No País Das Maravilhas

História do Morcego vermelho, de 1979.

Esta história “faz par” com “Na Terra dos Espelhos”, outra história do Morcego Vermelho que tem como tema os livros de Lewis Carroll, e que foi publicada em 1976.

Desta vez alguém pede socorro ao nosso herói e acusa o Coelho Branco, que está passando correndo, de ter roubado o seu relógio. O Morcego nem tem tempo de ver quem é que está pedindo ajuda, mas, como herói, se lança imediatamente no encalço do acusado, que entra no buraco de uma árvore. Com uma pequena “ajuda” de um pé desconhecido, ele cai no buraco e começa a passar por toda uma experiência no País das Maravilhas.

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Uma vez lá, ele vai encontrando os vários personagens clássicos do livro “Alice no País das Maravilhas”, como o Dodô, o Rei e a Rainha, o Gato Risonho, o Chapeleiro Louco e o exército de cartas do baralho.

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Mas há algo muito estranho nessa história toda, a começar pelo pontapé que o enviou a essa aventura maluca. Mais uma vez, o leitor se sente convidado a fazer o papel do detetive e tentar entender o que está acontecendo, enquanto o próprio Morcego Vermelho também vai gradualmente resolvendo o mistério e por fim acaba se libertando da situação.

Na Terra Dos Espelhos

História do Morcego Vermelho, publicada em 1976.

A inspiração de papai para esta história foi o livro Alice Através do Espelho (e O Que Ela Encontrou Por Lá), de Lewis Carroll, o mesmo autor de Alice no País das Maravilhas. Também chamado de “Alice No País Dos Espelhos”, a história do livro gira em torno de um (infestado de absurdos) jogo de xadrez, que não por acaso era o esporte praticado por papai (e seu predileto), depois que ele deixou as piscinas para trás.

Como na história de Carroll, esta de papai já se inicia de um jeito meio surreal. Perseguindo um ladrão e indo parar na Casa dos Espelhos de um parque de diversões, o nosso herói atravessa um deles e vai parar na Terra dos Espelhos, sempre correndo atrás do vilão. Uma vez lá ele encontra vários dos personagens do livro, como o cavaleiro e o rei brancos, as flores falantes, o Humpty Dumpty (o ovo sobre o muro) e a Morsa e o Carpinteiro.

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Por causa de sua capa vermelha o Morcego é logo confundido pelas peças brancas com um integrante do “exército” adversário do jogo de xadrez. O que acontece é que, pelas regras do esporte, um dos conjuntos de peças precisa ser branco, e o outro tem de ser mais escuro. Geralmente se usa o branco e o preto, mas por tradição, a cor das adversárias das brancas também pode ser o vermelho.

Lewis Carroll usou o branco e o vermelho também em seu outro livro, nas rosas da Rainha de Copas. As rosas são uma clara referência à “Guerra das Rosas“, uma importante guerra civil pelo trono britânico, e o xadrez sendo uma “simulação de guerra”, é provável que seu sentido seja o mesmo também no segundo livro. O Leão e o Unicórnio também são outra referência clara aos símbolos da realeza britânica.

Vistos principalmente como literatura infantil, os livros de Carroll podem ser interpretados também como uma grande crítica à realidade sociopolítica da Inglaterra na época em que foram escritos, uma tentativa de ridicularizar a monarquia, os membros da nobreza britânica e até mesmo os fatos históricos que os levaram ao poder.

Já na história de papai a coisa toda é apenas o pretexto para um “passeio” pelo livro, uma homenagem a um clássico e uma tentativa de incentivar seus leitores à leitura de um pouco mais do que apenas quadrinhos.