Pepinos No Planeta Dos Tomates

História do Peninha, criada em 1982 e publicada pela primeira vez em 1984.

Pena Gordon, o mais atrapalhado herói do universo, é uma homenagem ao Flash Gordon de Alex Raymond, personagem espacial dos quadrinhos clássicos criado nos anos 1930.

Outra referência é o nome que o Pena resolve dar à nave espacial que passa a usar no final da história: “Penática, Astronave do Tomate” é uma brincadeira com “Galáctica, Astronave de Combate”, de uma série de TV popular surgida em 1978.

Pena Gordon

Além disso, o Pena Gordon de papai tem também qualquer coisa de Han Solo, como comerciante/mercenário/contrabandista espacial.

A trama em si gira em torno de uma carga de tomates que deve ser enviada a um planeta distante onde tudo é movido a suco de tomate, mas que é roubada no caminho por uma quadrilha de Metralhas espaciais.

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O título faz uma brincadeira com o nome de um outro vegetal que é sinônimo de problemas, o pepino. Mas é claro que chamar a história de “Problemas no Planeta dos Tomates” não teria a mesma graça.

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É Isso Aí: Bichos!

Pode-se dizer que esta história do Zé Carioca, publicada pela primeira vez em 1976, é até mesmo futurista. Já o título é mais uma brincadeira com a cultura hippie, que estava em alta naqueles tempos.

O Zé, a Rosinha e os sobrinhos Zico e Zeca vão fazer um piquenique em alguma floresta próxima à cidade do Rio de Janeiro, e surpreendentemente começam a dar de cara com todo tipo de bicho, e pior: a maioria deles nem nativa do Brasil é. São africanos.

Aí vem a primeira, e talvez maior referência às clássicas histórias do Tarzan, que colocam esses animais africanos dentro de frondosas florestas que têm mais a ver com a selva amazônica do que com as savanas africanas, terras semi áridas de vegetação rasteira e poucas árvores, onde esses bichos realmente vivem.

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Papai uma vez me disse que achava isso um absurdo, mas que até entendia como as misteriosas florestas podiam ser bem mais interessantes, do ponto de vista dos quadrinhos e do cinema, do que as amarelas savanas.

ZC sanduiche

O Zé, em um comportamento também clássico, primeiro tenta começar a comer antes dos outros, e depois se faz de valente, até mesmo para tentar esconder o próprio nervosismo.

ZC valente

E quando eles se veem cercados de bichos por todos os lados, finalmente aparece o dono do lugar, que é prontamente apelidado pelo Zé de Jim das Selvas, em mais uma referência aos clássicos quadrinhos de aventuras na selva.

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O interessante é o tamanho do controle remoto dos bichos (sim, são autômatos) que o homem usa: mais parece uma caixa de fósforos. Certamente um prodígio da técnica para aqueles tempos de máquinas analógicas e enormes. É por isso que eu digo que esta história é “futurista” controles remotos como esse não existiam até bem pouco tempo atrás.

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Mas havia um lugar no mundo onde esses animais mecânicos existiam, já naquele tempo: a Terra da Aventura, no Disney World, com os seus animais mecânicos movidos por barulhentos motores hidráulicos, e esta é certamente mais uma das referências desta história.

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O Planeta Dos Palhaços

História do Mickey, publicada pela primeira vez em 1978.

Esqualidus leva a Mickey e Pateta para dar uma voltinha pelo universo em seu foguete, como quem leva os amigos para passear de carro pela cidade.

O foguete, aliás, lembra muito algo saído de uma história do Flash Gordon.

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O Mickey, sempre um pouco sério demais, só pensa em voltar porque tem um compromisso na Terra com a Minie. Daí que ir parar num planeta habitado por palhaços parece ser uma certa “punição” que o mocinho recebe por ser tão absolutamente sério.

Planeta Palhaços

É claro que, sendo uma história de Mickey e Esqualidus, não poderia faltar uma atmosfera de aventura, um mistério do tipo policial para solucionar, inocentes a salvar e bandidos a punir. Há algo de sinistro por trás de todo esse monte de palhaços alienígenas que habita o novo planeta de ar convenientemente respirável e palhaçadas tão prontamente reconhecíveis, mas nada que nossos amigos não possam enfrentar e vencer com um pé nas costas.

Mas me parece que para papai, mais do que o enredo em si, a história é um pretexto para fazer uma homenagem a Alex Raymond e aos quadrinhos clássicos de ficção científica.

Perigo No Pólo Norte

A história que fecha esta trilogia de 1983 não poderia ser mais espetacular.

Novamente, a aventura em si começa após uma breve introdução, para lembrar aos leitores dos capítulos anteriores, e para dar o contexto a quem os perdeu e só começou a ler agora. E novamente, temos a caçada a um metal valioso, a presença disfarçada do Patacôncio na equipe do Patinhas, e o encontro com os alienígenas, desta vez em condições um pouco diferentes.

Mais uma vez tirando inspiração das teorias que existiam na época sobre a presença de seres de outros planetas na terra, no passado e na atualidade, papai usa a teoria da Terra Oca cuja entrada estaria no pólo norte, de acordo com livros como “Eram os Deuses Astronautas?” de Erich Von Daniken, que ele tinha em sua estante e certamente leu.

Terra Oca

As cenas que mostram a cidade futurista do povo da Terra Oca também lembram muito os quadrinhos clássicos de ficção científica, como por exemplo “Flash Gordon no Planeta Mongo”, de Alex Raymond.

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Chegando à Terra Oca, os patos encontram, além dos alienígenas, um povo altamente desenvolvido do ponto de vista tecnológico. Desta vez não é possível simplesmente mandar tudo pelos ares no final da história, sem prejudicar seriamente um povo que não tem nada a ver com esta briga. Uma solução mais elaborada terá de ser encontrada.

E a solução que papai encontrou foi criar uma batalha entre patos e alienígenas, que termina com uma espetacular revoada de discos voadores sobre Patópolis, acompanhada dos clássicos comentários do povo no chão, do tipo “será um pássaro, será um avião?”.

discos voadores

O mais interessante é que o final da história tira a existência de seres de outros planetas do campo da mera especulação, prova sua existência para as câmeras de TV, e a transfere para o campo da ciência, proporcionando grandes avanços à humanidade. Isso é o que ele teria gostado de ver acontecer na vida real, também.

Isso, entre outras coisas, é claro. Quem ler (quem sabe um dia) verá.