney no desenho animado de apresentação do Zé Carioca) como narrador de futebol na mesma época da marchinha de carnaval de Chico Alves.

Fã histérico do Flamengo, Ary Barroso muitas vezes se recusava a anunciar os gols dos adversários quando narrava os jogos do seu time do coração, ou se saía com essa de que “não queria nem olhar” quando seu time sofria um ataque, ou ainda chegava a desmaiar no meio da narração (que era mais torcida do que jornalismo, na verdade).

O problema era que, naquele tempo, as partidas de futebol eram transmitidas e narradas pelo rádio! Se o narrador não olhasse para o jogo e o descrevesse muito bem, como é que os ouvintes poderiam entender o que estava acontecendo em campo?

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Um Caso Macabro

História do Zé Carioca, escrita no finalzinho de 1982 e publicada pela primeira vez em 1985.

Trata-se de uma versão “atenuada” de “O Cão Dos Baskervilles”, um macabro romance policial de 1902 escrito por Sir Arthur Conan Doyle para os personagens Sherlock Holmes e Dr. Watson.

Na data da composição deste comentário a história ainda não estava creditada a papai no Inducks (tenho certeza de que alguém pulou uma linha ou esqueceu de apertar algum botão), mas com o nome na lista de trabalho e a revista na coleção, além do tema, é claro, já que fazer adaptações de grandes clássicos da literatura era um dos hábitos dele, não há dúvida da autoria.

Da história original ele usa a ambientação lúgubre, completa com um pântano e terrenos que expelem asfixiantes gases sulfurosos, o sobrenatural “cão dos infernos” (aqui um “cão fantasma” pintado com tinta fosforescente) e o “herdeiro torto” (um velho descontente que acredita ter direitos à herança) obcecado e capaz de tudo por dinheiro. Mas é claro que não poderá haver mortes nem nada de mais grave.

O Zé e o Nestor, chamados a investigar pela Rosinha, farão o papel do detetive famoso e seu ajudante, ainda que relutantemente, como sempre. O papagaio não é exatamente famoso por sua coragem, para se dizer o mínimo. Mas eles se esforçam e até mesmo conseguem resolver o mistério, na tentativa de “marcar pontos” com o Rocha Vaz. Será que desta vez ele conseguirá conquistar a simpatia do “sogrão”? Quem ler, verá.

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Um Mago Tantã

História das Bruxas, de 1975.

Trata-se de mais uma tentativa de roubar a moedinha número um, é claro, e esta é realmente caprichada. Mas, como sempre, um pequeno erro de execução leva a um resultado inesperado logo de saída e à necessidade de improvisar, o que colocará tudo a perder para as vilãs.

O “plano perfeito com erros de execução” é algo que também acontece muito com os Irmãos Metralha, aliás. E é assim também na vida de muita gente: é fácil sonhar e planejar, mas colocar em prática são outros quinhentos. E olhem que as palavras mágicas usadas são realmente uma invocação de antigos mistérios (ou, pelo menos, a primeira delas).

Mas talvez por isso mesmo, e pela força de uma magia real e milenar como a Cabala, o resultado não poderia favorecer às bruxas. Afinal, nas histórias em quadrinhos, a magia é como os computadores: faz o que você manda, não o que você quer. A invocação de uma força do bem não pode resultar em um efeito do mal.

O interessante é que os poderes do Mago Tantã, que acaba de se formar com nota 10 em um curso de magia branca, são perfeitamente prodigiosos: ele consegue voar sem vassoura, e tem um poder de concentração absurdo. Por alguns quadrinhos realmente parece que, desta vez, com a ajuda dele (que está sendo usado como inocente útil, aliás), nada conseguirá impedir as duas malvadas de conseguir o que querem, o que só demonstra o quanto a magia branca é realmente muito mais poderosa do que a magia negra.

E esse é o erro das bruxas más: se elas se dedicassem a usar seus grandes poderes somente para o bem, provavelmente já teriam conseguido o poder mágico e a riqueza material que tanto desejam, sem precisar roubar o amuleto dos outros.

Fica a dica, criançada. 😉

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