O Circo Voador

História do Zé Carioca, de 1984.

Inaugurado em outubro de 1982 no bairro da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro, o “Circo Voador” é um daqueles espaços culturais tão importantes e benéficos para a população em geral que chegou a ser fechado por vários anos por um prefeito de Ego frágil.

Mas, me adianto. Voltando um pouco no tempo, na época em que esta história foi escrita ele havia acabado de abrir as portas, atiçando a curiosidade e a imaginação de todas as pessoas que se interessavam por espetáculos de circo, dança e música de todos os estilos em nosso País.

Mas acima de tudo, o nome do espaço cultural era o que mais intrigava as pessoas. Afinal, por quê “Circo Voador”? Papai, é claro, oferecerá sua própria explicação, que certamente causará muitas risadas ao leitor.

Outra definição com a qual ele brinca é a de “trapézio voador“, uma popular atração de qualquer circo que se preze. Quando bem executadas, as acrobacias desta modalidade podem ser realmente emocionantes. Mas não será este o caso, hoje.

Seria de admirar bastante se uma construção de fundo de quintal, feita por duas crianças com os aparatos de cama, mesa e banho da família para uma brincadeira, tivesse uma atração dessas.

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O Técnico Que Veio De Longe

História do Zé Carioca, de 1985.

Diferentemente da história homônima de 1979, já comentada aqui, desta vez o “técnico que veio de longe” não é o Zé. Também não estão envolvidos países distantes com costumes estranhos. O que temos hoje é um pássaro bicudo que vem bater na porta do clube lá mesmo no Rio e “chega chegando”, buscando impressionar a todos com seus diplomas e Curriculum Vitae.

Como o Xurupita não ganha um jogo há cinco anos, e também como todo fã de futebol pode atestar, a tentação de trocar de técnico na base do desespero será grande.

Mas a tese, aqui, é baseada em um velho ditado: “amadores construíram a Arca de Noé, enquanto profissionais construíram o Titanic”. Quer dizer, nem sempre um diploma cheio de carimbos e selos ou um CV cheio de títulos evita uma falha humana ou é garantia de talento. Junte-se a isso o fato de que esses documentos podem ser facilmente, digamos, “enfeitados” com informações cuidadosamente manipuladas para parecerem mais do que são, e a receita para a confusão está completa.

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A experiência da demissão será bastante sofrida para o Zé, que se sentirá positivamente humilhado, mas no final, quando o seu time querido estiver em apuros, seu coração “vilaxurupitano” falará mais alto e ele esquecerá qualquer ressentimento para ajudar a equipe a sair da enrascada.

Afinal, ninguém é melhor para liderar um time de futebol (ou qualquer outro projeto ou empreendimento, aliás) do que alguém que realmente ama o clube e o que faz. Esse é certamente o caso do Zé, mas pode não ser o do bicudo pretensioso que diz ter “bola” até no nome.

Uma série de detalhes torna a história tão interessante quanto engraçada, a começar pelo nome de um time de futebol fictício, o “Flumengo”, mistura quase alquímica dos rivais Fluminense e Flamengo. O Acácio é finalmente “promovido” de figurante a personagem, e tem até uma fala. E na primeira página temos um cartaz no mínimo curioso ao lado da flâmula do time. Isso é que é esperança.

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O Fabuloso Anel Dos Sete Encantos

História da Família Pato, criada em 1973 e publicada pela primeira vez em 1977.

Logo se vê que esta é da primeira fase de papai pelo “aroma” de Carl Barks que emana das páginas: a história se inicia em um local exótico chamado “Faroquistão”, com um cenário que fica entre o árabe e o indiano. A partir daí a coisa toda vai se desenrolando até voltar a Patópolis.

Apesar de o Tio Patinhas ser o personagem principal, o Donald será a maior vítima do Anel e de seus Encantos. Sim, porque os Sete Gênios ativamente encantam a quem estiver com o anel no dedo, chegando até mesmo a possuir a pessoa, ou tomar a forma de sua vítima aos olhos de outras pessoas.

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Ao que parece, é a vaidade de querer usar o anel que abre a brecha para a manifestação dos Gênios. O Patinhas passou 30 anos com ele, o comprou como investimento, mas nunca teve a tentação de colocá-lo no dedo e, assim, esteve esse tempo todo imune aos encantos do anel e alheio aos seus “ocupantes”. Tudo o que interessa a ele é o lucro pelo lucro, e não por vaidade.

Anéis mágicos são comuns em histórias de magia, misticismo e mitologias em geral. Assim como as lâmpadas e as garrafas, eles também podem abrigar gênios ou conceder grandes poderes aos seus usuários. Neste caso específico, as leis que o regem fazem com que ele ele seja totalmente inútil como investimento. Reza a lenda que a verdadeira magia (assim como a verdadeira espiritualidade e até mesmo algumas religiões, como o Espiritismo), não pode ser usada para o lucro ou o acúmulo de bens materiais.

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Esse, certamente, será o maior problema do Tio Patinhas nesta história, mas nada que o impeça de tentar lucrar com o anel a qualquer custo, até o final. Pobre pato rico.

A história é rica em nomes sugestivos: o psiquiatra se chama Dr. Omar Luko (maluco), o vigarista se chama Alvigh Arista, e há os gênios, é claro, cada um com seu nome que denota seu principal poder mágico.

Alguns desses nomes são mais fáceis de interpretar: Adivinhon (adivinhão), Trapalhon (trapalhão), Iluson (ilusão), Colericon (cólera, raiva) e Pilheron (pilhéria, zombaria). Se não me falha a memória, o Pilheron, de cor amarela, é mais uma caricatura do desenhista Acácio Ramos.

Outros dois têm nomes que demandam um pouco mais dos conhecimentos gerais do leitor: Rubicon é uma referência ao Rio Rubicão, na Itália. Pela lei antiga, todos os exércitos de Roma eram proibidos de atravessar o rio. Assim, um não invadiria a área do outro, e o equilíbrio político seria mantido. Mas Júlio César o atravessou com seu exército no ano 49 antes de Cristo e com isso deu início a uma guerra civil. Mais do que Colericon, que provoca a cólera em suas vítimas, Rubicon já vai partindo para a pancadaria e arrastando o dono do anel com ele.

Já Morfeon é uma referência a Morfeu, um dos deuses que regem o sono e os sonhos na Mitologia Grega. Seu poder é colocar o dono do anel para dormir e sonhar. Isso até pode ser uma coisa boa, mas não tem nenhuma utilidade prática. Nesta primeira história, ele é representado por papai como invisível. Já na do Zé Carioca, comentada ontem, ele tem um rosto e uma cor. Isso acontece porque, segundo o próprio Gênio verde Adivinhon, eles só são visíveis às pessoas se quiserem ser vistos.

O maior problema dos gênios, e é isso que os torna virtualmente inúteis, é que eles não se entendem entre si. Vivem brigando e atrapalhando uns aos outros, além de confundir terrivelmente o dono do anel, que fica como o proverbial cego no meio do tiroteio. Assim não há “amo” que aguente. Mas a sugestão da Margarida, no final, merecia mais uma história: o que faria o Gastão, afinal, de posse do anel? Será que sua sorte o protegeria, ou ele se daria tão mal quanto os outros?

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Pen-El, O Peninha Eletrônico

História do Professor Pardal, de 1983.

O Tio Patinhas despediu o Peninha novamente e resolveu inovar: para não “correr o risco” de ter de recontratar o sobrinho abilolado mais uma vez, ele encomenda um “Peninha eletrônico” ao Professor Pardal.

Como em toda história em quadrinhos de ficção científica, ou que apresenta aparelhos de alta tecnologia, alguns clichês se aplicam, como os robôs humanoides que obedecem ordens ao pé da letra. Aqui, por aparentemente desconhecer o “A” craseado, o Pen-El já começa causando. É por isso que eu sempre digo, crianças: estudem muito bem o uso da crase. Não é assim tão difícil, e faz uma diferença danada.

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Hoje temos também uma pequena pista sobre os motivos de o pato Peninha ser tão atrapalhado e esquecido. Ele pode estar sofrendo de estresse crônico no ambiente de trabalho, por acúmulo de tarefas e salário demasiado baixo. Uma pista disso é a sutil mas significativa primeira reação do Pen-El à sua nova programação.

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O resto da história descreve o que o robô faz da programação que lhe foi dada, o que só reforça a tese do estresse do Peninha (que, aliás, não aparece nesta história nem por um momento). Se o excesso de atribuições é capaz de embaralhar os circuitos do Pen-El a esse ponto, imaginem o que ele não faz aos neurônios de um simples pato mortal.

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Tio De Peixe, Peixão É

História do Zé Carioca, de 1984.

Não é nenhuma novidade que o Zé é “vida mansa”. Também não é segredo que, para ele, a vida é um eterno domingo. Ele também já está até acostumado com a implicância do pai da Rosinha, mas a verdade é que tudo tem limite, e ele tem toda a razão de se revoltar, principalmente quando, repreendido por estar indo pescar em plena segunda feira, ele descobre que o Rocha Vaz pretende fazer a exata mesma coisa no exato mesmo dia.

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Até aí, tudo bem… O problema é que o velho tucano praticamente intima a filha a ir com ele. Desconfiada, a Rosinha dá um jeito de levar o Zé com ela, no que faz muito bem. Já no avião ela descobre que tudo não passa de um plano do chato Zé Galo e de seu pomposo tio, Epaminondas, para dar o golpe do baú.

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A história contém também vários elementos de antigas piadas de pescador, e a ambientação de selva, com a pescaria no Rio Araguaia, lembra bastante também antigas histórias do Luis Carlos, rival anterior do Zé pela mão da Rosinha. Mas é claro que, se ele não conseguiu nada com ela, por que o galo conseguiria? A diversão não é saber se o plano vai ou não dar certo, mas sim como é que vai dar errado.

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A Paixão Do Pedrão

História do Zé Carioca, publicada uma única vez em 1984.

O tema, aqui, é “dia dos namorados”. Todo mundo na vila está namorando. O Zé com a Rosinha, o Nestor com a Gilda, e até o Afonsinho, com uma moça de aparência bastante desengonçada, como ele próprio. Todos, quer dizer, menos o Pedrão. Esse é o “do contra”. Não tem namorada, e acha que não precisa, que é “perda de tempo”, e que é melhor ir cuidar de sua granja em vez de ficar de namoricos.

A “granja” é a área em volta da casa do Pedrão, que é um pouco mais afastada das demais casas da Vila Xurupita. Lá ele plantou um pomar, completo com jaqueira e bananeira, além de goiabas e outras frutas comuns em plantações desse tipo nas casas do interior (e até das cidades) dos tempos de infância de papai, frutas essas que o Zé adora “pegar emprestado” de vez em quando. Esse pomar já foi mostrado com mais detalhes em histórias como “O Caso das Frutas Furtadas”, já comentado aqui. Para a área merecer a denominação de granja, o Pedrão provavelmente está criando galinhas no quintal, também.

O caso é que é dia dos namorados e o Zé precisa retribuir o presente da Rosinha, mas como sempre – está sem dinheiro. Por isso ele tem a ideia de fazer uma aposta com o Pedrão, que se acha “imune” às coisas do amor, e até arma um truque para fazer o amigo se apaixonar ainda naquele mesmo dia e pagar o presente que ele quer dar à namorada. Mas a verdade é que nem vai ser preciso planejar tanto, e nem mesmo passar a perna no proprietário da granja de quintal. Ninguém é realmente imune à magia do amor, especialmente no dia dos namorados.

A chegada de uma parente do Nestor criada por papai em 1982, a bela Prima Vera (um jogo de palavras com a estação do ano “Primavera”) vem a calhar para o plano. O duplo “V” no nome da viação no ônibus no qual ela chegou (e como mulher sofre! Lembrem-se, rapazes, respeito não é favor, é obrigação) é uma abreviação de “Viação Vai e Volta”.

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O tanque na área de serviço da casa do Pedrão também é algo que era comum em casas do país inteiro, e que tínhamos, nós também, na nossa casa em Campinas. A diferença é que, em casa, essa área era coberta e fechada. Esses elementos visuais não são coincidência, nem inserção do desenhista. Papai tinha o maior cuidado em dar um ar genuinamente brasileiro, e o mais autêntico possível, às histórias do Zé Carioca. A intenção era mostrar o Brasil como ele realmente é, e não de acordo com a “visão americanizada” das primeiras histórias do personagem, quando de sua criação.

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