Fórmula Zé-Ro

História do Zé Carioca, de 1973.

As corridas de automóveis estavam entre os esportes prediletos de papai mas, ao contrário do Xadrez, isso era algo que ele não praticava. Fã do Emerson Fittipaldi, ele apenas gostava de assistir e se inspirar na perícia dos pilotos, mas nem tanto na velocidade, para dirigir defensivamente e acompanhar a manutenção dos vários carros que teve ao longo da vida.

Esta história tem como tema central a vontade do Zé de agradar à Rosinha, já que às vezes ela se cansa um pouco do estilo de vida folgado do namorado malandro. E como ela gosta de corridas (e de corredores), nada melhor do que se tornar corredor também. Mas, é claro, isso é algo que é mais fácil falar do que fazer.

A trama começa a ficar interessante quando o Zé se vê obrigado a improvisar, sempre com a ajuda do Nestor, o amigo que nunca o deixa na mão.

Já a “Gincana Surpresa”, organizada por um canal de TV, a “TV Visão”, é inspirada não apenas na Fórmula 1, mas também na Corrida Maluca e em histórias como “O Carrinho Fantástico”, que serviria de inspiração também para as histórias do Vavavum publicadas mais tarde na Revista Crás! e “O Pequeno Campeão” da revista Destaque e Brinque, todas já comentadas aqui.

O “Fórmula Zé-ro” (Fórmula 0) no nome da história seria uma referência às capacidades automobilísticas do Zé, já que, como piloto, ele realmente “não é de nada”. E, é claro, a gincana também não se chama “surpresa” por acaso…

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O Roubo Do Carro Elástico

História do Sr. X de 1975.

Realmente, não é por falta de tentar. O plano da vez é muito bom, os disfarces são muito criativos (mil vezes melhores do que os dos Metralhas, por exemplo), mas ainda não será hoje que os “candidatos a bandidos” terão sucesso em suas maléficas pretensões.

Como eu disse, o plano é perfeito, exceto por um detalhe (ou dois, na verdade): os vilões investiram tanto tempo e esforço para bolar os disfarces perfeitos que se esqueceram de decidir justamente o que seria roubado. Aqui começa o problema dos bandidos, e a diversão do leitor.

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É aí que entra o novo carro inventado pelo Professor Pardal que, como mencionado no título, é um curioso “carro elástico”. Sabe-se que já se fabricaram carrocerias de carros e demais veículos automotores com todos os tipos de materiais, desde o aço inoxidável, como o famoso DeLorean, até materiais menos nobres e mais amigáveis ao meio ambiente como plásticos, fibra de vidro, madeira, fibras de bambu e até mesmo de cânhamo.

Mas apesar de a borracha ser um componente que está presente em muitas das peças de um carro comum, dos pneus à vedação das portas, nos anos 1970 ninguém ainda havia pensado em usá-la para moldar a carroceria em si.

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Acredito que a ideia para esta história veio dos vídeos de testes de colisão que as montadoras passaram a divulgar mais ou menos naquela mesma época na TV, como propaganda da qualidade de seus produtos e vídeos educativos para a segurança no trânsito. (Crianças, usem sempre o cinto de segurança). Além disso, há também a associação com carrinhos de brinquedo, frequentemente feitos de plástico, borracha, ou mesmo pano.

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Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll recontada a partir da perspectiva e da experiência dos fãs. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores agBook

Vavavum

Em 1974 a Editora Abril começou a publicar uma nova proposta em quadrinhos, inspirada num formato europeu, que aparentemente era sucesso por lá. Nasceu assim a revista Crás!, que se propunha a “mostrar o trabalho de argumentistas e desenhistas, profissionais ou amadores, que, nos mais variados gêneros e estilos, buscam valorizar as histórias em quadrinhos brasileiras”.

Ótima ideia, as mais nobres intenções, e uma grande empresa do ramo editorial buscando se colocar a serviço da Nona Arte, mais do que realmente se preocupar apenas com as vendas. E apesar disso tudo (ou até mesmo por causa disso tudo) a revista durou apenas limitados 6 números. Em todo caso, papai teve a honra de participar do primeiro número com duas histórias, a primeira das quais comento hoje.

O roteiro de Vavavum, que conta com desenhos de Nico Rosso e Herrero, combina vários elementos recorrentes nas histórias Disney de papai, com outros que ocorriam mais nas não-Disney. Eu a considero “quase Disney”.

A paixão de papai pelas corridas automobilísticas é aqui refletido no personagem principal e seu super carro, com a mágica “sexta marcha”, que o leva a uma outra dimensão. Papai voltaria ao tema “corrida” em “O Pequeno Campeão”, de 1981, que eu já comentei aqui.

Outros temas recorrentes que vemos são por exemplo a reação do líder de uma das tribos que o corredor encontra, que se recusa a falar com ele por acreditar que ele não existe, que papai já havia usado numa história do Zé Carioca em 1973, “No Reino da Pindaíba”, que eu também já comentei, ou a incapacidade desse mesmo líder de conseguir montar um cavalo, coisa que papai também usou em vários personagens Disney.

Mas de resto a história é uma grande e intencional mistura: alguns personagens, armas e armaduras, e até mesmo nomes, se parecem com algo saído de uma lembrança histórica greco-romana. O filósofo na barrica, com seu cajado e sua lâmpada, é uma referência ao grego Diógenes de Sinope. (Esse filósofo é, também, o “modelo” para uma carta de Tarot, O Eremita.) Já a cidade tem grossas muralhas e prédios de vários andares e, apesar da aparência “antiga”, essa civilização tem até computadores, que são operados por uma equipe de “filósofos” e usados para prever ataques da tribo inimiga como nós faríamos a previsão do tempo.

E no meio dessa salada toda, Vavavum, habitante do século 20 e piloto de corridas, tenta entender o que está acontecendo, e como voltar para a sua própria dimensão. Finalmente, quando ele tenta se convencer que tudo não passou de uma alucinação causada pela velocidade, lá está a marca de uma pedrada em seu capacete, para provar que tudo aquilo não foi apenas ilusão.

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O Pequeno Campeão

Publicada na revista Destaque e Brinque 113, de 1981, esta história tem argumento de papai e desenhos de Rodolfo Zalla.

Esta publicação sempre continha as partes de um brinquedo para montar impressas em cartão, acompanhadas de uma história em quadrinhos sobre o mesmo tema.

Neste caso o tema é Fórmula 1, e a revista traz três carrinhos de corrida, box, alguns membros das equipes e até os personagens da história, para destacar, montar (eles diziam que não precisava de cola, mas uma gotinha aqui e ali certamente ajudava) e brincar.

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Na história em quadrinhos, uma família composta pela filha Lucila (quem?), pelo filho Ivan (ein?), pela mãe Thereza (como?) e pelo pai Raul (???) vai assistir a uma corrida de automobilismo no autódromo, porque o menino é fã desse tipo de esporte. O menino, entusiasmado, quer ser piloto de corrida, e o pai resolve fazer a vontade do filho já no dia seguinte.

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Como vimos, alguns nomes foram mudados. Talvez o pessoal do estúdio tenha achado que “não cabia” mais de um Ivan na história, e mudaram o nome do personagem de papai. Além disso, também não consegui identificar os nomes dos personagens corredores profissionais, Cacá Santana e Beto Cruz.

O pai vai falar com seus amigos automobilistas, e com a ajuda deles acaba conseguindo promover uma corrida de “Fórmula 0”, que seria uma corrida de Karts com carroceria imitando a Fórmula 1. É claro que o personagem Ivanzinho vai participar, mas antes terá de treinar bastante e passar nos testes.

Esse era bem o meu pai, naqueles anos em Campinas. Conhecia todo mundo, todos o conheciam, e não havia projeto pessoal, artístico ou cultural que ele não conseguisse por em prática. Era só falar com as pessoas certas, e ele sempre sabia a quem se dirigir.

Nessa época meu irmão tinha 11 anos de idade, justamente a idade em que as crianças podem começar a correr, e se não me engano até participou de alguns treinos enquanto papai pesquisava para esta história, num Kartódromo em Campinas. Essa é a clássica história de papai que mistura ficção e realidade de um modo delicioso para mim.

Na história o Ivanzinho sai na frente, mas há um outro menino, um concorrente desleal, que tenta tirar o pequeno campeão da pista, sem sucesso. O mocinho da história vence a corrida, mas de marcha a ré, de forma completamente inusitada. É aí que o leitor atento começa a desconfiar que tem alguma coisa errada, aí… A história não é verídica, não passa de fantasia: é uma história em quadrinhos criada por um pai carinhoso para agradar aos filhos.

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