Zorrinhos Contra Os Abóboras

História dos Sobrinhos do Donald, de 1977.

As histórias do Zorrinho seguem sempre uma linha mais ou menos fixa, com algumas variações que dão graça à brincadeira.

Assim, novamente, as sobrinhas da Margarida estão fazendo alguma coisa e os Metralhinhas estão tentando atrapalhar, enquanto os meninos bonzinhos usam sua identidade secreta para defender as amiguinhas. A diferença está no tema da atividade (um conveniente baile a fantasia) e no desfecho da historinha.

Para começar vemos o contraste entre os escrúpulos dos meninos, que têm o dinheiro da entrada mas não as fantasias, e a total falta de vergonha na cara dos bandidinhos, que entram de penetras na festa, e com uma fantasia toscamente improvisada.

A partir daí começa o embate entre mocinhos (devidamente fantasiados de Zorrinhos, já que essa é a única fantasia que eles têm) e os bandidinhos, que vai dominar todo o resto da história. Como sempre, os meninos do bem agem um de cada vez, para melhor fingir que são uma só pessoa e confundir os inimigos.

Isso tudo mostra que é possível “estar e não estar” em um lugar, e cria uma série de dilemas, dos quais o leitor só vai se dar conta depois que terminar de ler a história. (Já que, na verdade, o confronto e a vitória final do Zorrinho, por mais interessante e divertido que seja, é só um detalhe. Há coisas mais importantes acontecendo na história que não fazem parte da ação, mas ficam subentendidas).

Se, por um lado, os meninos bonzinhos tivessem improvisado fantasias (nada mais fácil do que pegar um lençol e bancar o fantasma), eles teriam participado da festa como as meninas queriam, mas não teriam podido fazer muita coisa quando os bandidinhos atacassem.

Por outro lado, seria difícil aparecer por lá com a fantasia do Zorrinho e convencer a todos de que é só uma fantasia. Assim, ou eles teriam sido obrigados a revelar a identidade secreta, ou participar do baile um de cada vez, se fazendo passar por uma única pessoa.

Por essa última hipótese, o resultado teria sido igual: os meninos teriam estado na festa, mas as meninas não saberiam disso e ficariam chateadas do mesmo jeito.

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A Quadrilha Da Ameaça

História do Zé carioca, de 1981.

Este é um bom exemplo de como criar uma história que, no final, volta ao início, como papai gostava de fazer. É também uma clássica história de “terrir”, um gênero do qual ele era muito adepto, e que misturava terror com humor (de preferência negro).

A coisa toda começa com um filme de terror na TV na casa do Pedrão. Sugestionáveis, os amigos ficam com muito medo e resolvem ficar todos para dormir por ali mesmo.

Mas a principal preocupação, que será mencionada frequentemente durante toda a história, é a banda musical que eles criaram para tocar em uma festa mais tarde. Este é o elemento que “costura” a trama, o “fio condutor” que permitirá um desfecho perfeitamente encaixado para a história.

O resto da história mostra como uma brincadeira quase inocente do Zé para acordar os amigos dorminhocos e finalmente conseguir ensaiar a banda sai totalmente do controle, criando uma completa histeria coletiva pelo bairro e quase virando caso de polícia no processo.

Mas, de qualquer maneira, apesar de resolver ficar quieto para não apanhar, o Zé não escapará ao castigo pelo susto que deu nos amigos. É justamente para esse propósito, aliás, que papai devolve a história ao início.

Mas nesse meio tempo o leitor já riu da confusão até ficar com a barriga doendo, e isso é o que realmente importa.

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A Chegada Da Prima Vera

História do Zé Carioca, de 1982.

Esta é a primeira história (de duas) que papai compôs para a personagem Vera, uma adição à turma da Vila Xurupita que era inspirada em uma prima dele na vida real. Aqui, ela é parente do Nestor. A outra história, chamada “A Paixão do Pedrão”, já foi comentada neste blog.

A “Prima Vera” é uma garota muito bonita, e por isso mesmo atrai a atenção (algumas vezes indesejada) dos rapazes, e os ciúmes (frequentemente injustificados) das outras moças. A crise de ciúmes da Rosinha (e como o Zé lidará com isso) será uma parte central da trama.

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Mas além de ser uma celebração da estação do ano Primavera (muito apropriadamente, ela foi publicada pela primeira vez no mês de setembro) a história serve para mostrar que a Vila Xurupita está progredindo: ao time (e estádio!) de futebol e à escola de samba é adicionado um clube, onde a turma do agora bairro (que deixou de ser favela no ano anterior sob os auspícios do Gênio Eugênio), pode se reunir e fazer suas festas.

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Mais detalhes sobre de onde veio a ideia para a criação da personagem Prima Vera podem ser lidos na postagem “Pedrão, o fim do mistério” aqui neste mesmo Blog.

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O Baile a Fantasia

História do Gordo, publicada pela Editora Abril na revista de mesmo nome número 27, de agosto de 1988.

Hoje não temos muitas surpresas ou reviravoltas. É uma trama simples, um exercício de imaginação e uma comparação dos personagens de Ely Barbosa com atores/personagens da TV. Neste caso, especialmente os da Rede Globo.

Assim, no baile a fantasia organizado pelo tio maluco-beleza do Gordo, todo mundo se fantasia de alguma coisa que tem algo a ver com suas próprias características físicas. O Gordo se fantasia de “Gordo”, ou melhor de Bô Boares (Jô Soares), o Fininho de Xico Elísio (Chico Anysio), o Tio Bembém de Xatinho (Chacrinha), o Coalhadinha de Coalhado (Coalhada, personagem de Chico Anysio), o Dunha de Enferrujado (o ator Ferrugem), o Coringuinha de Pequeno Otelo (Grande Otelo), e as meninas Fofa e Lena de Duxa (Xuxa).

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Pois é, as duas. Isso é algo que costuma acontecer em festas a fantasia ou de Carnaval. Fantasias repetidas não são incomuns, e também não são nenhum crime. O importante é se divertir.

Pior será a participação da Turma do Jarbas, que vem à festa sem ter sido convidada e pronta para arrumar confusão. De qualquer maneira, uma vez neutralizado o ataque dos malvados, eles serão convidados também. Até fantasias eles vão ganhar, de “Mosquiteiros”, em uma referência aos Trapalhões.

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O Prefeito Perfeito – Inédita

História do Urtigão contra as Solteironas, composta em 25 de julho de 1993.

Esta é, de modo definitivo, a última história escrita por papai para este personagem. Trata-se, também, da grandiosa (tanto quanto possível) “batalha final” entre o velho matuto e o bando de mulheres que só pensam em casar. Hoje, finalmente, acontecerá o tão esperado (para alguns, e temido para outros) casamento do Urtigão.

A história é uma espécie de continuação e deve ser lida após “A Sorterona Prefeita”, já comentada aqui. Portanto, se você, leitor, ainda não fez isso, está na hora de fazer.

O título é um jogo de palavras entre os sons “pre” e “per”, só pela graça da coisa. De resto, a trama retrata bem, e sempre de maneira satírica, o jogo político de qualquer cidadezinha dos cafundós do Brasil. Governada por decretos, com “baile de posse” para um vice que simplesmente está assumindo temporariamente por uma doença do titular que nem é tão grave assim, fraudes com o papel timbrado da prefeitura, uma concorrência feroz entre “situação” e “oposição” e legislação em causa própria por parte de quem detém o poder. Qualquer semelhança com a política brasileira desde sempre não terá sido mera coincidência.

Será também “por decreto” que a bagunça toda vai se resolver, já que hoje nem a Amazona Solitária conseguirá salvar o Urtigão.

Na página 8, quadrinho no centro da página, há uma piada talvez não muito conhecida, por ser muito antiga, marcada com um ponto de interrogação em azul. Pois é, a pessoa da lapiseira azul não poderia faltar, depois de ter ficado “ausente” por algumas histórias.

A expressão “Tarde piaste” é uma piada malvada que se contava no interior de São paulo quando papai era criança, sobre um homem que, ao comer ovos crus, acaba engolindo um pintinho vivo. Ao que parece, é um provérbio originário de Portugal. Significa “chegar atrasado”, ou “protestar tarde demais”.

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A Coroa Do Rei

História do Sr. X e seus capangas, de 1983.

Histórias de Carnaval com o Zé Carioca são legais, retratam muito bem como são as festividades no Rio de Janeiro, representam a “nata” e o “luxo” das histórias do gênero, mas esta aqui ganha no quesito criatividade.

Papai hoje traça uma correlação entre o pretenso “Rei do Crime”, candidato fracassado a bandido, mas com uma megalomania de dar inveja, e o Rei Momo, que também não é rei de nada no mundo real. Com a diferença, é claro, que o Momo pelo menos é reconhecido como “Rei” de alguma coisa por exatos três dias no ano. O Sr. X, nem isso. A canção que os capangas do vilão cantam no início vem justamente de uma antiga marchinha que faz alusão ao Rei Momo e às ilusões de grandeza da festa.

Coincidindo com o Baile de Máscaras do Patópolis Palace Hotel (que equivale mais ou menos ao do Teatro Municipal no Rio), o Clube dos Fora da Lei da cidade estará coroando seu novo Rei, ou seja, aquele que fizer o assalto mais audacioso inteligente. E o Sr. X decide que esta é a oportunidade ideal para realizar seu sonho maléfico.

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Pior, ele realmente consegue realizar seu plano de roubar o Patacôncio, que estará no baile fantasiado de Pantaleão. O próprio bando de vilões usará fantasias de Arlequim, Pierrô, Polichinelo e Colombina. (Papai não perdia a chance de usar referências dos antigos Carnavais).

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Mas não se esqueça, leitor, de que estamos falando de Carnaval e de bailes de máscaras, onde tudo é ilusão, e nada é o que parece ser. Conseguirá o Sr. X se sagrar, finalmente, “Rei do Crime”? E em pleno Carnaval?

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O Baile Dos Bruxos

História de Donald e Peninha escrita em 1974 e publicada em 1978.

Mesmo cansados de uma longa viagem a trabalho, e morrendo de sono, o dois repórteres são enviados por seu Tio Patinhas para fazer mais uma reportagem numa festa beneficente que está acontecendo na cidade. A promessa é que, depois desse trabalho, eles terão uma folga (não remunerada, é claro) de 12 horas para dormir.

Os ricaços de Patópolis e arredores adoram fazer essas festas, e volta e meia há uma delas acontecendo. Mas estranhamente, não gostam de publicidade grátis, nem de dar entrevistas ou sair em fotos. Mas o problema maior é que os dois repórteres chegam à festa tão sonados que mal conseguem trabalhar.

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Notem que papai deixa bem claro com quem foi que o Donald topou. Mais sobre isso adiante. Mas a festa não é o mais importante. Na verdade, nas histórias de papai, nunca é. A festa é só um pretexto para reunir o maior número de personagens possível e fazer uma bela confusão. No caso, temos dois planos secretos acontecendo.

O primeiro plano é do Patinhas, que enviou os seus repórteres para lá para testá-los, por ocasião do concurso do melhor repórter do ano. O segundo é das bruxas Maga e Min, que vêem na festa a oportunidade perfeita para “se misturar” aos convidados e tentar, mais uma vez, fazer com que o Patinhas lhes entregue a moedinha Número Um.

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Lembra que os repórteres toparam com o Patacôncio, no começo? É papai, como sempre, deixando uma pista para que o leitor veja e faça a mesma pergunta que o Patinhas se faz, ao ver as bruxas no palco.

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O plano das bruxas, também como sempre, quase dá certo, mas só quase. O sono do Donald e do Peninha também não é por acaso, e além de ser engraçado, serve para desviar a atenção do leitor de um final que seria, de outro modo, um pouco óbvio demais.