O Navio-Fantasma

História do Donald e do Peninha, de 1977.

Enviados pelo Tio Patinhas a uma localidade no litoral para um trabalho, os dois primos se vêm às voltas com o que parece ser um caso de aparição de fantasmas, completo com uma misteriosa caravela que aparece e desaparece aparentemente do nada.

Como sempre fazia quando compunha esse tipo de história, papai faz o mistério e o suspense aumentarem a cada quadrinho que se adiciona aos demais, mas também deixa pistas para que o leitor possa tirar suas próprias conclusões, com uma série de silhuetas escuras à espreita pelos cantos (mesmo que nosso amigo leitor precise, talvez, de uma lente de aumento para perceber do que se trata).

Quem serão essas pessoas, e quais serão as intenções delas? Também como sempre, nada nem ninguém é o que parece ser, e é melhor que o leitor atento desconfie de tudo e de todos, porque tudo é muito misterioso e muito suspeito. Na verdade, nem mesmo a função dos repórteres de A Patada na trama é o que parece ser.

Uma pista bastante óbvia do que pode realmente estar acontecendo é a ausência do pato muquirana do escritório, quando o Donald finalmente consegue encontrar um telefone fixo para tentar falar com o tio. (Pois é, houve um tempo em que nem se sonhava com telefones celulares, e esse tipo de desencontro era algo muito comum.) Se o Patinhas não está onde deveria estar, então onde está ele?

É preciso não esquecer que, na literatura de mistério policial na qual esta história se insere e à qual faz homenagem, nada acontece por acaso e o vilão é geralmente o personagem que menos levanta suspeitas.

Papai tira sua inspiração não apenas das tramas clássicas de estilo policial, de suspense, de terror e de mistério, mas também das histórias de piratas e ilhas do tesouro, completas com mapas antigos e grandes pedras em forma de caveira.

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A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

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No Tempo Dos Bucaneiros

Sátira histórica com o Metralha Azarado, de 1979.

Papai gostava de retratar “antepassados” dos Irmãos Metralha em diversos períodos da História mundial.

Desta vez é o Azarado 1313 que faz o papel de pirata, numa história contada pelo Vovô Metralha. Todos os clichês do Azarado se aplicam: todo navio em que ele embarca, afunda, por exemplo. Ele é também atrapalhado, a ponto de derrubar balas de canhão no próprio pé, e mesmo quando parece estar tendo alguma sorte, logo as coisas se viram contra ele novamente. Mas para um marinheiro que não sabe nadar, até que ele não se dá tão mal.

Há também várias referências às histórias clássicas de piratas e marinheiros: os ratos que acompanham o 1313 durante toda a história são, segundo a tradição, sempre os primeiros a abandonar um navio que está para afundar, mesmo que a tripulação ainda não tenha percebido o perigo.

“O Esquife”, nome do navio pirata que recolhe o Azarado depois do primeiro naufrágio, é sinônimo de “caixão” (isso, daqueles funerários). “Capitão Flint” é o nome do capitão fictício do navio pirata Walrus do livro A Ilha do Tesouro (1883) de Robert Louis Stevenson, e “Benn Gunn” é o nome de outro personagem do mesmo livro.

E a Ilha Barataria, que o Azarado acaba conseguindo alcançar com parte do tesouro, ficava na rota entre as ilhas de Grande Terre e Ilha Grande, na Louisiana, e era a base do contrabandista Jean Lafitte (1776 – 1826), um pirata e corsário francês que agia no Golfo do México no início do século XIX.

1313 pirata

Da mesma época é um tipo de munição de fragmentação para canhões chamado justamente “metralha“, de onde vem também a palavra “metralhadora”. Consistia de um cano ou rede de metal cheio de bolas e fragmentos menores do mesmo material.