Assombração Do Porão Do Barão

História do Peninha desenhista, de 1980.

Esta é a segunda (e última, infelizmente) história composta “pelo Peninha” para os “seus” personagens de “terrir”. Na primeira história eles eram apenas mais um dos elementos de uma trama que acontecia, em sua maior parte, na redação de A Patada entre o Tio Patinhas e seu sobrinho no contexto da visita de um crítico de artes.

Mas a história da Assombração do Porão e do Barão da Mansão foi apenas vislumbrada, daquela vez. Não houve realmente um roteiro, entre eles, que um leitor pudesse ter acompanhado. Hoje esse pequeno inconveniente será sanado e a história será conduzida mais ou menos no “estilo Pena Kid”: o Peninha compõe, e o Tio Patinhas dá seus palpites.

O interessante é que as histórias da Assombração do Porão da Mansão do Senhor Barão estão, para o Peninha, na mesma situação na qual estiveram, para papai, as histórias do Pena Kid: proibidas pela chefia da redação, pelo menos por algum tempo. Do mesmo modo, assim como papai acabou ganhando novamente a permissão para fazer histórias do Vingador do Oeste, aqui vemos o Peninha na mesma situação.

De resto, a trama na história desenhada pelo Peninha gira em torno de uma disputa entre as assombrações para ver quem é que conseguiu realmente assustar o Barão. O desfecho será, como sempre acontece, bastante óbvio, por um lado, e completamente surpreendente, por outro. Quem conhece o estilo das histórias de mistério de papai logo irá desconfiar.

O fato de o texto “do Peninha” ser todo rimado em “ão”, a rima mais pobre da língua portuguesa, só adiciona à graça da coisa toda, em uma trama mantida propositadamente “bobinha” para caracterizar o “estilo do Peninha” de fazer quadrinhos.

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Morcego Vermelho X Aranha

História do Morcego Vermelho, de 1975.

O “Aranha”, aqui, não é outro herói. Ele é um vilão, ladrão de jóias, criado por papai especialmente para esta trama e usado somente mais outra vez, por ele mesmo, em uma sequela publicada em 1983.

Outros dois personagens de papai nesta história são Rubino e Platino, dois joalheiros. Seus nomes são referências ao mineral chamado Rubi, e ao metal Platina, respectivamente. O diamante “Estrela do Norte” é mais uma das pedras fictícias de papai inspiradas em grandes jóias, como as da Coroa da Inglaterra, e pode ser também uma alusão ao “Estrela do Sul“, encontrado aqui mesmo no Brasil.

Todo mundo sabe que o Morcego não é um bom detetive. Além disso, ninguém em Patópolis dá muita bola para ele. Assim, o leitor atento certamente vai estranhar a reação do joalheiro Rubino à presença do herói, e esta é a principal pista que papai dá de que algo aqui não é o que parece.

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As conclusões mirabolantes às quais o herói-detetive chega são baseadas no livro “Os Assassinatos da Rua Morgue” de Edgar Allan Poe, considerado por muitos um dos primeiros grandes exemplos do que depois se tornaria o gênero da ficção policial. Uma pista disso está no quadrinho onde o Morcego diz que lê “muitas histórias de mistério e ficção científica”.

Mas a maior surpresa da história está no fato de que tudo o que o herói descreveu começa a se materializar diante de todos. Terá o Morcego finalmente acertado uma, ou será que a coisa toda é ainda mais complexa?

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A Volta Do Aranha

História do Morcego Vermelho, de 1983.

Esta é mais uma história de estilo policial que papai gostava de escrever inspirado por romances de mistério como os de Agatha Christie.

Novamente, ele espera que o leitor preste atenção e resolva o mistério por si mesmo. E a primeira, e talvez principal, pista está logo no primeiro quadrinho: uma silhueta negra ao fundo, observando a ação. Essa mesma figura voltará a aparecer várias vezes ao longo da história, cada vez mais de perto, e com mais detalhes.

MOV Aranha silhueta

“O Aranha” é um vilão que ele usou pela primeira vez em 1975, em outro mistério policial do Morcego Vermelho. O problema é que, mesmo depois de oito anos, os vilões da primeira história ainda estão presos. Fica a pergunta: se o “Aranha” original está preso, quem é que está roubando as joalherias de Patópolis? E pior, dessa vez são três deles!

Como sempre, papai vai espalhando pistas pelos quadrinhos, enquanto esconde outros fatos do leitor e promove a maior confusão nas ruas da cidade dos patos. Mais uma pista é dada quando um dos bandidos aranhas tira um nariz postiço para falar com seu chefe ao “telefone aranha”. O focinho de porco é uma pista forte, e o leitor inteligente provavelmente matará a charada neste momento.

MOV Aranha nariz

Interessantes são esses “telefones”, tanto o do Morcego, que fica em seu cinturão, quanto o do “Aranha”: numa época na qual os celulares não existiam, esses telefones sem fio são pura ficção científica.

Enquanto isso, o Peninha perdeu, num encontrão com o Donald, a sacola onde leva as roupas do Morcego Vermelho. Só que isso não impede o Morcego de aparecer e perseguir os bandidos (e ser perseguido por eles). Mas se não é o Peninha quem está vestido de Morcego Vermelho, então quem está? Assim, temos três “Aranhas” que não são o Aranha original, lutando contra um Morcego Vermelho que não é o Peninha.

MOV Aranha peninha

No final os bandidos são presos, e tudo se revela como um plano do Sr. X e seu bando para tentar descobrir a identidade secreta do Morcego Vermelho.

Nosso herói venceu, sua identidade secreta foi preservada, mas apesar da ajuda do Donald, que é o único em Patópolis que sabe quem é o Morcego e faz tudo o que pode para ajudar seu primo, inclusive ajudando a manter o segredo, o Peninha termina a história mais confuso do que começou.

Se ele é o Morcego Vermelho, e se o Morcego Vermelho que solucionou o mistério não era ele, então quem é ele? Quem é o Morcego? Será o Morcego Vermelho apenas uma fantasia vestida por um pato?