Um Sonho De Natal

Esta história do Tio Patinhas, de 1985, é uma espécie de continuação de outra, publicada em 1978 e já comentada aqui, chamada “Patinhas, o Generoso”.

Ainda jovem e durante a corrida do ouro no Yukon, o pato salva do congelamento um cão perdido na neve e recebe por recompensa a realização de três desejos, mas com uma “pegadinha”: após a realização de cada um ele terá de fazer, novamente, alguma coisa generosa.

Por uma questão de algo que se pode chamar de economia, ou algo parecido, o Patinhas usa apenas dois dos desejos a que tinha direito. O terceiro fica “guardado”, até hoje, para um caso de real necessidade. O interessante é que, além do tema dos desejos, papai retoma aqui a questão das histórias repetidas à exaustão pelos mais velhos de qualquer família, aquelas que os netos já se cansaram de ouvir, Natal após Natal.

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E como o Natal é uma época mágica, propícia à visita por seres sobrenaturais, o quaquilionário receberá um pedido de ajuda que não poderá recusar para ajudar uma rainha e seus duendes a retomar seu castelo de gelo das garras de um malvado Ogro a tempo para as festividades de Natal.

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Papai não gostava de deixar “pontas soltas” em suas tramas. Ele certamente ficou com esse “terceiro desejo” bem guardado em sua mente por anos, apenas esperando o momento apropriado para escrever mais uma história sobre o tema. Desse modo, durante o embate com o monstro o Patinhas será obrigado a usar o terceiro e último desejo e depois ser generoso, como prometera ao velho esquimó, terminando, assim, a história.

O “sonho” no nome da história tem a ver com o insólito da situação, na qual os patos são transportados por mágica ao castelo da Rainha e de volta. A coisa toda é tão repentina que os sobrinhos do Donald pensarão, depois de tudo terminado, que foi tudo apenas um sonho. Mas é claro que papai nunca terminaria uma história dessa maneira simplista, e logo brindará os patinhos (e o leitor) com uma pequena surpresa final.

Feliz Natal para todos!

(Mas a maratona continua na semana que vem)

(PS: A propósito, só para constar: NÃO dê chocolate quente, ou qualquer outra coisa contendo chocolate, para o seu bichinho de estimação. Nunca. Isso é o mesmo que veneno, para eles)

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Um Natal Do Passado

Publicada pela primeira vez em dezembro de 1982, a história mescla acontecimentos do tempo presente com as lembranças de Natais passados da Vovó Donalda.

Assim, temos os personagens que já conhecemos, juntamente com suas versões mais jovens e outros, apresentados hoje ao leitor, que são antepassados dos atuais, mais ou menos como aconteceu na saga da História de Patópolis (que foi publicada, aliás, no mesmo ano). Seria esta uma história de Natal não oficial da série?

Não há menção à Pedra do Jogo da Velha, mas temos um mapa das minas de ouro da cidade, encontrado e muito bem oculto pelo jovem Patinhas que, na época, era apenas um patinho, assim como a Donalda. Outros personagens são tios avós dos metralhas atuais, e alguns parentes da Vovó, como sua própria avó, de nome Hortênsia, e um tio chamado Donaldo.

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O trunfo da história, o detalhe central que denota a esperteza precoce do Patinhas e leva à derrota dos bandidos, gira em torno do boneco de neve que a jovem Donalda, na época com 5 anos de idade, está fazendo quando a história começa. Papai confia na atenção do leitor para que ele perceba o que está acontecendo.

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O resto é a história da luta de uma família desarmada contra bandidos ferozes, com o uso de um engraçado detalhe, que é o que vai finalmente colocar os vilões para correr sem que os patos precisem recorrer à violência. Uma vez derrotados os bandidos, a história pode então terminar enquanto começa a festa de Natal da Família Pato, com direito a votos de Boas Festas aos leitores.

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O Banquete De Natal

História de Natal “perdida”, de 1977.

Começo hoje uma pequena “maratona de Natal”, com todas as histórias sobre o tema que ainda não foram comentadas. Esta, em especial, está na lista de trabalho de papai, e as duas revistas nas quais ela foi publicada estão aqui na coleção. Neste momento o credito ainda não foi confirmado no Inducks, mas eu acredito que agora é só uma questão de tempo.

Todo mundo sabe que o Tio Patinhas é um muquirana que não abre a carteira nem mesmo no Natal. Aliás, esta é justamente a origem do personagem, que nasceu de uma adaptação da história “Um Conto de Natal” de 1843, de Charles Dickens. Esta é a natureza do personagem.

Mas o que aconteceria se ele resolvesse, em um arroubo de “quase generosidade” (ainda que não desinteressada: o objetivo é ganhar um concurso) abrir (só um pouquinho) a carteira e oferecer um banquete de Natal à fina nata da sociedade patopolense?

O problema é justamente esse “só um pouquinho”: para não gastar demais, o pato quaquilionário deixa a improvisação do almoço a cargo dos desastrados Peninha e Donald, que não irão desapontar no quesito trapalhadas. Destaque para o nome do Peru de estimação do Urtigão, o Guglielmo. Esse era o nome próprio, aliás, de Marconi, o inventor do rádio.

(Esta parte é inspirada em uma velha piada de caipiras, na qual a esposa do anfitrião passa a história toda perguntando se já pode levar o peru, e ele sempre dizendo que não. Quando finalmente acaba a sopa de nabos com pão que fora servida e o convidado pensa que finalmente vai colocar os dentes em um peru assado, o anfitrião manda trazer o pásaro, que sobe na mesa, vivinho da silva, para comer as migalhas.)

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Mas como é Natal, ninguém está ligando muito para certos “detalhes”. O que importa, de verdade, é o espírito natalino e o esforço do Patinhas para agradar. Papai também parte da premissa de que os ricos são “gente como a gente” e que também sabem apreciar as coisas simples da vida.

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Natal Na Floresta

História da Turma do Lambe Lambe, de Daniel Azulay, escrita em julho de 1982 e publicada pela Editora Abril na revista da turma de número 8 em dezembro do mesmo ano.

O Natal é realmente uma festa mágica, e não apenas por causa da religião Cristã. Até mesmo membros de outras religiões acham difícil resistir às suas luzes, seus símbolos e à troca de presentes. Mas a celebração também carrega consigo vários problemas e dilemas que, novamente, pouco têm a ver com religião. Como já vimos em “Um Natal Bem Diferente”, costumes como o pinheiro enfeitado vêm da tradição pagã nórdica, representando a resiliência da vida no auge do inverno.

E se o problema nas histórias Disney tem a ver com as origens da festa, aqui o dilema está em sua adaptação para um ambiente tropical e – ainda por cima – ambientalmente correto. O Professor Pirajá e a Galinha Xicória vivem na Amazônia, com acesso limitado a certos confortos da vida moderna, como TV e coisas assim. Eles têm eletricidade, pelo menos, mas tentam viver sem agredir o meio ambiente. A intenção, é claro, é ensinar aos jovens leitores a ter alguma consciência ecológica.

Não parece, mas este é um problema ecológico sério. Todos os anos, em países como os EUA, milhões de pequenos pinheiros naturais são cortados, montados em bases de madeira e vendidos para servir de enfeite. Enquanto essas árvores são belíssimas e perfumadas, uma vez cortadas é impossível evitar que sequem e morram no processo.

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Os mais conscientes as arrancam pela raiz e plantam em um vaso, mas são grandes as chances de que a árvore ainda assim morra no final. Como são poucas as pessoas que podem ter um pinheiro plantado na frente da casa o ano todo só para servir de enfeite no final do ano, resta o problema: o que fazer com milhões de toneladas de árvores secas após as festas? Nos EUA existe inclusive um serviço de coleta de pinheiros secos, e até mesmo uma tentativa de manejo sustentável do material.

Quem opta por árvores e enfeites artificiais pode até estar poupando a vida de uma árvore natural, mas ainda assim está lidando com plásticos, que são derivados de petróleo. Não é a coisa mais “ecológica” do mundo. Há quem faça seus enfeites com galhos já secos, garrafas PET e outros tipos de materiais descartáveis, mas esta também não é a solução perfeita.

Assim sendo, fica a pergunta: como fazer uma festa de Natal sem pinheiro, já que na Amazônia não existe esse tipo de árvore na floresta nativa, e sem cortar nenhuma outra árvore? Natal sem árvore enfeitada dentro de casa ainda é Natal? Quais símbolos dessa festa são indispensáveis, e quais se pode adaptar, e como?

Após a aparição do Papai Noel de verdade, para que se cumpra o costumeiro milagre de Natal que deve acontecer nesse tipo de história, tanto o Professor como a Xicória encontrarão suas soluções criativas para o problema.

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Um Natal Inesquecível

História do Zé Carioca, de 1974.

É véspera de Natal, o Zé como sempre está sem dinheiro nenhum, e seus primos regionais de repente começam a aparecer do nada para passar as festas com ele. E agora, José?

Um por um, vão chegando Zé Queijinho, Zé Paulista, Zé Jandaia e Zé Pampeiro, cada um trazendo uma árvore de Natal de presente. Quer dizer, todos, menos o Zé Pampeiro, que trouxe DUAS árvores de Natal. Todas pinheiros naturais, menos a do Zé Paulista, que é artificial, mas pelo menos já veio com os enfeites. Mas como o Zé queijinho trouxe a cabra Gabriela, algumas delas acabam sendo “vitimadas” pelo bicho, incluindo a árvore artificial.

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Mas o Zé Carioca estaria contente se o problema fosse só as árvores. Como é que ele vai alimentar essa cambada toda de parentes, assim sem aviso prévio e sem dinheiro? Situações desesperadas exigem, é claro, medidas desesperadas, e o Zé resolve (argh) trabalhar como entregador de presentes de uma loja para conseguir algum dinheiro, enquanto manda o Nestor distrair a turma com alguma história mirabolante.

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O mais engraçado é que os primos acreditam nas mirabolâncias do Nestor, e saem em busca do Zé. No final é claro que tudo se resolve e todos têm a sua feliz e farta ceia, mas não exatamente com o dinheiro que o Zé ganhou trabalhando.

O Natal é realmente uma época mágica, onde tudo pode acontecer, tornando cada um deles realmente um acontecimento inesquecível. É neste espírito que desejo aos leitores deste blog um Feliz Natal, e um próspero Ano Novo.

http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava

Um Natal Bem Diferente

Publicada pela primeira vez em 1981, esta história foi premiada com o VII Prêmio Abril de melhor história nacional ou feita no Brasil, entregue a papai em 1982.

A história começa com o Tio Patinhas, rabugento como sempre, reclamando em plena véspera de Natal porque precisa comprar presentes para todos, enquanto ninguém lhe dá nada, porque acham que ele já tem tudo. E realmente, qual presente se pode dar ao pato mais rico do mundo?

Quando presentes materiais não têm sentido nenhum, apenas um presente espiritual de suprema grandeza pode preencher o vazio que só uma grande fortuna material pode causar.

Desejoso de ter um Natal “diferente”, o Tio patinhas – juntamente com Donald, Peninha, e os 3 Sobrinhos – recorre a uma máquina do tempo inventada pelo Professor Pardal, e viaja a três pontos no tempo: primeiro, ele vai à Roma de Nero, no ano 64 depois de Cristo, quando a comemoração de Natal dos primeiros cristãos é interrompida por um grande incêndio, causado pelo próprio imperador. Lá, descobrimos que os primeiros cristãos, até mesmo por não saberem exatamente quando Jesus nasceu, decidiram comemorar no dia do solstício de inverno.

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Em seguida, eles chegam ao ano 10 em terras germânicas (atual Alemanha), onde descobrem as origens pagãs da árvore de Natal. São, aliás, recebidos como se fossem deuses, numa alusão a “Eram os Deuses Astronautas”, livro de Erick Von Daniken que postula que os antigos deuses pagãos eram na verdade extraterrestres que vieram à Terra para ensinar a civilização aos nativos do planeta.

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E por fim chegam à Judeia exatamente na mesma noite na qual Jesus nasceu, e ganham a oportunidade única de ajudar os Reis Magos a cumprir o seu papel na História.

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É uma história clássica e altamente emocional, que – propositadamente – em momento nenhum questiona a tradição cristã. Esta é uma história que quase poderia ter saído de um catecismo católico, com direito até mesmo a um milagre de Natal exclusivo para a família Pato, quando a estrela de Belém paira sobre a máquina do tempo avariada e a conserta, para o espanto de todos.

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Consertada a máquina, os Patos conseguem ainda chegar de volta a Patópolis e à nossa era a tempo de participar da ceia de Natal no sítio da Vovó Donalda.

E é neste espírito que agradeço a todos os que têm acompanhado este blog nestes últimos meses desde sua criação e desejo um Feliz Natal, pleno de toda a alegria do mundo, e um Ano Novo cheio de sucesso e realizações.