O Novo Aprendiz De Feiticeiro

História do Peninha, de 1974.

Este é um interessante exercício de imaginação, uma variação sobre o tema do Aprendiz de Feiticeiro, com resultados surpreendentes.

Até mesmo o grande Feiticeiro está sujeito a errar uma palavra mágica ou duas (ou três ou quatro) de vez em quando, com resultados desastrosos. Essa, aliás, é outra das regras da magia dos quadrinhos: as palavras mágicas devem ser pronunciadas corretamente para que haja o efeito desejado. Palavra trocada, efeito trocado.

O interessante é que o Feiticeiro é muito valente enquanto pensa que está no controle da situação, e se dá ao luxo de tratar o Peninha bem mal enquanto o captura para servir de aprendiz.

Mas quando as coisas dão errado de novo e ele se vê sem seu livro de magias, ele se torna apenas um velhinho frágil vestido com roupas esquisitas. Já o Peninha, ao que parece, daria um aprendiz melhor do que o próprio Mickey, no final das contas. Pelo jeito, ter “um parafuso a menos” é uma vantagem, quando há magia envolvida.

Isso, aliás, é algo que papai trabalharia bastante com o Peninha ao longo dos anos: essa predominância do “lado direito do cérebro” que dá ao pato uma criatividade quase mágica, seja como quadrinista, publicitário, adivinho/vidente, ator, ou herói mascarado.

**************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

Anúncios

“Bruxo-Padrinho”

História da Maga Patalójika, de 1975.

A Maga é uma bruxa malvada, disso não há dúvida. E o Tantã é um bruxinho bonzinho, disso todo mundo sabe. Assim, quando ele aparece no laboratório dessa que é tia dele para fazer um estágio ao final do curso na Faculdade de Ciências Ocultas e Letras Apagadas, o leitor pode ter certeza de que vem chumbo grosso por aí.

A coisa mais fácil de acontecer em um lugar onde se fazem poções, e que é o que acaba acontecendo, é uma grande bagunça, com líquidos esparramados e frascos quebrados. Nesse sentido, um laboratório de magia de uma bruxa de histórias em quadrinhos não é lá muito diferente de uma grande cozinha daquelas antigas, nas quais a presença de crianças não era bem aceita, justamente por causa do risco de acidentes com grandes panelas e fogões a lenha.

É óbvio que um acidente doméstico em um lugar cheio de feitiços prontos para serem lançados vai acabar causando uma transformação maluca, especialmente se, na bagunça, eles se misturarem todos de algum modo imprevisível.

Fácil, também, seria inverter a personalidade do Tantã, de bonzinho para temporariamente mau. Na verdade, isso seria um pouco fácil demais, e um pouco “manjado” demais. É por isso que papai escolheu um caminho diferente e, por isso mesmo, totalmente hilário. Afinal, até mesmo para um bruxo bom, sair por aí transformado em “fado” (uma espécie de fada do sexo masculino) é um pouquinho de humilhação demais.

***************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

Zé Carioca e os 7 Anões Maus – Inédita

História do Zé Carioca, composta em 31 de julho de 1993.

Naqueles tempos, a ordem era “atualizar” o Zé. Colocaram nele um boné, calçados esportivos nos pés, jeans, camisetas coloridas, propuseram que ele falasse mais em gíria… e pediram a papai para continuar na mesma linha.

E ele tentou, sinceramente, fazendo o que podia, apesar de já estar fora do Brasil há muitos anos e não estar mais atualizado com coisas como gírias, por exemplo, que vivem mudando. As notas nas margens desta história evidenciam essa dificuldade. (A gíria “bái”, aliás, na página 9, do inglês “Bye” de Goodbye, é uma gíria mais da criançada israelense do que qualquer outra coisa).

Aqui temos, também, a última e derradeira aparição da Anacozeca em histórias de papai. Eles não levam uma surra, exatamente, como em histórias anteriores desta série, e até (pensam que) conseguem cobrar o Zé, mas acabam se dando mal, como sempre. Hoje temos também a renovada revelação de Rocha Vaz como chefe da turma de cobradores. Isso era algo que papai inventou inspirado em filmes de espionagem, mas de que depois meio que se arrependeu. Em todo caso ele nunca parou, realmente, de usar essa ideia.

A história em si é mais um daqueles cross-overs de personagens de “universos” diferentes. Hoje o tema é magia, e o primeiro quadrinho, à primeira vista, faz com que pareça que o Zé virou algum tipo de aprendiz de feiticeiro, mexendo um grande caldeirão.

Na verdade é bem o contrário: são os feiticeiros (ou, mais acertadamente, ladrões de livros de magia) que se tornam “aprendizes de Zé Carioca”, com todas as hilárias consequências disso.

Por fim, a aparição do Mago Mandrago, como sempre acontece nas histórias dos 7 Anões Maus, vem restaurar a ordem natural das coisas. O Mago pode não ser uma figura lá muito simpática, nem exatamente bondosa, mas ele certamente é justo, e isto basta.

Papai o usou para devolver a trama ao início, como gostava de fazer. Desse modo os personagens voltam à estaca zero, na mesma situação em que estavam no primeiro quadrinho, já que a ética das histórias de magia impede que os personagens ganhem algo permanente ou definitivo por meios “desleais” para com os outros pobres mortais.

ZC7AM01 ZC7AM02 ZC7AM03 ZC7AM04 ZC7AM05 ZC7AM06 ZC7AM07 ZC7AM08 ZC7AM09 ZC7AM10 ZC7AM11

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon

***************

Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores agBook

A Aprendiz De Feiticeira

História das Bruxas, de 1977.

A Maga resolve colocar um anúncio no jornal semanal “O Terror Domingueiro”, de Bruxópolis, pedindo por uma empregada. A pergunta que se faz, várias vezes nesta história, é: para quê alguém precisaria de uma empregada, num lugar onde todo o trabalho doméstico se faz sozinho, por meio de magia?

Esse, aliás, é o feitiço que o Aprendiz de Feiticeiro tentou fazer no clássico filme “Fantasia”: o de colocar uma vassoura para fazer por ele o trabalho duro, com resultados desastrosos. Mas para bruxas experientes como a Maga e a Min isso é coisa corriqueira.

Mais uma vez, vemos que a Min consegue se transformar com facilidade em qualquer coisa, exceto pelo cabelo, que costuma ficar sempre da mesma cor.

Bruxas aprendiz

Para escrever esta história papai se baseou em antigas tradições mágicas do mundo real que dão conta do uso de “inocentes úteis”, em certos rituais de magia cabalística e hermética, especialmente o que diz respeito a tentativas de divinação (não confundir com adivinhação – a divinação consiste em usar alguma ferramenta mágica, como Tarô ou bola de cristal, para tentar receber mensagens de uma divindade; já a adivinhação é, na melhor das hipóteses, um truque de mágica de palco ou, na pior, mero “achismo”).

O “inocente útil” deveria ser um menino pequeno, o mais jovem possível, mas capaz de se comunicar com clareza, a quem era mostrado um espelho negro, ou bola de cristal, ou ainda uma vasilha escura cheia de água ou tinta preta. O mago, então, pedia à criança, a quem não se deveria explicar nada de magia, nem sobre o que era tudo aquilo, que descrevesse o que visse, se visse algo.

A lógica, aqui, é que uma criança pequena, pura e totalmente inocente de tudo não inventaria coisas, nem tentaria forjar informações em benefício próprio, ou de outras pessoas. Dizem que o astrólogo oficial da rainha Elizabeth I, John Dee, usava este método para tentar se comunicar com anjos.

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix 

A Laranjada Mecânica

História do Professor Pardal, de 1974.

Esta história é um exemplo de como se faz comédia com elementos de livros e filmes de terror. O título da história é uma referência a “A Laranja Mecânica”, filme de 1971 de Stanley Kubrick, adaptado do romance de Anthony Burgess de 1962. Já a máquina em si tem qualquer coisa do Frankenstein de Mary Shelley, de 1818, da lenda do Golem de Praga, ou até mesmo da fábula do Aprendiz de Feiticeiro, no sentido que a engenhoca criada para ser útil e produzir laranjada (sem, aliás, espremer uma única laranja que se possa ver) acaba se voltando contra o seu criador e inundando a cidade.

Como, exatamente, uma máquina relativamente pequena consegue produzir todo esse mar de suco permanece um mistério.

laranjada mecanica gaviao

Mas mais do que tudo, a máquina se volta mais contra o ladrão que a roubou, do que realmente contra o seu criador, que sabe como desligá-la. Neste caso, o Professor Gavião estaria então “fazendo o papel” de Aprendiz de Feiticeiro, mesmo, com a inundação e tudo.

Detalhes interessantes são a “sala das pequenas preocupações”, onde o Lampadinha se preocupa andando em círculos até fazer um buraco no chão, no estilo Tio Patinhas, e as camas flutuantes. A do Pardal se mantém no ar por meio do que parece ser jatos de ar comprimido, enquanto que a do Lampadinha é sustentada por bexigas de hélio, do tipo usado em festas de aniversário de criança.

laranjada mecanica lampadinha