O Vulto Sinistro

História do Zé Carioca, de 1975.

Os Detetives da Moleza, Zé e Nestor, são chamados a investigar um caso envolvendo um tesouro enterrado em um casarão em ruínas no meio de uma noite escura durante uma tempestade de raios. Está estabelecido, desde o primeiro quadrinho, o cenário perfeito para uma história de fantasmas.

A história segue, de uma maneira como sempre simplificada, o roteiro clássico dos mais tradicionais contos policiais e de mistério da literatura mundial: nada é o que parece ser, os aparentemente inocentes são na verdade culpados, e os aparentemente culpados na verdade são inocentes.

A brincadeira segue com os nomes dos primos, dois macacos netos do “Barão das Bananeiras”. Micco, com dois “C” só pelo efeito cômico, e Mac Acco, em uma grafia que lembra os pomposos sobrenomes escoceses. No final das contas, “mico” e “macaco”, são praticamente sinônimos. É como “o roto falando do rasgado”, por exemplo.

Já o título “Barão das Bananeiras” serve para denotar algo ao mesmo tempo pomposo e prosaico, algo como uma oitava abaixo em relação aos “barões do café”, expressão também pejorativa. Era o título “informal” dado pelo povo aos “coronéis” que compravam esse tipo de título de nobreza para melhor poderem continuar explorando e oprimindo a população mais pobre no entorno de suas terras.

Mas ao que parece existiu mesmo um barão “Das Bananeiras”, com o título oficial de Barão de Araruna. Ele também tinha propriedades em Bananeiras/PB. Vai daí…

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Assombração Do Porão Do Barão

História do Peninha desenhista, de 1980.

Esta é a segunda (e última, infelizmente) história composta “pelo Peninha” para os “seus” personagens de “terrir”. Na primeira história eles eram apenas mais um dos elementos de uma trama que acontecia, em sua maior parte, na redação de A Patada entre o Tio Patinhas e seu sobrinho no contexto da visita de um crítico de artes.

Mas a história da Assombração do Porão e do Barão da Mansão foi apenas vislumbrada, daquela vez. Não houve realmente um roteiro, entre eles, que um leitor pudesse ter acompanhado. Hoje esse pequeno inconveniente será sanado e a história será conduzida mais ou menos no “estilo Pena Kid”: o Peninha compõe, e o Tio Patinhas dá seus palpites.

O interessante é que as histórias da Assombração do Porão da Mansão do Senhor Barão estão, para o Peninha, na mesma situação na qual estiveram, para papai, as histórias do Pena Kid: proibidas pela chefia da redação, pelo menos por algum tempo. Do mesmo modo, assim como papai acabou ganhando novamente a permissão para fazer histórias do Vingador do Oeste, aqui vemos o Peninha na mesma situação.

De resto, a trama na história desenhada pelo Peninha gira em torno de uma disputa entre as assombrações para ver quem é que conseguiu realmente assustar o Barão. O desfecho será, como sempre acontece, bastante óbvio, por um lado, e completamente surpreendente, por outro. Quem conhece o estilo das histórias de mistério de papai logo irá desconfiar.

O fato de o texto “do Peninha” ser todo rimado em “ão”, a rima mais pobre da língua portuguesa, só adiciona à graça da coisa toda, em uma trama mantida propositadamente “bobinha” para caracterizar o “estilo do Peninha” de fazer quadrinhos.

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